
Fruto do plano de metas "50 anos em 5", de Juscelino Kubitschek, Brasília foi projetada para ser a capital federal do país. Em 21 de abril de 2010, a cidade torna-se cinquentenária, abrigando não só os poderes federais brasileiros, mas também esplêndidas obras arquitetônicas.
Dentre as grandes construções da época do nascimento da capital, o Portal Metálica destaca o Brasília Palace Hotel - a única obra construída com ligas metálicas nacionais. Servindo de vitrine para o aço, o Palace é o primeiro hotel da cidade, construído para abrigar as autoridades e os ilustres profissionais que iniciavam a construção da capital federal.
Confira os detalhes do surgimento de Brasília, e o papel do aço como catalisador da construção da cidade.
A opção foi, então, construir a partir de estruturas metálicas, que depois seriam revestidas de concreto. Grande parte do aço utilizado nas obras vinha dos Estados Unidos, como o que foi utilizado nos ministérios e nos anexos do Congresso. Calcula-se que o total importado chegue a 15 mil toneladas do material. Para chegar a Brasília, tanto o aço quanto o cimento eram transportados por caminhões que enfrentavam estradas em estado absolutamente precário de conservação.
O grande obstáculo do uso de estruturas metálicas no Brasil, naqueles tempos, era a falta de mão de obra especializada. Logo, o manejo das construções com aço foi delegado a uma empresa americana, a Reymond Pill, estabelecida no Brasil como Construtora Planalto.
O aço combinado ao concreto permitiu a construção de grandes vãos com vigamento e pilares extremamente esbeltos. A combinação foi utilizada nos prédios do Ministério, mas o destaque do Portal Metálica vai para uma construção em específico: o Brasília Palace Hotel. Confira abaixo algumas imagens do final da década de 50, ocasião em que o hotel foi construído.
Predominantemente composto por estrutura metálica, o Brasília Palace Hotel é a única exemplificação do uso do aço nacional em Brasília. Segundo muitos especialistas, foi a partir daí que a aplicação do aço disseminou-se pelo resto do país, ainda inexperiente na estrutura. O Brasil possuía algumas obras em estrutura metálica em São Paulo e Minas Gerais, construídas cerca de dez anos antes de Brasília.
As obras do Palace começaram em setembro de 1957. Para a construção do edifício foram usadas 905 toneladas do aço de origem brasileira: fora produzido pela FEM, pertencente à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda, atual capital do aço. O transporte era feito de trem até Anápolis (GO), e de lá seguia via caminhão pelas precárias estradas até Brasília.
Paulo Andrade, conta uma história curiosa, fruto justamente do difícil transporte de cargas para a região. "Um dia a obra parou porque faltavam peças, e a FEM foi avisada. Mas a fábrica dizia que tinha enviado as peças, porém, elas não haviam chegado. Alguma coisa tinha acontecido no caminho, e foi aí que descobriram: o caminhão que estava carregando as peças encalhou e caiu no barranco. A estrada era "tão boa" que ninguém percebeu".
E então surge a pergunta: por que apenas o essa obra recebeu estruturas metálicas nacionais em sua construção? Por causa da urgência da obra, "Brasília estava começando e precisava de um abrigo, um hotel. A estrutura metálica vinha para atender a urgência da necessidade; não dava tempo para construir o concreto, nem aguardar as importações, como aconteceu com a estrutura dos Ministérios. Precisava abrigar os técnicos e toda aquela gente que ia trabalhar em Brasília", explica o engenheiro.
Fizeram parte da equipe de montagem do Brasília Palace Hotel cerca de 20 trabalhadores, todos funcionários da FEM. O prédio foi construído em cinco andares, incluindo um subterrâneo. A estrutura metálica foi montada em menos de quatro meses, e o diferencial é que elas eram rebitadas, e não parafusadas ou soldadas, como acontece atualmente.
O Brasília Palace Hotel foi o primeiro edifício da capital federal, inaugurado em 30 de junho de 1958, mesma data de inauguração do Palácio do Planalto e da Igrejinha Nossa Senhora de Fátima. Como principal abrigo para as autoridades que passavam pelo canteiro de obras de Brasília, o Palace foi o quartel-general da capital em construção.
Em 5 de agosto de 1978 o prédio foi vítima de um incêndio, culminando no fechamento do hotel. Depois de quase 20 anos abandonado, o Brasília Palace Hotel foi reformado e restaurado sob a supervisão de Oscar Niemeyer, e hoje o estabelecimento opera normalmente, com 114 apartamentos distribuídos em três andares.
Confira imagens da construção do primeiro edifício em estruturas metálicas de Brasília:A construção da capital demorou a sair do papel. Presente nas Constituições de 1891, 1934 e 1946, a ideia só foi retomada pelo então candidato à presidência da República, Juscelino Kubitschek, em 1955. Ao ser eleito, JK incluiu Brasília em seu plano de metas "50 anos em 5" e, em 19 de setembro de 1956, o Congresso aprovou a lei que permitia a construção da cidade.
A região do planalto Central foi a eleita para abrigar o ilustre município. A escolha teve como objetivos:
Brasília foi então construída próxima à cidade de Anápolis, em um trecho de terra entre braços de água.
Confira abaixo imagens da construção de Brasília:
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Em 1957, o arquiteto Oscar Niemeyer, eleito por JK o responsável pelos projetos dos edifícios da cidade, abriu um edital para eleger o autor do plano urbanístico de Brasília. O arquiteto Lúcio Costa saiu vencedor e implantou conceitos modernistas na construção da cidade. Dessa forma, em seu chamado "Projeto Piloto", Costa privilegiou o automóvel como meio de transporte: foram eliminados os cruzamentos através de retornos em desnível. Outra característica foi organizar blocos de edifícios afastados construídos em pilotis sobre grandes áreas verdes, e a opção por superquadras nas áreas residenciais, com 250 metros de comprimento, por exemplo. O cuidado era separar o tráfego de veículos do trânsito de pedestres.
Com tanta modernidade, as ideias de Lúcio remetem a projetos e conceitos internacionais, como os do arquiteto francês Le Corbusier e do alemão Hilberseimer. A cidade foi projetada sob forte influência de ideais socialistas: as moradias pertencentes ao governo também seriam utilizadas e ou habitadas pelos funcionários públicos.
Em formato de avião, Lúcio Costa desenhou Brasília, partindo do traçado de dois eixos cruzando-se em ângulo reto como o sinal da cruz. Nas palavras do próprio: "nasceu do gesto primário de quem assinala um lugar ou dele toma posse: dois eixos cruzando-se em ângulo reto, ou seja, o próprio sinal da cruz" Um destes eixos leva às áreas residenciais, e é levemente arqueado, o que caracteriza o formato de avião à cidade. O outro eixo, denominado Monumental, possui 16 km de extensão e abriga os prédios públicos e os palácios do Governo Federal, no lado leste. No centro, a extensão é sede da rodoviária e da torre de TV. Já no lado oeste, ficam os prédios do Governo do Distrito Federal.
Sendo assim, Brasília é constituída por: Asa Norte, Asa Sul, Setor Militar Urbano, Setor de Garagens Oficiais, Setor de Indústrias Gráficas, Área de Camping, Eixo Monumental, Esplanada dos Ministérios, Setor de Embaixadas Norte e Sul, Vila Planalto, Setor de Áreas Isoladas Norte – SAIN, e sedia os três poderes da República: Executivo, Legislativo, e Judiciário.
Similiaridade entre o projeto de construção e o mapa da cidade de Brasília:
(Clique nas imagens para ampliá-las.)
Iniciada em outubro de 1956, Brasília foi construída em menos de um mandato: 3 anos e 5 meses. A obra foi coordenada pela Novacap (Companhia Urbanizadora Nova Capital), criada pelo governo especialmente para a ocasião. A empresa era dirigida pelo futuro primeiro prefeito da cidade, Israel Pinheiro da Silva, considerado um dos engenheiro brasileiro de renome da indústria siderúrgica no país.
Vale ressaltar que o início da construção de Brasília ocorreu antes da eleição do autor do projeto da cidade, que só se deu em 1957. Quando o projeto começou a ser desenvolvido, o Catetinho, residência provisória do presidente, estava pronto e outras obras, como o primeiro aeroporto e o Palácio da Alvorada, já estavam sendo construídos .
No primeiro mês de construção, havia apenas 232 operários trabalhando por Brasília. Já no início de 1957, o número subiu para 3.000, aproximadamente. A esses trabalhadores foi dado o apelido de candangos, que, dois anos depois, já eram contabilizados em 30 mil.
Com o número de trabalhadores crescendo, a população da cidade também acompanhou o ritmo. Tanto é fato, que em 1957 nasceu o atual Núcleo Bandeirantes, na época chamado de Cidade Livre, que abrigava 12 700 pessoas. No ano seguinte, foi a vez de Taguatinga surgir, a primeira cidade-satélite da capital. Um ano antes de sua inauguração, Brasília já tinha mais de 60 mil habitantes.
Por fim, a capital foi inaugurada em 21 de abril de 1960. Na data, segundo a Novacarp, Brasília tinha 360 mil m2 construídos, com mais de 100 mil m2 em fase de finalização e 37 mil m2 em construção, totalizando mais de 500 mil m2 de área construída ou semiconstruídas.
De 1960 pra cá, Brasília cresceu, e muito: hoje a cidade enfrenta um déficit imobiliário de 100 mil moradias. Para dar conta de tantos habitantes, a cidade está em expansão, construindo mais dois novos setores, o Noroeste e o Águas Claras.
Criado para ser o primeiro bairro sustentável do Brasil, o futuro Setor Habitacional Noroeste localiza-se na última porção de cerrado junto ao Plano Piloto. A ocupação do setor foi prevista por Lúcio Costa em 1987, no documento Brasília Revisitada. Começou a ser implantado em setembro de 2009, com base nos ideais de sustentabilidade do arquiteto Paulo Zimbres: edificações acessíveis e abastecidas por energia solar, áreas com ciclovias, tratamento de água da chuva e rede de coleta de lixo a vácuo.
Estima-se que o custo do Setor Habitacional Noroeste seja de R$ 300 milhões, segundo a Terracap, Companhia Imobiliária de Brasília. Não é a toa que os residenciais da região tem apartamentos de alto padrão pelo valor de até R$ 1,8 milhão. A Terracap calcula arrecadar um bilhão de reais com o novo setor, dinheiro que irá financiar a urbanização de áreas populares, tais como Itapoã e Vila Estrutural. Apesar do ideal de sustentabilidade, o projeto recebe crítica: a área do Noroeste é de preservação ambiental do Planalto Central. São 20 quadras de terreno, aproximadamente 4 milhões de m2, planejado para abrigar 40 mil habitantes.
Em construção também se encontra a área de Águas Claras. Nascida como bairro chamado Taguatinga, foi promovida a cidade em 2003. Atualmente oferece moradia a 300 mil pessoas, e tem mais de cem em prédios sendo construídos.

Brasília tem um custo de vida exorbitante. Um dos fatores é que, sendo distante dos principais fabricantes e fornecedores de material de construção do país, a cidade acrescenta às suas obras o custo do frete e a demora de chegada dos materiais. Mas não é de agora que a capital federal é cara. Os gastos públicos com a construção de Brasília foram estimados, no ano de 1969, em 1,5 bilhão de dólares. A estimativa é do na época ministro da Fazendo Eugênio Gudin. Atualmente o valor contabilizado corresponde a US$ 83 bilhões.

E não é só pelo custo que a capital federal recebe críticas, é também pela sua localização. Para o engenheiro Paulo Andrade, Brasília está deslocada dos grandes centros comerciais do país. Além disso, o transporte para lá é pouco viável: "não tem ferrovia, as estradas são ruins... precisa-se de avião para quase tudo!". Ele calcula que talvez precise de pelo menos mais 50 anos para que a "civilização" avance até Brasília.
"Eu acho que Brasília foi um grande erro. Sob o ponto de vista arquitetônico é uma beleza, mas sobre o ponto de vista da lógica estatal é uma aberração. Foi uma propaganda para o senhor Juscelino", critica. E é sobre essas críticas que o especialista propõe uma reflexão aos leitores do Portal Metálica: "o crime compensa? Algo ainda poderá ser feito para que todos esse gastos e sacrifícios sejam compensados,e Brasília não continue a ser 'uma ilha cercada de Brasil por todos os lados'?".
Redação: Portal Met@lica
Fotos: Arquivo Pessoal do Engº Paulo Andrade (Paulo Andrade Engenharia de Estruturas Metálicas), Acervo do Distrito Federal, Editora Abril e Rede Plaza Brasília.