A Gerdau Açominas, controlada pelo grupo gaúcho Gerdau, poderá receber investimentos na implantação de uma linha de produção de trilhos em Ouro Branco, região Campo das Vertentes. O projeto deverá ser impulsionado pela expansão do setor ferroviário no país nos próximos anos.
A companhia confirmou, por meio de nota, que o investimento está em fase de estudo. 'A Gerdau Açominas possui, desde 2002, um laminador de perfis e atualmente está avaliando a possibilidade de produzir trilhos, considerando a nova realidade do setor ferroviário no Brasil'. Apesar disso, conforme o grupo siderúrgico, não há nenhuma definição até o momento.
Estima-se que os investimentos necessários para uma fábrica de trilhos são de aproximadamente US$ 1,5 bilhão. Apesar disso, a Gerdau já possui parte da estrutura necessária para realizar a produção, o que deverá reduzir a necessidade de aportes.
Se o grupo siderúrgico iniciar a fabricação, a linha em Ouro Branco passará a ser a única em operação no Brasil. A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) chegou a produzir o material ferroviário, mas encerrou a atividade na década de 90 em virtude da baixa demanda do setor no Brasil.
As concessionárias e o governo federal atualmente importam os trilhos de países da Ásia e leste europeu. A maior parte do material desembarcado no país é produzida na China e na Ucrânia.
Positivo - A possibilidade de retomar a produção de trilhos no país foi avaliada de forma positiva pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), Vicente Abate. Para ele, atualmente há demanda no país para que seja iniciada novamente a fabricação. Além disso, o consumo está próximo do patamar considerado necessário para manter a operação, que é de aproximadamente 500 mil toneladas/ano.
As perspectivas são de continuidade na manutenção da demanda em patamares considerados suficientes para a continuidade da fabricação de trilhos. De acordo com o presidente da entidade, até 2020 deverá haver uma expansão de 36% na rede ferroviária no país, que passará dos atuais 30 mil quilômetros para 41 mil quilômetros. 'Poderá haver uma adição de mais 10 mil quilômetros após 2020', disse.
Entre os investimentos que deverão impulsionar as vendas de trilhos no Brasil, está a construção da Transnordestina, que deverá ter 1,728 mil quilômetros, ligando os postos de Pecém (CE) e Suapé (PE) ao cerrado do Piauí. A estrada de ferro deverá receber investimentos da ordem de R$ 5,4 bilhões até 2012.
Outro empreendimento citado pelo presidente da Abifer foi a ferrovia Oeste-Leste. O projeto será construído pela Valec, estatal federal do ramo ferroviário, e terá 1,4 mil quilômetros de extensão nos estados da Bahia e Tocantins, e terá ligação com a Ferrovia Carajás e a Norte-Sul.
Rolo - Além da produção de trilhos, a Gerdau Açominas também poderá receber investimentos na implantação de um laminador de rolo e outro de aços especiais, conforme fontes já haviam informado.
O laminador de rolos permitirá a ampliação da oferta da empresa de fio-máquina. Os aportes totalizarão R$ 490 milhões até 2013. O equipamento terá capacidade instalada de 600 mil toneladas anuais.
Já o laminador de aços especiais está orçado em R$ 350 milhões. O equipamento, que tem previsão de operação em 2012, terá capacidade instalada de 500 mil toneladas/ano. Os dois laminadores são parte da ampliação do plano de aportes global da Gerdau entre 2010 e 2014. Os investimentos passaram de R$ 9,5 bilhões para R$ 11 bilhões.
De acordo com o último balanço financeiro divulgado pela Gerdau, no acumulado até setembro de 2010, o lucro líqüido da companhia alcançou R$ 2,038 bilhões, ante R$ 361 milhões nos primeiros nove meses do ano anterior. O resultado representa incremento de 464,5% no período.
Infomet / Diário do Comércio
Publicação: 20/01/2011