MemorialNatal é um centro de turismo nacional e, nesta cidade, o mar é um dos principais elementos de sua paisagem. O azul de suas águas, a serenidade das ondulações das dunas de areia tão brancas foram sem dúvida os elementos da natureza que influenciaram e fizeram pensar nesse “portão de acesso” para tantos turistas, bem como para a população local.
Ao início dos estudos para o Terminal de Passageiros do Aeroporto Internacional de Natal, algumas condicionantes de projeto tiveram que ser assimiladas, tais como o fato da maioria das fundações já estarem executadas para uma outra proposta arquitetônica que não seria construída, os dimensionamentos dos espaços já quantificados e o mix de aeronaves definido pela Infraero.
A localização do novo Terminal é junto ao existente. Segundo o programa estabelecido pela Infraero, o antigo terminal deverá ser reformado para adequar-se a outras funções de apoio ao conjunto aeroportuário, chegando assim à unidade arquitetônica desejada.
O ato de projetar não se dá por etapas ou segmentado como segue aqui descrito. O projeto nasce como um todo. A intenção no uso do material, o resultado plástico, o ordenamento espacial interno se processa em conjunto. Didaticamente, descreve-se por partes aquilo que compõe um todo.
O projeto do Terminal de Passageiros explora o desenho de sua cobertura, uma das faces da construção mais participativa na paisagem em uma arquitetura com esse caráter. Essa idéia resultou numa volumetria formada pela dinâmica no encontro das curvas dos telhados, desenhados de maneira a proporcionar ricos espaços internos, explorando ao mesmo tempo a circulação do ar e a entrada da luz natural em seu interior.
A modulação estrutural obedece os 12,00 metros nos vãos propostos pelo projeto anterior, limitação dada pelas fundações já executadas. A superestrutura foi concebida toda em aço.
A limpeza do canteiro de obras (junto ao terminal existente) e a industrialização permitida pelo material parecia lógica e intrigante para o caso. Com a estrutura em aço pôde-se propor uma arquitetura leve e solta, como a arquitetura brasileira sempre fez com o concreto.
Esta idéia foi aceita pelo cliente, condição essa que transformou o Terminal no primeiro do Brasil a ser executado inteiramente em aço.
O conceito adotado para o edifício era aproveitar o que a natureza do local oferecia de melhor, minimizando-se o consumo de energia com soluções artificiais. A brisa e a luz são elementos da natureza que foram utilizados na definição do partido arquitetônico.
Assim como na solução adotada no Aeroporto de Brasília, os saguões de embarque e desembarque são ventilados naturalmente, bem como a cobertura das vias de embarque e desembarque, protegendo inteiramente os veículos e passageiros.
Essa área protegida forma a transição entre o exterior e o interior do edifício, espaço necessário em função dos saguões não serem climatizados nem isolados através de esquadrias. Para que esse efeito fosse realmente eficaz e o prédio obtivesse o conforto ambiental adaptado às necessidades humanas, foi criada na parte superior da cobertura, no encontro dos telhados, uma grande linha horizontal para ventilação e iluminação tipo “shed”, além do isolamento termoacústico das telhas e o grande colchão de ar entre essas e o forro.
É de fundamental importância que o entorno do edifício também seja tratado com um bom projeto paisagístico, observando o sombreamento de toda a área externa para possibilitar o rebaixamento da temperatura, utilizando-se inclusive do recurso dos espelhos d’água para desta maneira a brisa entrar no interior do edifício com a temperatura ideal.
No tratamento paisagístico deverá ser considerado inclusive o acabamento das calçadas, pisos em geral, e estacionamento de veículos, a ser executados em concreto claro, nunca em asfalto que, por suas características físicas, é um grande armazenador de calor.
As circulações são de fácil percepção. Esse tipo de arquitetura exige do profissional a preocupação com o usuário, de modo a favorecer a leitura do edifício, respeitando a escala humana e proporcionando deslocamentos claros.
A operação do Terminal de Passageiros, classificado como de porte pequeno a médio, deverá atender a uma demanda de até 1.500.000 passageiros/ano, com nível de conforto “A”, segundo normas internacionais.
O partido arquitetônico adotado considera esse aspecto para sua distribuição espacial e resultou em um edifício desenvolvido em 4 níveis. No térreo situam-se os saguões de embarque e desembarque, salas de restituição de bagagens, escritórios das companhias áereas e demais áreas de apoio e de manuseio de bagagens; no pavimento técnico, situado entre o térreo e o 1º pavimento, local de acesso exclusivo dos técnicos da manutenção, estão todas as redes de infraestrutura, equipamentos de ar condicionado e transformadores de energia.
No 1º pavimento, caracterizado como mezanino, abriga áreas para o comércio em geral e salas de embarque doméstico e internacional; no 2º pavimento, definido como terraço panorâmico coberto, uma pequena infra-estrutura comercial formada por bar, sorveteria, lojas e espaço cultural caracteriza o seu uso.
A central de utilidades, bem como seus reservatórios elevados de água potável e água gelada, estão localizados próximos ao Terminal. Neste caso, suas arquiteturas foram consideradas como integrantes do conjunto, sem intenções de camuflá-los ou ignorá-los, ao contrário, foram desenhadas de forma a serem partícipes de um todo com dignidade.
Esses edifícios são visíveis, tem seu caráter e são construídos sobre o platô natural do terreno sem grandes escavações, cujo objetivo foi minimizar os custos da construção.
A linguagem adotada é de um prédio transparente e integrado com seu entorno físico. Seu caráter está fortemente marcado em seu desenho, fazendo uma relação correta e coerente entre o edifício e as aeronaves que nele atracam.
Sua arquitetura marca através de sua tecnologia aprimorada e expressão plástica a identidade com o espírito da cidade e da região à qual serve.
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