Inspirado na fuselagem dos aviões, o projeto para o Novo Terminal Internacional de Passageiros de Florianópolis, Aeroporto Hercílio Luz, terá estrutura e sistemas construtivos de aço. Idealizado pelos arquitetos Mario Biselli e Guilherme Motta, recebeu o 1º lugar no Concurso Público realizado pela Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária) e organizado pelo IAB (Instituto dos Arquitetos do Brasil) em maio-junho de 2004. As plantas já foram entregues e as obras devem ter início ainda em 2006.
O terminal será implantado na faixa nordeste do perímetro – voltada para a pista de pouso principal –, o que permite melhor visualização de todo o complexo e menores percursos de rolagem para as aeronaves. Será concebido em dois níveis operacionais: térreo e mezanino, além de mais um terceiro piso, destinado à administração da Infraero. Entre outras vantagens, a gerência comercial terá visão privilegiada da área de embarque e, a poucos passos, do saguão. Já as áreas de segurança desfrutam de visibilidade integral da rampa e das pistas, ainda nesta primeira fase.
Um dos objetivos do projeto arquitetônico do terminal é oferecer uma leitura simples e objetiva ao usuário, e de fácil racionalização pelas equipes de operação segurança e manutenção – como devem ser as interfaces de transporte modal. Isso poderá ser observado logo no andar térreo, destinado à venda de bilhetes, check-in de embarque, tratamento de bagagens, desembarque com free-shop, sala reservada a autoridades e escritórios das empresas aéreas e de órgãos públicos. Neste nível, o tratamento operacional será organizado em faixas, de acordo com os fluxos de embarque e de desembarque de passageiros e bagagens.
No mezanino, sob mesma lógica, organizam-se os espaços comerciais, salas de embarque, conector e pontes de embarque. Na extremidade leste, localiza-se a praça de alimentação e o terraço panorâmico. A circulação vertical principal será feita por meio de escadas rolantes, fixas e elevadores distribuídos no saguão. Sistemas iguais também foram propostos para salas de embarque remoto e desembarque, tanto nacional quanto internacional
O projeto prioriza ainda o uso de materiais de acabamento duráveis, baseados nos conceitos de beleza e funcionalidade. Inclui desde pisos graníticos até caixilhos e fechamentos metálicos que garantam conforto térmico e acústico. A luz natural ingressará através de aberturas ao longo de todo o perímetro do edifício, sempre amenizada por generosos beirais e brises soleis. Nas áreas centrais do projeto, uma abertura zenital, igualmente protegida, amplia ainda mais a entrada de luz nas áreas internas.
Para o arquiteto Mário Biselli, além de possibilitar um acesso viário direto, a opção por uma construção linear progressiva apresentou-se como a mais apropriada, pelo fato de admitir futuras adequações operacionais e arquitetônicas. Isso será possível com a construção de módulos interconectados dentro do conceito de "um só teto (under one roof)", permitindo interferências mínimas na construção existente. Quanto às demais fases de implantação, seguem o perímetro do pátio de aeronaves a oeste e sul, com dois edifícios de CUT estrategicamente dispostos.
A concepção é extremamente simples: uma linha contínua une a cobertura de aço e as fachadas do edifício, exprimindo uma estreita relação entre forma e a função. Ao norte posicionam-se as salas de embarque e conector, enquanto ao sul, um grande beiral oferece abrigo ao meio fio. Ao longo deste perfil ainda foram previstas calhas para águas pluviais
Biselli e Katchborian Arquitetos Associados