Alta do preço do aço deverá moderar com aumento da oferta, diz ‘WSJ’

Segundo o jornal, o esforço mundial para aumentar a oferta de aço também poderá provocar uma desaceleração do ritmo da alta dos preços do produto, que vem ocorrendo desde o último outono (no Hemisfério Norte).

As novas construções de arranha-céus nos países em desenvolvimento e os aumentos da produção de automóveis na maior parte do mundo e da produção de equipamentos com uso intensivo de aço utilizados nos setores de energia e mineração estão impulsionando as siderúrgicas a elevarem a produção. "Nós estamos prevendo grandes aumentos (de produção) na China e na Índia, em termos porcentuais, e no resto do mundo", disse Peter Fish, diretor-gerente do MEPS International, uma consultoria de aço do Reino Unido.

A China, o maior produtor de aço do mundo, anunciou recentemente que a produção do país cresceu 6% no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo trimestre do ano passado, marcando um novo recorde trimestral.

As siderúrgicas mundiais estão no caminho de produzir 1,53 bilhão de toneladas de aço neste ano, uma alta 8% em comparação com o volume recorde de 1,42 bilhão de toneladas produzidas em 2010, de acordo com o MEPS. A China, que contabilizou uma produção de 648 milhões de toneladas em 2010, deverá produzir entre 690 milhões e 710 milhões de toneladas em 2011, cuja maior parte será consumida no mercado doméstico.

Desde 2005, a Índia tem registrado um aumento médio de 9% da produção de aço anual e deverá observar um crescimento maior, visto que as grandes siderúrgicas mundiais começaram a construir fábricas no país de olho no mercado local. "A maioria dos grandes players mundiais vê a Índia como uma estratégia de crescimento", diz Mike Elliott, analista de mineração da Ernst & Young.

Os altos-fornos estão aquecendo nos EUA e em partes da Europa também. Nos EUA, as siderúrgicas estão relatando livros de pedidos cheios até junho, o que ajudou a impulsionar as taxas de utilização da capacidade para cerca de 78% em abril, de 72% em janeiro. Quase todas as grandes siderúrgicas norte-americanas preveem que seus lucros deverão ser impulsionados no segundo trimestre pelos preços de venda mais elevados - ligados aos aumentos anunciados nos últimos meses - e crescimento da produção.

Apesar do aumento da oferta, os compradores de aço não deverão esperar queda dos preços, mas sim uma desaceleração de sua alta. "Há pouca chance dos preços recuarem dramaticamente nos próximos anos devido à simples razão do aumento da demanda da Índia, China e Oriente Médio", disse Fish.

Os preços do aço nos EUA estão entre 5% e 15% mais altos que os preços na China e em outros países em desenvolvimento, mas, na maioria das vezes, bateram no teto, destacam analistas de aço.

Na América do Sul e parte da Ásia, excluindo a China, os preços do aço ainda estão subindo, mas os analistas esperam que, com a nova produção de aço a caminho, esses ganhos moderem um pouco.

O aumento dos preços das matérias primas está impedindo uma queda dos preços do aço. Os preços do minério de ferro, o principal ingrediente da produção siderúrgica, continuam elevados - em cerca de US$ 170 a tonelada, acima dos US$ 160 a tonelada no ano passado. As informações são da Dow Jones.

Fonte:

Infomet / O Estado de São Paulo
Publicação: 09/05/2011

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