Análise:China e crise soberana na Europa no foco da siderurgia mundial

Ivo Ribeiro

id3501_china_europa_foco_da_siderurgia_mundialO cenário de expansão vivido pela indústria mundial do aço após a crise de 2008/2009, passa a depender muito de como será o comportamento da China no último trimestre do ano. Se aprofundar a desaceleração da economia no país, como muitas pessoas do setor acreditam depois da divulgação de alta de 9,1% no PIB chinês, a produção global siderúrgica poderá encerrar 2011 com aumento abaixo de 6%, longe dos 15% do ano passado.

Conforme o relatório mensal da World Steel Association (WSA) divulgado hoje, de janeiro a setembro o volume produzido no mundo teve crescimento de 8,2%. Nos noves meses, somou 1,134 bilhão de toneladas de aço bruto (placas e tarugos, que vão se transformar em produtos laminados).

Mantido o ritmo de setembro, de 123,6 milhões de toneladas, o setor, no mundo, fechará o ano com produção de 1,5 bilhão de toneladas - 6,2% de alta frente ao desempenho de 2010 (1,41 bilhão de toneladas).

A tendência do cenário atual indica que não vai alcançar o volume projetado meses atrás. A expectativa recai sobre as usinas chinesas, que fizeram 56,7 milhões de toneladas em setembro, exibindo um quarto desempenho consecutivo de retração.

No setor, já se estima que a produção da siderurgia chinesa vai descer ao patamar de 50 milhões de toneladas ao mês até o fim do ano. Ou seja, pouco acima do que fazia um ano atrás. Se esse cenário de fato se cumprir, a China termina 2011 com produção (novamente recorde) de 682 milhões de toneladas.

Mesmo assim, significará crescimento de 8,7% ante o volume do ano passado - 627 milhões de toneladas. Mas, pelo ritmo de maio, operava em base anualizada de 720 milhões de toneladas. Não custa lembrar que, em 1995, a China fazia 95 milhões de toneladas de aço. De lá para cá, não parou de crescer.

A desaceleração chinesa assusta a indústria de mineração de ferro, cuja dependência das importações do país é grande. Quanto menos aço fizer, menor a demanda para o principal ingrediente do aço.

No caso da brasileira Vale, maior mineradora de ferro do mundo, mais da metade das vendas do produto - seu carro-chefe na receita - se destina a siderúrgicas da China. O preço, em 45 dias, já desabou 20%, para US$ 145, no mercado livre chinês.

O Japão, segundo maior produtor de aço da Ásia, e segundo grande importador da matéria-prima (100% de dependência), ainda enfrenta sobre sua economia os efeitos do terremoto seguido de tsunami ocorrido em março. A siderurgia do país teve desempenho negativo de 3,8% em setembro (8,8 milhões de toneladas). No ano, amarga retração de 1,1%.

A União Europeia cresceu, até setembro, em ritmo levemente acima de 4%, porém as expectativas futuras não são nada otimistas, devido aos efeitos da crise soberana na região.

Os EUA mostram performance um pouco melhor, porém ainda em fase de lenta recuperação. Em setembro, sua produção de aço subiu 8,9%, a 7,2 milhões de toneladas. No acumulado do ano, a expansão é de 6,2%. O setor, no país, ainda não voltou ao patamar de antes da crise de 2008.

Fonte:

Grandes Construções / Valor
Publicação: 21/10/2011

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