Análise Setorial: Setor Siderúrgico

A recuperação da produção global de aço bruto tem se mostrado consistente mês a mês. Estatísticas da World Steel Association (WSA) indicam o aumento de 2,5% em agosto em relação a julho, mas uma queda de 5,5% em 12 meses. Em 2009, a produção é menor 18,1%. A retomada é mais lenta no mercado internacional. De acordo o Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), a produção brasileira de aço bruto aumentou quase 30% entre julho e junho deste ano, e a de laminados, 14,5%. Na comparação anual, os números continuam negativos. As perspectivas de recuperação têm premissas baseadas na recuperação dos maiores consumidores, como o setor automotivo e o de construção civil.

A Federação Nacional de Distribuição de Veículos (Fenabrave) contabilizou a expansão de 20% das vendas dos veículos de passeio em setembro em relação ao mesmo período de 2008, e vendas 6% superiores no acumulado do ano, em comparação há dozes meses, totalizando 1,8 milhão de automóveis. O Grupo Gerdau destaca fortes drivers para o setor siderúrgico baseando em incentivos governamentais. Alguns deles são os R$ 475 bilhões em medidas já aprovadas, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para 30 itens da indústria de construção, os R$ 646 bilhões incluídos no orçamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o programa "Minha Casa Minha Vida" .

No mercado externo, os preços de aço voltaram a cair em setembro. O preço do laminado a quente caiu 8% ante agosto. Para a Corretora Ativa, esses dados são negativos para as siderúrgicas brasileiras, já que as cotações haviam iniciado um movimento de alta, pois prejudica a velocidade de retomada da cotação dos produtos siderúrgicos. Até aqui, a demanda voltou a crescer em produtos semi-acabados, de menor valor agregado, e placas, mas somente no mercado asiático. No entanto, isso foi um estímulo para as produtoras brasileiras religarem usinas que estavam paradas, como é o caso Usiminas, que ligou os fornos da unidade de Cubatão, cuja produção é direcionada para exportação.

As ações do setor na Bovespa retomaram muito rápido na visão do analista da Geração Futuro, Rafael Weber. Até o fechamento de setembro, a valorização da Usiminas foi de 77%, a da CSN, de 94%, e da Gerdau, 53%, e o Ibovespa, 61%. Por isso, Weber acredita que o mercado já antecipou um pouco a recuperação esperada para as vendas do setor. Para o analista da Planner Corretora, Rodney Melhados, esses papéis ainda têm espaço para subir um pouco mais. Ele acredita que as commodities siderúrgicas ainda não refletiram a retomada do mercado internacional, considerada por ele como consistente, assim como a economia brasileira e norte-americana.

Fonte:

Infomet / Monitor Mercantil
Publicação: 15/10/2009

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