A cidade de Volta Redonda - RJ, depois da implantação da Companhia Siderúrgica Nacional - CSN no final da década de 1940, passou a ser chamada de "Cidade do Aço". Na época a CSN era a única siderúrgica integrada brasileira a produzir aço para todo o país. Para incrementar o uso deste material nas construções do País, a CSN decidiu criar, em 1953, a FEM - Fábrica de Estruturas Metálicas, que passou a formar sua própria mão de obra, desde projetistas até soldadores e montadores, definindo, com isto, o ciclo completo da produção de estruturas de aço. A FEM realizou numerosas obras em todo território nacional até seu fechamento em 1998.
Ao longo desde tempo, Volta Redonda foi adquirindo a cultura do aço, e hoje, devido ao grande numero de obras fora do setor industrial, pode ser considerada também como a cidade das construções com aço, pois nela se pensa em aço antes de se pensar em outro tipo de material, já que ainda há um grande número de profissionais atuando na região, bem como pequenas mas eficientes fábricas de estruturas em condições de realizar obras para os mais diversos setores.
Foi observando o grande número de obras fora do setor industrial que resolvemos fazer uma pesquisa para saber onde estávamos em relação ao Brasil.
A Pesquisa das ObrasPesquisando, com o apoio da Enga Sandra Travassos da CSN, o uso do aço em Volta Redonda, constatamos que, fora do setor industrial, a cidade tinha adquirido uma cultura bastante elevada de uso do material em suas construções, como em: edifícios comerciais, escolas, pontes e viadutos, passarelas, ginásios esportivos, telhados de residências, shopping centers, igrejas, abrigo de ônibus e, mais recentemente, na construção de um estádio de futebol, com um total de 14.640 toneladas usadas, sendo 2.600 toneladas nos últimos seis anos.
Este grande consumo se deu, além do aspecto cultural, pela rapidez da execução das obras e pelos custos, além da presença de bons profissionais de projeto e fábricas na região.
Foram cadastradas, até Novembro de 2002, cerca de 650 edificações concluídas e em uso, pois outras obras estão em construção.
Edificações comerciais - 16 obras com um total de 108.500 m2, pesando 7300 t, sendo as três mais importantes:
Escolas - Total de 15 obras, com 18.550 m2, pesando 6501, construídas deste 1988 até a presente data, sendo escolas de um a três pavimentos.
Ginásios poliesportivos e quadras esportivas cobertas - Total de 10 obras, com 15.600 m2, pesando 530 t, sendo cobertura dos ginásios em arco com colunas de concreto e das quadras em treliça lateral e pórtico em caixão, construídos deste 1987 até a presente data (existem cinco em final de construção).
Residências e Sistema Modular CSN - Total de 330 casas com coberturas metálicas de aço e 50 tipos variados usando o sistema modular da CSN, perfazendo um total de 19.330 m2, com 390 t, construídos de 1998 a 2002 com o uso de aço resistente à corrosão nos telhados e galvanizados no Sistema Modular CSN.
Passarelas - Total de 12 obras, com 4.250 m2, pesando 910 t, sendo 11 em perfis soldados com colunas em aço e uma em perfil tubular, com colunas de concreto.
Pontes e Viadutos - Total de 15 obras, com 23.190 m2, pesando 3.650 t, sendo três as mais importantes pelo seu aspecto histórico a saber:
Ponte sobre o Rio Paraíba do Sul com 90m de extensão, ligando a Rua Paulo de Frontin a Niterói, pesando 150 t, construída em 1948 com aço tipo A7 (uma das primeiras laminadas), com composição toda rebitada.
Viaduto Nossa Senhora das Graças sobre a RFF com área de 3.780 m2, pesando 667 t, com vãos de 30 m. Neste viaduto foi usado (em 1966), pela primeira vez, o aço Corten de alta resistência à corrosão como composição das vigas rebitadas, estando em perfeitas condições, apesar do tempo.
Ponte Viaduto Água Limpa / Aero , ligando a BR393 na altura do bairro Água Limpa ao bairro do Aero Club, passando pelo bairro Vila Americana e atravessando o Rio Paraíba do Sul com 510 metros de extensão e 5.825m2, pesando 760 t , em vigas mistas de aço tipo CosArCor de alta resistência mecânica e à corrosão, e colunas de concreto, em fase final de construção.
Abrigos de ônibus - Total de 194 abrigos, pesando 80 t, feitos em estruturas tubulares.
Edificações especiais - Neste grupo estão: o Pavilhão de eventos em estruturas tubulares espaciais, o Pavilhão para exposições em estrutura semi-espacial com perfis soldados, uma Igreja com perfis laminados, o Mercado Popular em perfis soldados, e outras, perfazendo uma área total de 13.000 m2 e pesando 300 toneladas.
Estádio de futebol - Com capacidade para 20 mil espectadores, ocupando uma área em planta coberta de 10.300 m2 e pesando 860 toneladas




No passado, as dificuldades eram grandes. Havia:
- falta de aço disponível no mercado.
- falta de bibliografia em língua portuguesa.
- falta de normas nacionais.
- pouca carga horária nas disciplinas de aço nas escolas.
- falta de divulgação.
- falta de cultura do uso do aço.
- falta de programas computacionais nacionais.
Nos Dias de Hoje, no entanto:
- existem perfis de aço de todos os tipos disponíveis no mercado.
- existe hoje uma boa lista de livros e publicações a disposição dos interessados.
- as normas para cálculo estão atualizadas ou em atualização.
- já há maior carga horária nos cursos de engenharia, como: UFMG, Ufop, EESC, PUC -RJ e Unifoa.
- há maior divulgação através de revistas, seminários, congressos, palestras.
- existem vários programas computacionais nacionais no mercado.
Os maiores problemas a resolver, nos próximos anos, são:
- facilitar o acesso a novas publicações.
- facilitar a participação em seminários, congressos e palestras.
- apoiar arquitetos e escolas.
- encontrar os caminhos para mostrar as vantagens do uso do aço na construção aos construtores.
Livros de Arquitetura
Do Eng. Karl Fritz Meyer - Com patrocínio da CST, CSN, Cosipa e Usiminas.
Livros de Estruturas
Outras publicações
Da extinta SIDERBRÁS, que estão sendo reeditadas pelo GSCM
Coletânea da Açominas sobre o uso do aço:
Revistas técnicas especializadas
Normas ABNT de projeto
Programas computacionais
Engenheiro Ildony H. Bellei - Professor do curso de Engenharia Civil da Unifoa e Diretor do IHB Engenharia e Consultoria S/C Ltda.