Expansão e integração dos sistemas de transporte de massa da capital – trens, metrô, veículo leve sobre trilho – o início das obras da Asa Norte do Rodoanel, que junto com a Asa Leste, somando investimentos de R$ 9 bilhões de reais e vai retirar os caminhões do centro da capital; o início das obras de duplicação da Rodovia dos Tamoios em maio; o planejamento do investimento em torno das principais metrópoles do estado e a preparação do estado de São Paulo para receber os investimentos do pré-sal. Estes foram alguns dos temas abordados pelo governador Geraldo Alckmin durante o 2º Fórum – Brasil Infraestrutura Cidades, promovido pela Sobratema dia 18 de outubro, no auditório do Fecomércio, em São Paulo.
O evento reuniu palestrantes da área de arquitetura e engenharia que discutiram o futuro das Cidades do ponto de vista da tecnologia e infraestrutura, e foi palco para o lançamento do Relatório dos Investimentos em Infraestrutura no Brasil até 2016, estudo encomendado pela Sobratema que indica um portfólio de mais de 13 mil grandes obras, com volume de investimento estimado em R$ 1,479 trilhão.
Os investimentos destacados pelo governador Geraldo Alckmin durante sua palestra indicam um forte incremento da logística operacional do estado para os próximos anos, visando os investimentos do pré-sal, a indústria do etanol e a melhoria da qualidade de vida nas regiões metropolitana. Um dos principais projetos é a duplicação da Rodovia dos Tamoios, que segundo o governador deve começar em março de 2012, com prazo de conclusão de 20 meses. O orçamento previsto é de R$ 4,3 bilhões, com 53 km de extensão, devendo facilitar a ligação com o litoral norte paulista e com o Porto de São Sebastião. "A duplicação da Tamoios permitirá o acesso a um dos melhores portos do Brasil, que é o de São Sebastião, pois ele tem 16 metros de calado e uma condição geográfica privilegiada, pois não assoreia", destacou o governador. A duplicação da rodovia Tamoios ficará a cargo do governo na parte de planalto e no trecho de serra, será realizado em parceria com a iniciativa privada. Ele informou ainda que está em fase final a licitação para a construção de um túnel que ligará Santos ao Guarujá, como sistema mais indicado para eliminar o transporte via balsa. O túnel deverá incluir um sistema de transporte de veículo leve sobre trilhos (VLT).
Outra obra fundamental para a melhoria de vida na capital paulista é o Rodoanel, que deverá ter a Asa Norte iniciada. Somando-se à Asa Leste, as obras do Rodoanel consumirão R$ 9 bilhões. Além disso, o estado planeja investir R$ 15 bilhões em metrô e trem – financiamento do Banco Mundial, BID, BNDES, PPPs e recursos próprios do estado. Alkmin destacou o investimento do governo federal no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, a capacidade de crescimento do aeroporto de Viracopos, em Campinas, e os estudos para a construção de mais um aeroporto na região metropolitana de São Paulo.
O governador ponderou que se o trem bala sair, o governo do estado dará todo apoio ao projeto. Mas adiantou que caso o projeto não se realize, existe uma alternativa: "Se ele não sair, temos um projeto nosso, que batizamos de Expresso Bandeirantes. Seria uma ligação moderna e rápida por ferrovia, entre Campinas, Guarulhos e São José dos Campos. Com isso interligaremos o maior aeroporto de cargas do Brasil, que é Viracopos, com o maior aeroporto de passageiros do País, Cumbica, além de facilitar o acesso, com a chegada até São José, ao maior porto da América Latina, que é Santos", completou o governador.
O presidente da Sobratema Afonso Mamede, durante a abertura do evento, destacou que a solução da crise mundial, segundo especialistas internacionais, passa pelos países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), e por isso a importância da continuidade dos investimentos em infraestrutura. Ele reafirmou que a Sobratema vem cumprindo um papel importantíssimo de fomentar o desenvolvimento do setor, por meio da realização de feiras internacionais, congressos e o próprio fórum, que visa criar uma campo para o debate. "Também levamos quase três mil profissionais e dirigentes de empresas em missões técnicos ao exterior, formamos quatro mil pessoas no manejo de equipamentos e máquinas para obras e temos uma atuação permanente de aproximação entre as universidades e a realidade de mercado", complementou Mamede.
Mário Humberto Marques, vice-presidente da Sobratema fez a apresentação do Relatório dos Investimentos em Infraestrutura no Brasil até 2016, destacando a forte centralização dos investimentos em infraestrutura nas regiões Nordeste e Sudeste, e a centralização dos investimentos de energia na região Norte.
A área de combustíveis, que engloba o setor de petróleo e gás, é líder na atração de investimentos. A previsão é de que o setor tenha um aporte de R$ 679,4 bilhões em 2011, frente a R$ 566,8 bilhões no ano anterior - alta de 20%. O número de obras no setor também passou de 213 em 2010, para 300 neste ano.
A área de transportes e vias urbanas aparece na segunda posição dos investimentos, com crescimento de 48% de um ano a outro. O setor tinha 719 obras em 2010, com recursos de R$ 232 bilhões, e chegou a 1.136 em 2011, no valor de R$ 343,4 bilhões. Já o setor infraestrutura esportiva atingiu R$ 14 bilhões em 2011, teve um crescimento de 56% em relação aos valores levantados no ano anterior. No total global, o saldo nos investimentos chegam a R$ 1,47 trilhão, divididos por 12,2 mil obras em 2011, com um crescimento de 21% em relação ao valor gasto no ano anterior. Mário Humberto destacou a importância da Sociedade exercer um papel fiscalizador destes investimentos, mas alertou para os prejuízos sociais gerados por obras paralisadas, que atingem a todos os segmentos de infra estrutura. "Se houver irregularidade, é preciso investigar e punir, mas a obra parada gera um prejuízo muito grande para toda a sociedade".
Mário Biselli, diretor da Biselli + Katchborian Arquitetos, em sua palestra ressaltou que a solução para a qualidade de vida não está no campo, ao contrário de algumas tendências, e sim na própria cidade desde que acomodem soluções de urbanismo que visem a integração social e a coletividade. E ressaltou a expansão das linhas de metrô como o melhor meio de transporte para as grandes cidades.
O engenheiro Flavio Peres Goes, da construtora Odebrecht, que substituiu a Ícaro Moreno Jr, presidente da Emop Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro, mostrou o trabalho de construção e montagem do sistema de teleférico do Complexo do Alemão, e as obras de urbanismo que foram realizados naquela comunidade. Ele ressaltou o desafio de realizar uma obra de tal porte em área tão densamente povoada, e a transformação social gerada pela oferta de um sistema de transporte onde antes as pessoas só tinham acesso a pé.
O ex-secretário Fábio Feldman falou sobre a evolução do debate sobre meio-ambiente no Brasil e no mundo. Ele mostrou como a questão do aquecimento global tornou-se foco das preocupações sobre a ação do homem no planeta. E a necessidade em nível governamental, global, e pessoal de ações que possam reduzir esse impacto para o bem do planeta.
Ricardo Pereira Leite, secretário de Habitação do Município de São Paulo e presidente da Cohab, apresentou os diversos programas municipais de urbanização de favelas, para ampliar a qualidade de vida e proteger os mananciais da cidade, e ressaltou a política municipal de desenvolver projetos que permitam o adensamento do centro da cidade, aproveitando-se a infraestrutura ali existente, ao contrário de estimular o adensamento nas regiões mais periféricas.
O jornalista Ethevaldo Siqueira mostrou a evolução passada e futura dos meios tecnológicos, e como a sua expansão carece de investimentos em infraestrutura de telecomunicações. Ele destacou que não existe limite possível para a revolução tecnológica, que imporá ainda grandes transformações na forma de relacionamento social e profissional, com a integração cada vez maior entre os meios físicos e virtuais.
O consultor Gesner de Oliveira, ex presidente da Sabesp, entre 2007 e 2010, abordou a deficiência brasileira na área de saneamento. Ele destacou que não é só a falta de investimento, assim como perda de água que coloca o sistema de saneamento brasileiro em posição bastante desfavorável em relação aos países desenvolvidos. E que será preciso colocar a área como prioridade para que o país realmente dê um salto na oferta de tratamento de água e esgoto e se coloque no ranking do países desenvolvidos.
Revista Grandes Construções
Publicação: 20/10/2011