Caminho ainda é longo para recuperação do setor de aço plano

Os fundamentos negativos para o setor de aço plano deverão prosseguir em 2012. As margens deverão continuar muito comprimidas, diante dos custos de produção elevados e preços baixos. Além disso, a ameaça dos produtos siderúrgicos importados não deve dar trégua, trazendo maior concorrência no mercado interno.

A expectativa é que todos esses fatores continuem impondo uma barreira ao aumento do preço do aço no curto prazo, fato que deve impedir uma melhora na rentabilidade das companhias. Em 2011, a bobina a quente (HRC, na sigla em inglês) registrou apenas um movimento de alta no ano, logo no início do primeiro trimestre. De lá para cá, o aço plano não conseguiu se desvencilhar da tendência de queda.

De acordo com dados da consultoria The Steel Index (TSI), o preço mais alto da tonelada de aço ocorreu no início de 2011, em 14 de março, quando os preços marcaram US$ 890 a tonelada negociada nos Estados Unidos. O mais baixo, por sua vez, foi registrado em 7 de novembro, quando a tonelada bateu US$ 623. Por conta da concorrência com o material estrangeiro, a dinâmica de formação de preços no mercado interno mudou. Ou seja: uma alta será permitida apenas se o mesmo ocorrer externamente.

No entanto, cabe lembrar que o preço médio do produto em 2011 foi bem mais elevado do que aquele que vinha sendo registrado nos dois anos anteriores. No entanto, esse aumento não foi suficiente para cobrir a forte alta dos preços das principais matérias-primas utilizadas pela siderurgia: o minério de ferro e o carvão. Para efeito de comparação, por exemplo, o preço médio do minério negociado pela Vale no terceiro trimestre de 2011 foi de US$ 151,23, enquanto a média no quarto trimestre de 2010 foi de US$ 121,34.

Essa dificuldade de recomposição de margens não é de hoje. Os fabricantes de aço estão sofrendo para conseguirem alcançar um patamar mais elevado de preços desde a crise financeira mundial de 2008. Em junho daquele ano, por exemplo, o preço da tonelada de bobina a quente chegou, na sua máxima, em US$ 1,085 mil. De lá para cá, as siderúrgicas lançaram descontos aos clientes com o objetivo de manter o market share e não reduzir volumes.

Marco Saravalle, analista da Coinvalores, frisa que não há espaço para aumento do preço do aço, ainda mais em um momento que a importação indireta do produto - que inclui autopeças, veículos e produtos da linha branca, por exemplo - ainda preocupa. "Não tem nenhum catalisador que poderá trazer uma grande mudança e atratividade ao setor. A margem vai melhorar gradativamente, mas nada que anime", disse o especialista.

Agora, a nova realidade para o setor impõe estratégias para verticalizar a produção e para agregar valor aos produtos finais. Essa tem sido vista como uma das saídas para a sobrevivência das companhias para o médio e longo prazos. "A melhor saída é a verticalização para reduzir o efeito do custo elevado da matéria-prima e também manter o foco no mercado interno", disse Victor Penna, analista do BB Investimentos. Uma mudança no mix de vendas das companhias, como uma maior parcela das vendas destinadas ao Brasil, já vem sendo um dos caminhos percorridos pelas empresas, já que a venda externa de aço deixou a ser rentável para as companhias.

"Em 2012, as companhias devem manter-se sob pressão. As exportações para Estados Unidos e Europa devem arrefecer e os preços em queda lá fora acabam influenciando aqui", afirmou o analista do BB. Além desses pontos, outro fator preponderante para o desempenho das siderúrgicas é a taxa de câmbio em 2012, que ainda é vista como incerta. "Uma valorização do real irá aumentar a concorrência com o aço importado e pressionar ainda mais as companhias", disse o especialista.

Fonte:

InfoMet/ Agência do Estado
Publicação: 04/01/2012

 

 

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