
No terreno de 22 alqueires, na Serra da Mantiqueira, apenas uma área de 65mil m2 não é coberta pela exuberante mata virgem, de proteção permanente.
Nessa área de topografia bastante acidentada, onde afloram grandes pedras cercadas de araucárias, escolheu-se um pequeno vale protegido dos ventos e próximo à mata.
Esse lugar é o encontro dos trajetos naturais do pedestre: é o local para onde se dirige aquele que chega ao terreno, é por ali que se acessa a trilha que adentra a mata e por onde se acessa o topo do morro que descortina uma impressionante vista.
Segundo Fernando Forte, do escritório Forte, Gimenes & Marcondes Ferras Arquitetura, responsável pela arquitetura da casa, três questões nortearam a
concepção do projeto: a demanda por uma residência térrea, a vontade de se estabelecer relação direta com o terreno e a natureza, e ainda a necessidade de se observar a privacidade entre os membros da família, embora o programa principal da residência devesse estar em uma única construção.
Outro fator considerado foi a grande umidade da região, que sugeria uma casa elevada do solo.
Uma grelha estrutural é suspensa sobre esse núcleo de acessos, conectando os caminhos existentes e criando novos. Assim, a estrutura-ponte é atravessada de três formas: por cima (pelo teto-jardim que é uma continuidade do terreno), por baixo (através de um jardim com espelho d’água e pedras naturais) e pelo meio da casa (através de uma circulação externa coberta).
Uma grelha estrutural é suspensa sobre esse núcleo de acessos, conectando os caminhos existentes e criando novos.
Assim, a estrutura-ponte é atravessada de
três formas: por cima (pelo teto-jardim que é uma continuidade do terreno), por baixo (através de um jardim com espelho d’água e pedras naturais) e pelo meio da casa (através de uma circulação externa coberta).
O programa contido na grelha é composto de um núcleo com áreas de serviço, sociais, quarto de hóspedes e apartamento do proprietário, além de três módulos isolados, com dois quartos cada, para os filhos. Entre os quais, módulos vazios exaltam a continuidade estrutural e valorizam os vãos por onde o jardim se faz presente.
Esse jogo de cheios e vazios permite a organização fragmentada do programa, de forma a resguardar a privacidade dos usuários e ao mesmo tempo permitir a compreensão do conjunto como unidade coesa.
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Suspensa sobre o vale e fundida nos morros, a casa se transforma em terreno e o terreno em casa, construindo uma nova paisagem. A grelha está apoiada em pilares de concreto e está engastada no morro em duas laterais, quase como se brotasse do solo. Para evitar um número excessivo de pilares nos 2000m2 de projeção da estrutura, e para se conseguir um visual mais amplo e aberto no jardim inferior, ensaiou-se a utilização de grandes vigas vagão a cada dois módulos, executadas em aço corten e com 11m de comprimento cada. Essas vigas, juntamente com o paisagismo, formam um conjunto importante na obra. Suspensa sobre o vale e fundida nos morros, a casa se transforma em terreno e o terreno em casa, construindo uma nova paisagem. A grelha está apoiada em pilares de concreto e está engastada no morro em duas laterais, quase como se brotasse do solo. Para evitar um número excessivo de pilares nos 2000m2 de projeção da estrutura, e para se conseguir um visual mais amplo e aberto no jardim inferior, ensaiou-se a utilização de grandes vigas vagão a cada dois módulos, executadas em aço corten e com 11m de comprimento cada. Essas vigas, juntamente com o paisagismo, formam um conjunto importante na obra.(clique nas imagens para ampliá-las)
Sobre o morro mais alto, de onde se tem a vista mais generosa, foi projetado o pavilhão de lazer, dividido em dois blocos com a mesma modulação da residência principal. O pavilhão se apóia em vigas metálicas de aço corten na forma de asa, que permitem balanços de 100% do vão, nas bordas do morro. Entre os dois blocos de lazer, um pátio convida os moradores a atividades externas.Foram definidas três escalas de intervenção paisagística. A proposta é reconstituir as margens da mata e criar uma transição entre o campo aberto e a floresta fechada, por meio da utilização de espécies vegetais nativas e compatíveis com a região. Ao mesmo tempo, no restante da área descampada, cria-se uma ocupação de parque, com percursos e descansos nos principais pontos de interesse visual. Por último, nos locais próximos às construções, acontece um jardim de pré-arquitetura. Na cobertura, existe um espelho d’água linear que evita o uso de guarda corpo e se relaciona com o grande espelho d’água, localizado no jardim inferior, ao redor da maior pedra existente no local.
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A casa é organizada em uma grelha estrutural com módulos de 5,5 m x 5,5 m. Esta grelha se apóia em pilares de concreto e fica inteiramente solta do terreno, o que possibilita a construção de uma casa térrea, num terreno bastante acidentado. Como a casa está implantada num vale, é possível passar por baixo da enorme estrutura. Para se evitar uma grande quantidade de pilares sob a casa, vigas-vagão de aço, com 11 metros de comprimento, foram instaladas, diminuindo o número de pilares que chegam ao terreno para pouco mais da metade. Com um pino central, três cabos tencionados e formato triangular, esta viga funciona de forma semelhante à de uma tesoura de telhado invertida. O pino recebe a carga do pilar imediatamente acima e os cabos a transferem para as pontas desta viga, de onde a carga é passada para os pilares que chegam até o solo.
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Devido à dificuldade de acesso à obra, estas vigas foram transportadas em duas metades e montadas no próprio canteiro. Os perfis têm 40 cm de altura e 20 cm de largura, executados em aço patinado SAC-40. A espessura das hastes circulares varia em função da carga à qual cada viga está submetida.O projeto conta ainda com outros materiais estruturais, como o concreto, a pedra e a madeira. Além de ser um elemento protagonista da estrutura, como por exemplo, nas vigas-vagão, o aço atua em vários outros casos como elemento de ligação entre diversos materiais. O apoio da grelha estrutural nos pilares de concreto é feito por meio de peças metálicas – os capitéis – que tornam possível a união de peças de concreto, madeira e do próprio aço, além de passar a impressão de que a estrutura está flutuando. Todas as junções de peças de madeira são também realizadas com peças metálicas.
Seja em elementos estruturais principais, seja na forma de diversas peças de ligação entre componentes da estrutura, o aço foi largamente utilizado nesta obra. 68 toneladas do material foram aplicados nessa residência, mostrando a facilidade e as vantagens do aço numa construção tão complexa e com tantos materiais distintos.
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A estrutura em formato de asa delta permite um balanço de 100% nas extremidades dos pavilhões de lazer, conferindo para o usuário a sensação de estar “voando” em um espaço totalmente envidraçado, com uma fantástica vista das montanhas. Com estes balanços de 5,5 metros, a estrutura funciona como uma gangorra em que a fundação sofre, ora forte compressão, ora enorme tração, esforços solucionados com o uso de fundações profundas do tipo tubulão.
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Localização: Serra da Mantiqueira, SP
Projeto/Construção: 2005/2007
Área do terreno/construída: 22 alqueires / 2.000m² (Residência) + 300m² (Pavilhão de Lazer)
Arquitetura: Forte, Gimenes & Marcondes Ferras Arquitetura S/C Ltda
Estrutura: Yopanan Rebello
Paisagismo: CAP Paisagismo – Sidney Linhares e Fernando Chacel
Iluminação: Studio IX – Guinter Parschalk
Construtora: Tecnocasa Construções Ltda
Estrutura Metálica: MCG Estruturas