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Chapéu metálico sobre a rodoviária

Nova referência arquitetônica no Setor de Múltiplas Atividades Sul da capital federal, o terminal rodoviário interestadual tem personalidade definida pela grande cobertura metálica de forma paraboloide hiperbólica, que protege quase 20 mil metros quadrados de área. Domos funcionam como lumiarias e promovem iluminação natural interna, mas sem permitir a incidência direta do sol. A eficiência energética da envoltória garantiu ao equipamento classificação A do selo Procel.

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O projeto do novo Terminal Rodoviário Interestadual de Brasília começou a ser traçado em 2008, quando o governo do Distrito Federal abriu licitação para a escolha da proposta básica de uma nova rodavia para a cidade. O trabalho vencedor foi apresentado pelo Reis Arquitetura, mais tarde também contratado para detalhá-lo para o Consorcio Novo Terminal, ganhador da concorrência de concessão do equipamento.

A nova rodoviária tem localização estratégica, no Setor de Múltiplas Atividades Sul, a poucos minutos do aeroporto e na mesma via da antiga estação rodoferroviária, o que evitou alterações de trafego. Ela também é beneficiada por situar-se nas imediações da estação Shopping do metre, que logo devera ser integrada ao sistema BRT (Bus Rapid Transit). "Hoje existe uma passagem provisória ligando a rodoviária ao metrô. Somente após o avanço das obras do sistema de ônibus articulado é que a passarela definitiva será construída", antecipa o arquiteto Luis Antônio Almeida Reis, um dos autores da proposta.

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O partido do projeto é a grande cobertura de formato paraboloide hiperbólico, com lados de 112,5 metros. Montada totalmente com peças retas para facilitar a execução, ela forma um quadrado de dupla curvatura na diagonal e estabelece pés-direitos variados em suas áreas internas - a altura chega a sete metros no grande saguão central e a 13 nos pontos mais elevados. "Em uma região de clima quente e seco, como Brasília, ter sombra ventilada é fundamental para garantir o conforto térmico", diz Reis.

Metálica, a cobertura termoacústica é composta por vigas treliçadas e terças que sustentam telhas metálicas em sistema sanduiche, com camada interna de 63,5 milímetros de feltro de lã de vidro aglomerado com resina sintética. Ela é recortada em pontos estratégicos por 30 domos de acrílico leitoso, que medem 1,2 x 1,2 metro e são dotados de lentes duplas prismáticas, cujas finalidades são levar luz natural ao saguão central, sem permitir a incidência direta do sol na área interna, e contribuir para a redução da necessidade de iluminação artificial. Toda a água captada pela cobertura é dirigida a um reservatório com capacidade para 2 milhões de litros e usada em serviços de limpeza e na irrigação do jardim de 50 mil metros quadrados, onde foram preservadas as arvores existentes e replantadas espécies nativas do cerrado.

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Sob a grande cobertura desenvolvesse o terminal, planejado para receber em media 3,5 mil passageiros diariamente e picos de até 10 mil usuários por dia. Ele é dividido em quatro setores: terminal de passageiros; embarque e desembarque, valorizados por espelho d'agua em área coberta sem vedações; áreas técnicas e infraestrutura predial em edificação semienterrada; e o terminal de cargas, com acesso independente. "Como nos aeroportos, somente os passageiros têm acesso ao embarque e ao desembarque. Quem precisar enviar ou receber uma encomenda segue diretamente para o terminal de cargas", explica Reis. Uma rede de galerias de 2,5 x 2,5 metros percorre os subterrâneos do terminal para distribuir as instalações e permitir obras de manutenção ou ampliação dos sistemas sem a necessidade de interromper o a operação.

chapeu-metalico-04Os quatro pilares centrais ultrapassam o limite da construção, e de suas extremidades descem os tirantes que respondem pela sustentação da parte central da cobertura, permitindo a criação do vão de 50 metros onde fica a praça principal do terminal. E nesse vão que estão a área de espera para passageiros e os pontos de comércio. Um painel de 50 metros de extensão e quatro de altura e o elemento impactante nesse espaço. Ele é ilustrado com foto de Celso Jr., que mostra uma vista inteira da capital federal, do norte para o sul. A imagem esta impressa em vinil tensionado preso a uma estrutura metálica fixada na parede curva de alvenaria que separa o setor de passageiros dos guichês.

Internamente, as construções têm estrutura de concreto armado e vedações com blocos de concreto vazado nas paredes externas. Sanitários, administração e a parte interna das bilheterias apresentam apenas um pavimento, com a parte superior da laje a 3,45 metros do piso. Já as bilheterias da face oeste têm dois pisos, o segundo destinado a áreas técnicas. A parede convexa externa, voltada para o oeste, e feita com blocos de concreto protegidos por painéis de alumínio com posto (ACM) e brises de chapa perfurada. No lado leste, o fechamento é feito com esquadria de alumínio curva, com cinco metros de altura, e vidros laminados.

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Os painéis de ACM reaparecem nos acabamentos do saguão central, na cor branca, e em outras paredes externas, na cor cinza.

A envoltória do edifício foi avaliada pelo laboratório Lacam, da FAU/UnB, e recebeu selo de eficiência energética Procel na classificação A. (N. C.)

Ficha técnica

Terminal Rodoviário Interestadual
Local: Brasília, DF
Data do início do projeto: 2008
Data da conclusão da obra: 2010
Área do terreno: 90.200 m²
Área construída: 19.800 m²
Arquitetura, interiores e paisagismo: Reis Arquitetura – Luis Antônio Almeida Reis (autor e coordenador geral); Maria Eduarda Vasconcelos de Almeida, Allan Arnaldo de Araújo e Luiz Otavio Alves Rodrigues (coautores)
Estrutura metálica: Ferenge
Construção: Consórcio Novo Terminal - JC Gontijo Engenharia e Construtora Artec
Fornecedores: Emtec (estrutura metálica); Isoeste (fornecimento e montagem da cobertura);

Fonte:

CBCA

     

    Preço
    R$ 521,90
    à vista

    ou em até 10x de R$ 52,19

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