China ataca posição dominante das mineradoras e defende siderurgia

Representantes da siderurgia chinesa defenderam seu papel na condução das negociações com as mineradoras globais sobre os preços do minério de ferro, atacando a "natureza monopolista" das fornecedoras de minério e culpando a mídia local por "concentrar a atenção do país nas negociações de preços". No ano passado, as negociações entre as siderúrgicas da China e as grandes mineradoras globais - Vale, BHP Billiton e Rio Tinto - fracassaram, por causa da insistência dos chineses num corte mais acentuado de preços do que o que foi acordado com outras siderúrgicas asiáticas.

Embora tenha se recusado a divulgar detalhes do progresso das negociações neste ano, o vice-presidente da Associação de Ferro e Aço da China (Cisa, na sigla em inglês), Luo Bingsheng, disse que seu país estava certo em pedir um desconto maior. "Vocês todos parecem ter se esquecido de um dado importante", disse Luo nos intervalos de uma conferência da Cisa. "Em 2009, o gasto das siderúrgicas chinesas com importações de minério de ferro diminuiu 34% ou mais ante 2008."

Luo recusou-se a explicar o que quis dizer, mas sua afirmação parece sugerir que as siderúrgicas chinesas acabaram ficando em posição melhor sem um acordo para o preço de referência.

Esse cálculo rápido, no entanto, não leva em conta outros fatores, como o fato de que a comparação é entre dois períodos de tempo diferentes - a vigência do acordo benchmark, que vai de 1 de abril a 31 de março, e o ano calendário que Luo usou. Além disso, os preços no mercado à vista no ano passado foram derrubados pela recessão global.

Monopólio

Luo centrou fogo na "natureza monopolista" das três mineradoras. "Todos deveriam conseguir enxergar isso", disse Luo. "A união de duas delas (BHP e Rio Tinto) daria mais força para esse monopólio". A BHP e a Rio Tinto estão trabalhando num plano para combinar suas operações de minério de ferro na região de Pilbara, na Austrália Ocidental, algo que a China teme que daria às produtoras mais poder de influência na determinação de preços.

Mas Luo reconheceu que as importações de minério de ferro "excessivas" da China são parcialmente responsáveis pelo que chamou de "comércio caótico". As importações da commodity pela China superaram a demanda local em 86 milhões de toneladas em 2009, segundo ele. Isso provoca pressão e congestionamento nos portos, além de aumento de estoques nas siderúrgicas e eleva os custos de embarque, que são repassados para os preços do minério.

Luo defendeu o controle das importações, já que as compras excessivas afetam as negociações de preços. A moderação dos níveis de importação por meio do controle de licenças é uma meta declarada do governo chinês. Luo defendeu também a unificação do preço de importação de minério, o que poderia eliminar parte da volatilidade das cotações à vista.

O presidente honorário da Cisa, Wu Xichun, foi além, afirmando que as mineradoras estão pressionando a China para que permita que o minério de ferro entre no país com dois preços: uma taxa spot flutuante e uma cotação fixa de referência para as compras mais volumosas.

Tanto Luo quanto Wu recusaram-se a comentar a situação atual das negociações de preço. "Não há por que fazer disso uma questão de atenção nacional", disse Wu. "Não vamos comentar as negociações enquanto elas estão em curso." À pergunta sobre quando as conversas serão concluídas, Luo disse apenas que elas se tratam de um problema comercial e que os negociadores estão presos a regras de confidencialidade. "Eu gostaria que as negociações terminassem amanhã", disse ele. As informações são da Dow Jones.

Fonte:

Infomet / Agência Estado
Publicação: 10/02/2010

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