O vidro tem-se mostrado um dos mais versáteis materiais explorados em projetos arquitetônicos. Presente em fachadas, escadas, tetos, paredes, divisórias e guarda-corpos, contribui para valorizar vistas, tem forte influência na estética e no bemestar dos ambientes e, sobretudo, permite amplo aproveitamento da luz natural. Recurso cada vez mais usado por arquitetos do mundo todo, as coberturas e claraboias de vidro exercem essa importante função nos mais variados projetos, de pequenas residências a construções de grande porte.
E, quanto mais o mercado se mostra receptivo, mais os fabricantes investem em pesquisa e tecnologia na busca de novas soluções. “Os sistemas mais tradicionais estão em constante evolução para se adaptar à demanda ditada por projetos arrojados, com planos de vidros cada vez maiores e vidros especiais”, afirma a arquiteta Heloisa Mathias, da Hedron, empresa especializada com sede em Curitiba. O resultado são projetos de grande arrojo construtivo, com vidros que aliam estética a aspectos técnicos que garantem segurança e conforto térmico, acústico e visual.
Embora permita a utilização do vidro temperado, a recomendação básica da ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas - exige que os vidros utilizados em grandes áreas de cobertura sejam laminados. Segundo explica Remy Dufrayer, gerente para produtos de Construção Civil da Pilkington, a união de duas ou mais chpas de vidro por uma película plástica – estrutura básica do vidro laminado – torna-o mais resistente a impactos e mantém os cacos unidos em caso de quebra.
“O diferencial reside no tipo de película aplicada, que vai determinar não somente a cor, mas sobretudo aspectos como refletividade, controle solar e acústico, controle de luz, filtra-gem de raios ultravioleta etc.”, afirma.
Os vidros que possibilitam máxima luminosidade são os incolores ou extra claros, em que o percentual da transmitância de luz pode chegar a 92%. Ou seja, 92% de toda a luz incidente atravessa o vidro e ilumina o ambiente. Quanto às estruturas, os materiais mais utilizados são a madeira, o ferro e o alumínio, sendo este o mais comum. “Um importante fator a ser observado é que a estrutura deve ser dimensionada para absorver o peso do vidro mais as cargas que atuarão sobre ele, sem permitir que a chapa se quebre”, explica Remy.
O gerente ressalta que os vidros laminados de controle solar são fundamentais para o bom desempenho energético, porque são capazes de reduzir a temperatura interior e, ao mesmo tempo, deixam que a luz natural entre no ambiente. “Um vidro incolor convencional, por exemplo, favorece muito o aproveitamento da luminosidade natural. Contudo, também permite grande passagem de energia, em especial dos raios infravermelhos, o que resulta em aquecimento interno.”
Para garantir o máximo da luz com o mínimo de aquecimento, a principal tendência atual do mercado atual é optar pelos chamados vidros seletivos, que oferecem controle solar e, consequentemente controle térmico e da luminosidade. “Esse tipo de vidro permite a passagem da luz, mas barra a entrada de raios infravermelhos em diferentes intensidades”, ressalta.
A cor do vidro é um detalhe que interfere diretamente no seu desempenho. “Todos esses pormenores deve ser determinados antes da instalação dos caixilhos, porque depois não tem como consertar. A especificação correta leva em conta muitas variáveis. Se a escolha não é feita segundo critérios técnicos, o desempenho fica comprometido e pode ficar caro corrigir erros depois que o vidro já foi instalado”, adverte Remy.
Muito comuns tanto em projetos residenciais como comerciais, as coberturas de policarbonato têm como principal ponto positivo o custo reduzido. Mas, segundo Remy, a opção pelo vidro oferece uma gama de vantagens muito maior. Além de mais resistente e durável, o vidro propicia meios de reduzir o ruído o calor. “O vidro é mais fácil de limpar e possibilita maior espaçamento entre perfis estruturais, por ser um material rígido e não flexível. O resultado é uma cobertura com aspecto mais clean”, afirma.
Os vidros curvos, bastante explorados em projetos de cobertura, também apresentam durabilidade muito superior à dos policarbonatos, que, quando submetidos a curvatura, sofrem tensões que levam à deterioração do material em pouco tempo.
Na avaliação da arquiteta Heloisa Mathias, a principal vantagem da cobertura de vidro é sua vida útil praticamente ilimitada.
“O vidro mantém sua integridade física e transparência mesmo após anos de uso e de exposição às mais variadas condições climáticas e a produtos químicos e limpeza. Além disso, seu aspecto estético é nobre e sua versatilidade permite aplicação sob medida para cada situação”, ressalta.
Além da versatilidade do vidro, a evolução tecnológica de coberturas e clarabóias é diretamente ligada à criação de novos perfis para acomodação, estruturação e vedação. Mais avançada tecnologia do segmento, as coberturas retráteis automatizadas possibilitam a abertura de metade ou 2/3 do vão. “A abertura é total, sem perfis, ou seja, sem interferência visual, com acionamento manual ou automatizado.
“Nós fazemos coberturas apenas em vidro temperado, com a possível aplicação de películas de segurança ou de proteção térmica ou anti- UV”, informa Heloisa.
Os vidros agregam tecnologia para atender às mais variadas situações; os vidros Low-e (baixo-emissivos), possibilitam alta transmissão luminosa com controle de temperatura. Podem ser laminados ou aplicados em composições duplas, agregando, além de todas as características foto-energéticas, maior atenuação acústica.
Uma opção para uso em coberturas é o vidro autolimpante Bioclean, da Cebrace.
“A camada autolimpante é integrada ao próprio vidro e por isso tem longa durabilidade, não se desgastando ao longo do tempo”, ressalta Heloisa.
O produto dispensa a limpeza constante e o uso de detergentes, garantindo uma visão nítida em todas as situações, mesmo em dias de chuva, e pode vir na forma de vidro comum, temperado, laminado, curvo, serigrafado e duplo.
A evolução dos vidros inclui os duplos insulados com persiana interna e o aperfeiçoamento dos sistemas construtivos e de caixilharia específicos para coberturas, que possibilitam soluções técnicas adequadas às mais variadas formas geométricas. “É crescente o uso de sistemas estruturais com vidro temperado e laminado com ferragens pontuais, estruturação com pilares ou vigas de vidro e sistemas tensionados com cabos de aço”, completa a arquiteta.
Revista Vidro Impresso - Edição Outubro/2010