O mercado da construção civil fecha o ano de 2009 comemorando a superação definitiva da crise e o amadurecimento do mercado. Vários indicadores sustentam o otimismo. O mais expressivo, com certeza, diz respeito às expectativas de crescimento de 8,8% para 2010, segundo pesquisa realizada pela FGV-SP (Fundação Getúlio Vargas) e pelo SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), mas também aos próprios resultados de crescimento registrados em 2009. Somente em outubro, o setor registrou um número recorde de empregados, com 2,327 milhões de trabalhadores com carteira assinada, segundo pesquisa do SindusCon-SP e da FGV-SP (Fundação Getúlio Vargas). Naquele mesmo mês, o setor contratou mais 30,6 mil trabalhadores (crescimento de 1,34% sobre setembro). Só no Estado de São Paulo, foram contratados no mês 4,6 mil trabalhadores (+0,71%). Com esses resultados, o setor atingiu nos dez primeiros meses do ano a marca de 242,6 mil admissões (aumento de 11,64% no acumulado do ano) no País. O presidente do SindusCon-SP, Sérgio Watanabe, conversou com o Portal Obra24horas sobre as expectativas do setor para o próximo ano. Confira a nossa entrevista!
Sérgio Watanabe: O Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil brasileira deverá crescer 1% em 2009 e 8,8% em 2010. O crescimento será comandado pela ampliação dos investimentos públicos e privados, o que nos faz esperar uma taxa de investimentos em torno de 20% do PIB: as inversões crescerão de R$ 476 bilhões para R$ 625 bilhões. Os setores que mais receberão investimentos serão imobiliários residencial e o energético. Os investimentos imobiliários deverão passar de R$170 bilhões em 2009 para R$ 202 bilhões em 2010. O impacto disso tudo deverá ser refletido no nível de emprego da construção civil. A expectativa é de que os postos de trabalho com carteira assinada no setor cresçam 8% no próximo ano, o que significa dizer que chegaremos a cerca de 2,4 milhões de empregos formais em 2010.
Sérgio Watanabe: O ano de 2008 foi um absoluto sucesso. Crescemos quase dois dígitos comparado a 2007. Comparar 2009, quando foi deflagrada a crise internacional, com 2008 seria uma maldade. No entanto, estamos, retomando o ritmo após a freada. Os últimos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) demonstram que um quarto de todas as contratações feitas no País, este ano, aconteceu na construção civil. Esse é o maior sinal do crescimento e otimismo para nosso setor.
Sérgio Watanabe: No fim de 2008, a perspectiva era de que haveria expansão de 3,5% a 4,7% este ano, projeção que foi depois reduzida para o piso de 3,5%. Em setembro, a indicação era de que a cadeia cresceria de 2,5% a 3,5% em 2009. Até o nono mês do ano, houve queda real de 7% nas vendas do comércio de materiais de construção e de 9,7% no faturamento da indústria, o que nos obrigou a refazer os cálculos.
Sérgio Watanabe: A cada dois anos convivemos com as sazonalidades dos anos eleitorais. É claro que isso gera uma expectativa de expansão das obras de infraestrutura, com mais investimentos públicos, em função das eleições de 2010. Mas o setor privado também está voltando a investir no aumento da capacidade produtiva, inclusive com ampliação das unidades industriais.
Sérgio Watanabe: O déficit habitacional é calculado pela soma das moradias inadequadas (habitações em favelas e cortiços, domicílios improvisados e rústicos) com apenas aquelas em que existe coabitação involuntária (moradias em que convivem famílias onde uma delas manifestou o desejo de se mudar). Antes, toda moradia onde havia coabitação era considerada parte do déficit, mesmo aquela onde não havia desejo de mudança, porque o número de quantos coabitavam involuntariamente não era conhecido. Ao excluir da contagem a parcela da coabitação voluntária, esta mudança metodológica reduziu a estimativa do déficit habitacional.
A diminuição do número de famílias em coabitação deve-se a vários fatores. Desde 2006, a quantidade de novas residências vem superando o número de novas famílias. Em 2008, para 1,434 milhão de novas famílias, foram construídas 1,778 milhão de novas habitações. Adicionalmente, a maior oferta de crédito, a queda dos juros habitacionais, as melhores condições de amortização dos financiamentos imobiliários e o aumento da renda contribuíram para a redução da coabitação, sobretudo no segmento de 4 salários mínimos para cima.
Já o aumento das moradias inadequadas se deve basicamente ao fato de as favelas não terem se reduzido. São 2,1 milhões de moradias que se situam em favelas. De 2005 a 2008, aumentou em 110 mil o número de domicílios em favelas. O programa habitacional Minha Casa Minha Vida, que contempla subsídios para as faixas de renda mais baixas, só começou em 2009 e deverá entregar as primeiras unidades em 2010.