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Ponte de Millau: O Arranha-Céu Estaiado - Resultado, números e imagens

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Resultado

No total, o viaduto de Millau pesa 242 mil toneladas, uma marca considerada leve. Segundo o engenheiro e Prof. Dr. da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Valdir Pignatta e Silva, essa leveza da obra é um mérito do aço: "a estrutura metálica é leve, esbelta", considera. Ainda sobre a leveza da obra, outro especialista em aço, o Prof. Dr. Siegbert Zanettini, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, explica: "essa leveza ajuda no desempenho. Lá é uma região que tem uma grande variação de temperatura, e a ponte absorve essa variação. O aço é o melhor para receber esforços de torção, flexão e tração."

viaduto-millau-12-pA obra é inteira trabalhada com concreto e aço, sendo o primeiro predominante na parte inferior, do tabuleiro para baixo, e o segundo na parte superior, incluindo o tabuleiro, feito de aço. "É uma combinação perfeita", garante o engenheiro da Poli: "o concreto é bastante robusto, o que facilita na altura; o aço resiste bem à flexão. Os dois materiais são intercambiáveis, é uma opção econômica". O engenheiro explica que, apesar de o concreto ser mais barato, o aço diminui o tempo de obra. "É um material que se trabalha com mais rapidez, e economizar tempo em uma obra influi diretamente no retorno financeiro do empreendimento", justifica.

Mas mais que uma questão de escolha econômica, para o arquiteto Zanettini a construção é um conjunto de pensamento e ação, e de ciência e arte: "é uma obra com conhecimento sensível, com vários aspectos dignos de nota, como, por exemplo, a sutileza e delicadeza. A ponte não interfere na paisagem, é praticamente uma renda passando pelo vale; faz uma silhueta no horizonte, é transparente, uma obra de arte!", elogia.

O menor impacto na paisagem deve-se também às estruturas em forma de A, que afinam a silhueta da ponte. Com o objetivo de compensar a expansão e contração das pilastras, cada uma destas é dividida em dois pilares mais finos e flexíveis debaixo da pista.

feixe-de-cabos-de-ao-pInvestimento

Para a construção dessa "obra de arte" foram gastos mais de 478 milhões de dólares, quantia financiada pela construtora Eiffage. Em troca, a empresa obteve a concessão de recolher pedágio, localizado a 6 km norte, por 75 anos. Entretanto, se o negócio for muito rentável, o governo francês pode assumir a administração em 40 anos após a construção da obra, em 2044, conforme determina o contrato.

Além dos valores monetários, a obra consumiu 200 mil toneladas de concreto, 19 mil toneladas métricas de aço para a estrutura e mais 5 mil toneladas métricas de aço pré-estirado para o estaiamento. Tanto foi o material consumido, que a equipe construiu uma fábrica de concreto na própria localidade da obra. A construção contou com cerca de 3000 trabalhadores e tem vida útil estimada em 120 anos.

Confira o vídeo de finalização da obra:

 

No mundo

Antes de Millau ser construído, a maior obra do gênero era o Europabrücke, na Áustria. A construção francesa, por sua vez, superou duas vezes a austríaca em altura. Millau só não é maior que a Ponte Royal Gorge, no Colorado (EUA), que tem uma plataforma com 321 metros acima do Rio Arkansas. A diferença, no entanto, é que a obra americana suporta apenas o trânsito de pedestres, enquanto Millau oferece duas pistas em cada sentido para o tráfego rodoviário.

No Brasilponte-estaiada-2-sp-p

Comparar o viaduto de Millau com alguma obra brasileira é difícil. Ambos especialistas entrevistados sugerem como lembrança a Ponte Estaiada Octavio Frias de Oliveira, na zona sul da cidade de São Paulo. De acordo com o engenheiro Valdir Pignatta e Silva, é possível traçar alguma semelhança do tabuleiro para cima do Viaduto de Millau com a obra paulistana. Já a parte de baixo da ponte de Millau pode remeter aos viadutos da Imigrantes: "não são tão altos, mas bastante esbeltos", explica.

Zanettini, apesar de também sugerir a comparação com a Ponte Estaiada, acredita que a qualidade das obras brasileira está bem longe do nível da construção francesa. "Nossas pontes são muito ruins arquitetonicamente falando". Para o arquiteto, falta para o Brasil aliar a ciência à arte. Para ambos profissionais, falta investir em obras com material metálico: "o aço é maravilhoso para uma terra que é o centro do ferro no mundo", defende o arquiteto.

Conheça detalhes da construção da Ponte Estaiada Octavio Frias de Oliveira em São Paulo/SP: www.metalica.com.br/ponte-estaiada-octavio-frias-de-oliveira.

Números da obra

Altura: 343 metros
Extensão: 2469 metros
Pilares: 7
Pilar mais alto: 246 metros
Pilar mais baixo: 77 metros
Peso da pista: 36 mil toneladas
Peso total: 242 mil toneladas
Total de aço: 24 mil toneladas
Total de concreto: 200 mil toneladas
Trabalhadores: 3 mil
Investimento: $ 478 milhões
Início da construção: outubro de 2001
Inauguração: 14 de dezembro de 2004
Tempo de construção: 38 meses
Vida útil: 120 anos

Clique nas imagens para ampliá-las.

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Ficha Técnica

Início da Construção: 2001
Conclusão: 2004
Projeto: Norman Foster e Michel Virlogeux
Construção: Eiffage
Fornecedor de Aço: Arcellor Mittal
Fonte: Portal Met@lica
Fotos: Constructalia, Engenharia Civil Wordpress e divulgação.

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