De um modo geral, as patologias não tem sua origem concentrada em fatores isolados, mas sofrem influência de um conjunto de variáveis, que podem ser classificadas de acordo com o processo patológico, com os sintomas, com a causa que gerou o problema ou ainda a etapa do processo produtivo em que ocorrem.
As manifestações patologias são também responsáveis por uma parcela importante da manutenção, de modo que grande parte das intervenções de manutenção nas edificações poderia ser evitada se houvesse um melhor detalhamento do projeto e escolha apropriada dos materiais e componentes da construção.
O objetivo deste trabalho é apresentar os principais cuidados e estratégia dentro do processo construtivo visando à diminuição de futuras atividades de manutenção e o controle do aparecimento de problemas patológicos na edificação.
Palavras-chave: patologias em edificações, processo produtivo, manutenção predial.
O processo de construção pode ser divido em cinco etapas principais: o planejamento, projeto, materiais, execução e uso. A qualidade obtida em cada etapa tem sua devida importância no resultado final do produto, assim como na satisfação do usuário e principalmente no controle da incidência de manifestações patológicas na edificação na fase de uso.
Durante as etapas do processo de construção, vários sãos os fatores que interferem na qualidade final do produto, dentre eles pode-se citar: (I) no planejamento, a definição dos níveis de desempenho desejados; (II) no projeto, a programação de todas as etapas da obra, os desenhos, as especificações e as descrições das ações; (III) nos materiais, a qualidade e a conformidade com as especificações, (IV) na execução, a qualidade e a conformidade com as especificações, e (V) no uso o tipo de utilização previsto para o ambiente construído aliado ao programa de manutenção. (PICHHI e AGOPYAN, 1993; DÓREA e SILVA, 1999).
Para se obter a diminuição ou a eliminação dos problemas patológicos deve haver maior controle de qualidade nestas etapas do processo. A abordagem de manutenção deve, também ser feita de forma a contextualizá-la no processo de construção, procurando durante todas as etapas do processo situa-la como um dos fatores relevantes a ser considerado. Devem ser tomadas algumas medidas para assegurar, nas várias etapas do processo construtivo, o delineamento e a projeção de manutenção futura.
Devido aos altos índices de manifestações patológicas, que vêm ocorrendo nas edificações, busca-se cada vez mais, a garantia e o controle da qualidade em todo o processo construtivo. Desta forma, a qualidade final do produto depende da qualidade do processo, da interação entre as fases do processo produtivo e da intensa retroalimentação de informações, que proporcionam a melhoria contínua.
O mesmo tem ocorrido com a manutenção das edificações, onde vêm se atribuindo aos problemas identificados as limitações do projeto, inspeção inadequada, limitações de projeto, inspeção inadequada, limitações dos materiais e falta de qualidade na execução. (DUSTON e WILLIAMSON, 1999).
Dentro deste enfoque, têm-se nos itens 2.1 a 2.5 os principais cuidados e estratégia destro do processo construtivo visando a diminuição das atividades de manutenção e o controle do aparecimento de manifestações patológicas na edificação.
Alguns fatores como a deficiência no planejamento tático¹ e operacional², ausência de informações e dados técnicos e econômicos de novas alternativas construtivas, ausência de ferramentas de base de dados para controle e indefinição de critérios de controle (Indicadores de qualidade e produtividade) influenciam negativamente a qualidade do produto, além de aumentarem os índices de perdas de baixa utilização de novas alternativas construtivas. (INSTITUTO EUVALDO LODI-IEL-ES, 1999).
Para o desenvolvimento das alternativas construtivas, é necessário o estabelecimento de certos parâmetros. Entre eles pode-se citar a definição do uso, a tipologia da edificação e dos materiais a serem empregados; a identificação das faixas sócio-econômicas da população a ser atendida; levantamento dos recursos locais disponíveis (matéria-prima, mão-de-obra, entre outros) e levantamento do estágio de desenvolvimento da construção.
O planejamento define, também, as diretrizes de manutenção estratégica, sendo o custo da manutenção preventiva um fator importante a ser considerado.
Alvo de grande preocupação nos países desenvolvidos, o projeto é responsável por grande parte doa problemas patológicos na construção civil. No Brasil, a realidade dos projetos, de uma forma geral, é diferente, não sendo dada à mesma importância que em outros países. Em termos de custos, esta fase contabiliza em torno 3 a 10%do custo total do empreendimento (TAN e LU, 1995).
Devido à sua importância, um grande avanço na obtenção da melhoria de qualidade da construção pode ser alcançado partindo-se de uma melhor qualidade dos projetistas. É na fase de projeto que são tomadas as decisões de maior repercussão nos custos, velocidade e qualidade dos empreendimentos.
Da mesma forma, esta etapa tem grande influência e durabilidade³. Na especificação dos materiais e componentes, o projetista deve conhecer suas durabilidades, seja para avaliar se atenderão ao desempenho mínimo desejado, seja para comprar custos globais, que incluem custos de manutenção e operação, bem como a proteção da vida útil (DUSTON e WILLIAMSON, 1999).
Durante a fase de projeto, alguns fatores interferem na qualidade do produto final podendo-se citar a compatibilização de projetos. Portanto, é fundamental que os serviços de compatibilização de projetos e de seus detalhes construtivos não seja deixados para serem resolvidos durante a construção, o que acaba exigindo a adoção de soluções paliativas ou meramente reativas.
Além da compatibilização de projetos, os próprios detalhes executivos adquirirem importância, pois, através destes, a leitura e interpretação do projeto podem ser realizadas com clareza, sendo fundamental que cada projeto seja acompanhado de detalhes suficientes. A especificação de materiais, o conhecimento de normalização, a solução de interfaces projeto – obra, o projeto para a produção e a coordenação entre vários projetos também são considerados fatores importantes dentro deste contexto (FRANCO e AGOPYAN, 1993; PICHI E AGOPYAN, 1993; PRUDENCIO, 1995).
Sem a devida atenção a esses fatores, vários problemas podem vir a ser gerados, com, por exemplo, a baixa qualidade dos materiais específicos, a especificação de materiais incompatíveis, o detalhamento insuficiente ou equivocado, o detalhamento construtivo inexeqüível, a falta de padronização e o erro de dimensionamento, o comprometimento do desempenho e a qualidade global do ambiente construído.
É essencial que os projetos estejam voltados para a fase de execução, com identificação dos pontos críticos e proposição de soluções para garantir a qualidade da edificação. No elenco de recomendações pode-se citar a simplificação da execução, a adoção de procedimentos racionalizados e as especificações dos meios estratégicos, físicos e tecnológicos necessários para a execução (FRANCO e AGOPYAN, 1993; MACIEL e MELHADO, 1995).
Com relação à manutenção, o projeto também tem influência fundamental na vida útil e no próprio custo das etapas de manutenção e uso. Nele deve-se adotar uma estratégia que iniba a determinação prematura, diminuindo, com isso, os custos de manutenção. Assim, algumas, das decisões tomadas durante o projeto influenciarão a freqüência de manutenção ao longo da vida útil.
Muitos pontos importantes devem ser observados com relação à manutenção de edificações. Um ponto que por consenso assume um papel importante para o aumento da durabilidade é a impermeabilização, pois a presença de água pode vir a causar a deterioração dos materiais e componentes.
O projeto de impermeabilização está diretamente relacionado ao atendimento das exigências dos usuários no que se refere à estanqueidade, higiene, durabilidade e economia da edificação, sendo de forma direta ou indireta o responsável pela ocorrência de muito problemas patológicos (SOUZA e MELHADO, 1998).
O projeto também é a origem das falhas nos Sistemas Hidráulicos Prediais (SHP). Resultados de pesquisas apontaram a falta de compatibilização com projetos dos outros subsistemas como fator de desvalorização e de falhas dos projetos de SHP. Além disso, não existe retroalimentação sobre problemas que ocorrem após a ocupação da edificação (AMORIM, 1998).
Pode-se concluir que as medidas necessárias para garantir a vida útil são determinadas a partir da importância da edificação, das condições ambientais e, em muitos casos, da vida útil estimada para a edificação. Neste sentido, é parte integrante do projeto a indicação das medidas mínimas de inspeção e manutenção preventiva, que garantam a durabilidade de materiais e componentes da edificação e assegurem a vida útil projetada (MARTIN ENGINEERING, 1998).
São muito comuns problemas patológicos originados na falta de qualidade dos materiais e componentes, tais como a durabilidade menor que a especificada, a falta de rigor dimensional e a baixa resistência mecânica.
Fabricantes de materiais vêm de forma contínua melhorando e lançando novos materiais no mercado, porém, a escolha destes materiais pode se tornar complicada pela deficiência de informações técnicas para orientar e subsidiar a especificação aliada à ausência ou deficiência de normalização.
Com a crescente quantidade de novos materiais no mercado, nem sempre devidamente testados e em conformidade com os requisitos e critérios de desempenho, a probabilidade de patologias também é crescente. Além desses fatores, é importante avaliar as limitações e as exigências que serão impostas pelas intempéries, o comportamento do material sob condições semelhantes à que estará sujeito; experiências que atestem a durabilidade do material e componentes; a compatibilidade com os demais materiais em contato, bem como os custos de aplicação e de prováveis serviços de manutenção (ROCHA, 1997)
Desta forma, a escolha destes materiais e as técnicas de construção devem estar em concordância com o projeto a fim de atender às necessidades dos usuários e garantir a manutenção de suas propriedades e características iniciais, se perder de vista a edificação. É importante ressaltar que a escolha dos materiais não deve tomar por base apenas o preço, pois o baixo custo pode significar material de qualidade inferior. Além disso, esse fato se torna mais evidente devido à falta de especificação precisa dos materiais (MACIEL e MELHADO, 1995).
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A incorreta aplicação dos materiais e o mal entendimento de suas características têm sido as causas de muito problemas patológicos e de manutenção. Assim, no momento da seleção e da especificação dos materiais e componentes são necessárias informações técnicas e econômicas para que um determinado material responda de maneira aceitável a suas condições de serviço. Na seleção, conhecimento da função que o material irá desempenhar na edificação, assim como a natureza do meio ambiente a que este será inserido são de grande importância (PLUM, 1991a, PLUM 1991b; PLUM 1991c).
É, portanto essencial que a previsão de um sistema de controle de qualidade atuando nas faces de seleção, aquisição, recebimento e aplicação dos materiais. Assim, a comprovação da conformidade com base em critérios disponíveis constitui base de ações para a garantia da qualidade dos materiais empregados.
O conhecimento das propriedades dos materiais também é de grande importância dentro desse contexto, bem como a avaliação de suas características físicas e químicas. No que se refere às propriedades deve-se ressaltar a durabilidade, pois apesar da resistência e durabilidade serem consideradas as propriedades mais importantes dos materiais de construção, a necessidade de projetar e de construir, com durabilidade, não é considerada com a mesma ênfase e importância dada à resistência estrutural.
Além das propriedades, a compatibilidade entre os materiais é importante quando se objetiva a qualidade, pois o conhecimento técnico de cada material poderá minimizar ou impedir a deterioração (ROCHA, 1997a; ROCHA, 1997b).
Portanto é essencial o questionamento sobre quais materiais utilizar, se os materiais terão aderência, se um material poderá mudar as propriedades do outro; quais as especificações a serem seguidas; quais os equipamentos envolvidos; quais as condições de entrega e de exposição; onde armazena-los; a quantidade de material a ser utilizada; enfim questões que podem comprometer a qualidade do produto final e resultar em futuros problemas patológicos e de manutenção (PLUM, 1991a; PLUM, 1991b; PLUM, 1991c; SOUZA et al, 1995).