Revisando suas projeções para o setor siderúrgico nacional, a equipe da Itaú Corretora se mostrou bastante otimista com as perspectivas, elegendo a Usiminas (USIM5) como sua top pick do segmento. Segundo os analistas, investimentos do País em infraestrutura e a perspectiva de elevação nos preços internacionais do aço baseiam a análise.
Nos próximos seis anos, o Brasil deverá assistir um boom na demanda doméstica por aço, aponta a corretora, projetando um crescimento anual acima de 10% para o período. A Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016 - que, conforme as estimativas iniciais devem consumir US$ 60 bilhões em investimentos - são os dois principais motivos para essa recuperação na demanda.
Além da retomada do consumo de aço no País, a indústria nacional de siderurgia também deverá se beneficiar de um aumento nos preços internacionais do aço no curto prazo, por conta de um esperado aumento dos preços do minério de ferro. "Nós esperamos que as companhias siderúrgicas repassem o aumento das matérias primas para os preços de aço devido aos baixos níveis dos estoques internacionais, excluindo a China, e a forte demanda dos países emergentes", disseram os analistas.
"Estamos elevando a recomendação de Usiminas para outperform - desempenho acima da média do mercado - saindo de underperform - desempenho abaixo da média do mercado - com um preço-alvo de R$ 64 por ação". Vale lembrar que a meta anterior calculada para os papéis da companhia era de R$ 55.
Para a Itáu Corretora, apesar do seu otimismo com a siderúrgica fugir do consenso do mercado, que prega cautela com os resultados do quarto trimestre, suas projeções para a empresa oferecem riscos limitados. Para ela, os resultados da companhia dos últimos três meses do último ano irão surpreender o mercado, com a margem Ebitda (relação percentual entre a receita líquida e o Ebitda) alcançando a marca de 21%, um salto de 800 pontos-base frente ao visto no terceiro trimestre.
Além disso, existe a expectativa de que a companhia anuncie logo, mais cedo do que era esperado, a retomada das atividades das fornalhas paralisadas durante a crise. Isto ajudaria a recuperar as margens da empresa por conta do aumento do volume de vendas e diluição dos custos fixos.
Por fim, a corretora ressalta dois eventos que poderão incrementar os preços das ações da Usiminas caso se concretizem: a parceria com a J.Mendes Assets, visando solucionar a questão das exportações de minério de ferro, e a venda das ações da Ternium detidas pela empresa, "que nunca foram totalmente precificadas pelas ações da Usiminas", apontam os analistas.
Apesar de exaltar a exposição da CSN (CSNA3) ao mercado de minério de ferro, a equipe de análise da Itáu Corretora manteve a recomendação de market-perform - desempenho em linha com o mercado - para as ações da empresa, com preço-alvo de R$ 68. O desempenho das ações deverá ser ditado pelo resultado das negociações com a Cimpor.
"Na nossa visão, os investidores podem reagir negativamente caso a CSN aumente sua oferta pela Cimpor e acabe adquirindo a empresa", afirmam os analistas, que veem problemas no negócio. A falta de sinergias entre as duas companhias, o seu alto risco de execução e os altos valores envolvidos poderão penalizar as ações da CSN por algum tempo, apontam.
Por sua vez, a Gerdau (GGBR4) teve sua recomendação mantida em market-perform por conta da sua exposição ao mercado norte-americano. A estratégia de administração da empresa e a sua exposição ao setores de infraestrutura do Brasil continuam agradando os analistas, mas eles afirmam que os papéis operam com prêmio frente ao seus pares, o que prejudica a recomendação.
Além disso, os volumes de vendas para os Estados Unidos - apesar das projeções de uma recuperação de 15% ao longo de 2010 - deverão terminar este ano ainda 26% abaixo dos picos atingidos em 2008, o que também conta ponto s contra a recomendação.
Infomet / Infomoney
Publicação: 27/01/2010