Crise na Europa leva siderúrgicas a buscar mercados no Brasil

O agravamento da crise financeira e econômica em vários países da Europa vai incomodar ainda mais as siderúrgicas brasileiras. Fabricantes de aço de vários países europeus estão intensificando embarques para o mercado brasileiro, apurou o Valor com fontes de usinas, distribuidores e traders.

Os lotes embarcados têm saído de vários portos, inclusive de países não tradicionais exportadores de aço para o Brasil. Uma das explicações é que, além da retração no consumo local, o euro se desvalorizou frente ao dólar e deu mais poder de competição para exportação.

O mercado brasileiro, com o dólar voltando ao nível de R$ 1,70, tornou-se novamente atraente para exportadores, inclusive siderúrgicas de fora da zona do euro. As cargas são fechadas tanto com consumidores industriais como com distribuidores.

Um executivo da ArcelorMittal disse no fim de semana que a companhia, líder mundial no setor, não vê sinais de recuperação da demanda para um tipo de aço plano (chapa laminada a quente) no mercado europeu até 2016, relatou a Dow Jones Newswire.

"Para voltar aos níveis de antes da crise [de 2008] vai levar mais cinco anos", afirmou Robrecht Himpe, vice-presidente executivo do grupo responsável pela divisão de aço plano carbono na Europa.

A expectativa inicial do impacto da crise na demanda era de dois a três anos, informou, forçando o grupo a fechar temporariamente dois altos-fornos da usina francesa de Liège, na esperança de reativar as operações tão logo a demanda se recuperasse.

Mas o cenário se agravou e o fechamento será permanente por falta de competitividade. O segmento mais afetado, disse o executivo, é o da construção, devido a adiamentos e cancelamentos de projetos públicos e à fraca demanda na área imobiliária. A área automotiva continua estável.

Fonte:

Usinagem Online / Valor Econômico
Publicação: 17/10/2011

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