Até o fim do século XVIII, a maior parte das máquinas industriais eram feitas de madeira. O rápido desenvolvimento dos métodos de refinação e de trabalho do ferro abriu caminho a novas utilizações do metal e à construção de máquinas industriais e, por conseqüência, à produção em quantidade de objetos metálicos de uso geral. A verdadeira máquina é de metal: o desenvolvimento da metalurgia condicionará todo o desenvolvimento do maquinismo.
Em meio às guerras napoleônicas desenvolve-se a técnica do aço de cadinho. Krupp é um dos reivindicantes da patente ao fim da guerra em 1815. Mas o aço de cadinho só podia ser feito em quantidades relativamente pequenas, sendo o seu custo particularmente elevado.
Entre as descobertas científicas, que gradativamente iam melhorando o processo de produção industrial, merece destaque a "utilização do carvão de pedra para redução do minério de ferro, que resultou na localização dos complexos siderúrgicos - independente da localização das florestas fornecedoras do carvão de lenha - e que veio determinar, por privilégios geológicos, o pioneirismo de uma nação na siderurgia. A Grã-Bretanha foi, realmente, a maior beneficiária dessa conquista científica, em razão de possuir, em territórios economicamente próximos, jazidas de minério de ferro e de carvão de pedra.
"Junte-se a isto toda uma estrutura comercial voltada para o exterior e já se pode vislumbrar o perfil de um país que, praticamente sozinho, foi capaz de deter o privilégio de domínio do mercado internacional de ferro, a ponto de ter sido considerada a 'oficina mecânica do mundo'. Na Grã-Bretanha, na realidade, somente a indústria têxtil suplantou a indústria do ferro, na promissora aurora da Revolução Industrial.
(...) "Apesar de não ser o único país a produzir ferro, foi o primeiro a produzi-lo em escala considerável e se beneficiou do monopólio das relações comerciais com o mundo subdesenvolvido, monopólio esse que estabeleceu entre fins do século XVIII e início do século XIX."
A expansão da Revolução Industrial modificou totalmente a metalurgia e o mundo: o uso de máquinas a vapor para injeção de ar no alto-forno, laminares, tornos mecânicos e o aumento de produção transformaram o ferro e o aço no mais importante material de construção. Em 1779, construiu-se a primeira ponte de ferro, em Coalbrookdale, Inglaterra; em 1787, o primeiro barco de chapas de ferro e muitas outras inovações.
"Nenhum dos novos usos do ferro, no entanto, contribuiu de maneira mais decisiva para o desenvolvimento da indústria siderúrgica, do que as ferrovias.
"Somente na década de 1830, graças às encomendas das ferrovias à indústria siderúrgica, a indústria britânica retomou o ritmo de crescimento da última década do século XVIII."(20). Exatamente em 1830, entra em operação a ferrovia Liverpool-Manchester.
"O auge da atividade de construção ferroviária se deu em 1847, quando a construção de 10.000 km de ferrovias estava em andamento. Por volta da década de 1850, este período havia passado, e a estrutura básica da rede ferroviária britânica havia sido estabelecida.
"Quando a rede ferroviária britânica tinha sido completada, a indústria siderúrgica ampliada foi capaz de suprir matéria-prima para a construção de ferrovias em outros países. Já em 1850 as exportações atingiram 39% do produto bruto da indústria - durante a primeira metade do século eram em média de apenas 25%.
"Os investimentos britânicos em ferrovias, fora da Inglaterra, foram o carro-chefe das exportações durante toda a segunda metade do século XIX, representando às vésperas da 1ª Grande Guerra, em 1913, 41% dos investimentos ultramarinos.
"O crescimento da indústria siderúrgica, certamente promovido pela implantação das redes ferroviárias, não somente britânicas como também européias, ensejou a perspectiva de produção de ferro e aço em uma escala nunca vista anteriormente.
(...) "Tendo pois, praticamente, concluída sua rede ferroviária, a Grã-Bretanha passou a construir cada vez menos, enquanto crescia a construção de ferrovias na Europa, e nos demais continentes, com destaque para os Estados Unidos que, na década de 1870, construiu 51.000 milhas de estradas de ferro, o que representava tanto quanto havia sido construído, na mesma época, no resto do mundo. Na realidade, a Grã-Bretanha já não estava mais sozinha na exploração do mercado mundial.
"Os mercados aproximavam-se da saturação, pois, com suas economias incipientes e dependentes, não tinham capacidade de absorver a produção crescente da indústria britânica. Enquanto isso, os Estados Unidos continuavam com sua produção crescente, já que visavam quase que exclusivamente o mercado interno, de dimensões continentais.
"A situação econômica da Grã-Bretanha se deteriorava a tal ponto que os Estados Unidos e a Alemanha, no início da década de 1890, já ultrapassavam a indústria britânica na sua mercadoria essencial - o aço.
"Assim, o desenvolvimento da indústria siderúrgica criava sua própria crise e, dessa vez tão séria, a ponto de ser chamada de a 'Grande Depressão'. O último quarto do século XIX foi, portanto, caracterizado pela agressão institucionalizada, agora sob a forma do imperialismo, fórmula encontrada para garantir os mercados e prolongar o domínio econômico.
"A siderurgia britânica tinha no entanto muito fôlego e, graças à fabricação de navios a vapor de ferro e aço e à exportação de produtos siderúrgicos, manteve-se ainda em condições de concorrer com outros países."(21)
Na década de 1880-90 a produção dos altos-fornos dos Estados Unidos tornou-se a maior do mundo, e antes de 1900 a produção de aço norte-americana ultrapassou a da sua rival mais próxima, a Alemanha. Desde aquela data as indústrias siderúrgicas do continente norte-americano ampliaram-se num ritmo extraordinário. Em 1957, os Estados Unidos e o Canadá produziram, conjuntamente, 36,6% do ferro gusa e 36,5% do aço bruto do mundo. O rival mais próximo, a União Soviética, produziu consideravelmente menos da metade desse total.
Na segunda metade do século XIX o desenvolvimento siderúrgico foi muito rápido, aparecendo os processos Siemens Martin (1865), Bessemer (1870) e Thomas (1888), de obtenção do aço em escala industrial. Outro método de fabricação do aço que ganhou ampla aceitação é o forno elétrico. Mas, devido às suas pesadas demandas de energia, é de operação dispendiosa. Embora seja capaz de fabricar o aço a partir do ferro gusa, é normalmente utilizado para o ulterior refino do metal já refinado.
O trabalho do aço, base da nossa civilização, é agora seguido, passo a passo, pelo controle dos instrumentos científicos, tanto na medida das temperaturas como no exame microscópico dos produtos obtidos.
Atualmente o processo mais usado na obtenção do aço é o processo LD (Linz-Donawitz) e, nas aciarias espalhadas pelo mundo, são produzidas centenas de milhões de toneladas por ano (a marca de um milhão de toneladas por ano foi conseguida em 1876; em 1926, já se fabricava cem milhões de toneladas/ano, chegando-se atualmente a níveis de 700 milhões de toneladas, ou mais) de aços das mais diversas qualidades e propriedades mecânicas, sob a forma de chapas, perfis, barras, tubos, trilhos, etc.