CSN aumenta Preços

O presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Benjamin Steinbruch, confirmou hoje que a empresa aumentou em cerca de 10% os preços do aço para o setor de distribuição. Segundo ele, o reajuste começou a ser feito neste mês e será aplicado gradualmente até o fim do ano. O executivo explicou que o setor de distribuição concentrou as maiores quedas de preço durante a crise, com perda de até 30%, e por isso está sofrendo os reajustes neste momento.

"A distribuição trabalha com estoques e foi o segmento mais afetado pelo excesso de oferta de aço", afirmou ele, em evento promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo. Os distribuidores de aço, que atendem a pequena e média indústria, representam cerca de um terço do consumo de aço do País.

De acordo com Steinbruch, a CSN não aumentou preços para seus clientes industriais (como montadoras e empresas da linha branca) e nem poderá fazê-lo até dezembro, porque os contratos existentes expiram apenas no fim do ano. Segundo ele, as conversas com a indústria de grande porte, que faz suas encomendas diretamente com as usinas, já estão acontecendo, mas novos preços serão anunciados apenas a partir de dezembro.

O empresário afirmou ainda que os aumentos de preço para a indústria vão depender do comportamento do mercado no quarto trimestre. "Se a melhora ocorrer como todos estão falando, deve haver uma correção", disse. Ele afirmou não estar confiante de que a crise mundial já acabou, apesar de se considerar a "única voz" a dizer isso neste momento.

Alíquotas

Depois de o ministro da Fazenda, Guido Mantega, declarar hoje que o governo poderá zerar as alíquotas do Imposto de Importação sobre o aço caso os preços do insumo sejam elevados, o presidente da CSN disse que o corte da alíquota poderá comprometer os investimentos de longo prazo do setor siderúrgico. "Seria um problema para os investimentos de que o setor precisa", disse.

O executivo afirmou que o governo "deve entender" que ainda existe um grande excesso de produção de aço no mundo, e que existem muitos produtos "boiando" em todos os continentes. "O Brasil precisa tomar cuidado para não importar empregos de fora", afirmou. Apesar de defender a manutenção da alíquota, o empresário disse que as importações não caíram desde que ela foi retomada, em junho deste ano.

Segundo ele, cabe ao ministro manter a pressão para impedir altas de preço. "Os clientes falam com o governo e fazem pressão, mas ela não é legítima, porque o preço do aço não subiu para nenhum cliente industrial", afirmou.

Fonte:

O Estado
Publicação: 04/11/2009

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