Conhecida como uma siderúrgica integrada, com baixos custos de produção graças aos seus ativos de minério de ferro, a CSN começa a dar seus primeiros passos no setor de carvão, com o objetivo de reduzir ainda mais seus custos. A empresa anunciou que seu conselho de administração aprovou a compra de participação minoritária na Riversdale Mining Limited, companhia de mineração com ações listadas na Bolsa de Valores da Austrália.
Em uma operação de US$ 175,4 milhões, a CSN passará a deter 16,3% do capital do grupo.
Assim como o minério de ferro, o carvão é um insumo essencial para a produção de aço, e corresponde a cerca de 25% dos custos de produção da CSN, segundo seu balanço trimestral. "Muito se fala em minério de ferro porque o País é um grande produtor, mas o carvão é um dos principais insumos da siderurgia", disse o analista da Link Investimentos, Leonardo Alves. Segundo informações da CSN, a Riversdale começará a produzir em 2012, o que garantirá produção própria do único insumo relevante que ainda não é produzido pela empresa.
A perspectiva de que o preço do carvão tende a subir nos próximos anos é mais um fator positivo da iniciativa da CSN, segundo Rafael Weber, analista da Corretora Geração Futuro. Em 2008, o carvão chegou a ser cotado a US$ 300 por tonelada, mas caiu para os atuais US$ 129 por tonelada por causa da crise mundial. Para 2010, a perspectiva mais otimista aponta para um preço de US$ 200 por tonelada. "A visão mais baixista indica um preço de US$ 150 a US$ 165 por tonelada, o que ainda é superior ao preço atual", disse.
No caso do minério de ferro, o mercado espera uma alta de 20% em 2010, o que colocará ainda maior pressão de custos sobre as siderúrgicas. "A verticalização é um movimento interessante neste cenário de estreitamento de oferta de matérias-primas", disse Weber. Atualmente, os maiores fornecedores de carvão do mundo são Austrália, EUA, Indonésia, Rússia e alguns países da África, segundo o analista. Os projetos da Riversdale estão situados em Moçambique, próximo de ativos de carvão da mineradora Vale, e na África do Sul. Em Moçambique, existem dois projetos, batizados de Zambeze e Benga, sendo que este último conta com uma participação de 35% da siderúrgica indiana Tata Steel. O potencial de produção dos ativos não foi revelado pela CSN.
Segundo o analista do banco Sicredi, Carlos Kochenborger, o setor de carvão é muito mais pulverizado do que o de minério de ferro, o que deve permitir às siderúrgicas fazerem bons negócios na área. "As siderúrgicas podem estar se antecipando para evitar o que ocorreu no setor de minério de ferro, onde três empresas controlam o mercado", afirmou.
Na opinião do analista, a internacionalização da CSN também é um fator positivo na operação anunciada ontem, uma vez que a África é um continente rico em ativos minerais. "Além de garantir maior auto-suficiência, a empresa conhecerá um novo negócio", disse.
Infomet / Agência Estado
Publicação: 26/11/2009