A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) vai retomar um plano de investimentos de R$ 9,5 bilhões em Minas Gerais que havia sido postergado no segundo semestre de 2008 em conseqüência da crise internacional.
O projeto, anunciado originalmente em dezembro de 2007, prevê a expansão da produção da mina Casa de Pedra, de 16 milhões para 55 milhões de toneladas por ano de minério de ferro, além da construção de uma nova usina siderúrgica e uma usina de pelotização.
O plano inclui também a construção de uma fábrica de clínquer - matéria-prima para a produção do cimento portland -, uma planta de cal e um centro de serviços e distribuição de aço. “Teria sido uma irresponsabilidade tocar os projetos no mesmo ritmo”, disse o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, para justificar a decisão, tomada no ano passado, de postergar o investimento.
Com a mudança do cenário, o grupo siderúrgico resolver retomar o ritmo de aportes. A decisão foi comunicada ontem ao governador de Minas, Aécio Neves. Dificilmente a empresa conseguirá estar com todos os empreendimentos em operação em 2013, como previa o plano original. Mas a intenção é acelerar o processo para recuperar, pelo menos em parte, o tempo previsto.
A expectativa é de que o processo de licenciamento dessas unidades esteja concluído num prazo de até oito meses. A partir daí, a meta é construir as fábricas num prazo de até 36 meses. O maior investimento será na nova usina siderúrgica, a primeira da CSN em Minas. O investimento deverá chegar a R$ 6,2 bilhões para produzir aços longos, chapas grossas e trilhos. “Vamos fazer os produtos que a CSN não faz hoje”, disse Steinbruch.A usina, com capacidade de produção de 4,5 milhões de toneladas por ano, será instalada no município de Congonhas, onde fica a mina Casa de Pedra. Segundo Steinbruch, a intenção é colocar 50% da produção no mercado interno. O restante será exportado. Um dos planos em estudo é a possibilidade de atrair para o projeto siderúrgico um sócio estrangeiro que se comprometa com a compra desta parte da produção.
A usina de pelotização também ficará em Congonhas, próxima à mina Casa de Pedra. A fábrica de clínquer e a planta de cal serão instaladas no município de Arcos. O local do centro de serviços e distribuição ainda não foi definido. Disputam o empreendimento cidades da região metropolitana de Belo Horizonte, incluindo a capital.
Conforme esclareceu o diretor executivo da CSN, Juarez Saliba de Avelar, até o início do próximo ano essa empresa estará em operação. A partir daí, de acordo com ele, a empresa vai estudar qual será o próximo passo, que pode ser tanto a abertura de capital como a busca um sócio estratégico, assim como foi feito com a própria Namisa. “Não existe uma decisão tomada de qual vai ser o próximo passo, mas, a princípio, essa nova companhia será 100% controlada pela CSN”, afirmou o executivo. A sede da nova empresa será em Minas.
De acordo com o executivo, a abertura de capital ou a entrada de um novo sócio será fundamental para ampliar o negócio de mineração. A meta da CSN, conforme Saliba, é de que Casa de Pedra e Namisa atinjam uma produção de 90 milhões a 100 milhões de toneladas/ano de minério de ferro até 2014.
Infomet / Agência Estado
Publicação: 30/10/2009