Apesar da forte demanda por aço no mercado interno, a Gerdau não pretende no momento aumentar os preços no Brasil. Segundo o presidente da companhia, André Gerdau Johannpeter, as expectativas são de aquecimento da atividade econômica e dos reajustes das matérias-primas consumidas pela siderúrgica. No entanto, ele declarou que a Gerdau não prevê reajuste em seus preços. Segundo o executivo, a empresa prevê uma recuperação em níveis distintos dos mercados em que atua, mas de qualquer forma o cenário para 2010 é positivo.
No Brasil, a tendência é de um crescimento mais consistente, com um acréscimo de 22% no consumo de aço, de acordo com as estimativas do mercado e do Instituto Aço Brasil (IABr). Já no mercado norte-americano, a estimativa é de que a demanda deverá crescer de forma gradual. Mesmo assim, os preços devem subir na região devido ao aumento dos custos dos insumos e aquecimento da demanda.
A maior demanda brasileira por aço foi o principal destaque no desempenho da Gerdau ao longo do quarto trimestre de 2009. O crescimento da atividade da construção civil e da indústria elevou em 6,3% as vendas físicas de aços longos comuns para o mercado interno brasileiro, alcançando 1,1 milhão de toneladas. Além disso, as vendas físicas de aços especiais cresceram 19,6%, para 568 mil toneladas no quarto trimestre, com a expansão da indústria automotiva no Brasil e sua recuperação nos Estados Unidos.
"A Gerdau encerra o ano de 2009 com destaque para o Brasil, que apresentou o melhor resultado entre nossas operações no quarto trimestre. Os projetos de infra-estrutura, a disponibilidade de crédito e os programas governamentais de incentivo à aquisição da casa própria e à indústria automotiva alavancaram nossas vendas de aços longos comuns e especiais no país", ressaltou Johannpeter.
Diante do quadro interno positivo, a Gerdau reafirmou a disposição de focar os investimentos no Brasil. Para o período 2010-2014, estão programados investimentos de R$ 9,5 bilhões. Desse total, cerca de 80% será direcionado para as unidades no Brasil. Johannpeter destacou que os projetos de investimento em infraestrutura e a realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas trazem boas perspectivas para a economia. Ao longo do ano de 2009, os desembolsos da companhia totalizaram R$ 1,4 bilhão.
A Gerdau informou que realizou um amplo esforço de gestão em nível global no ano, o que gerou expressiva redução do capital de giro, custos e endividamento, mantendo forte posição de caixa. O conjunto de ações permitiu à companhia reforçar a competitividade e a flexibilidade no mercado mundial de aço, que vem apresentando níveis distintos de retomada da demanda em cada região. "Para 2010, daremos continuidade à captura das sinergias obtidas entre as operações em um cenário que aponta para a recuperação gradual dos mercados", afirmou Johannpeter.
O custo das vendas, o qual envolve os custos para a produção do aço que foi comercializado no quarto trimestre, apresentou decréscimo de 5,1% no quarto trimestre e o capital de giro (contas a receber de clientes, mais estoques, menos contas a pagar de fornecedores) reduziu-se em R$ 422 milhões na comparação entre os meses de setembro e dezembro.
Além disso, a dívida líquida foi continuamente amortizada ao longo do ano, o que gerou redução de R$ 8 bilhões em 2009 e, somente no quarto trimestre, uma diminuição de quase R$ 1 bilhão, em razão do pagamento de dívidas vencidas no período e da antecipação do pagamento de compromissos futuros, além da variação cambial. Outra medida foi a emissão de US$ 1,25 bilhão em títulos de dívida com vencimento de dez anos no mercado internacional, para alongamento do endividamento da companhia. Essa iniciativa não representou aumento no seu nível de endividamento.
No ano, o faturamento bruto da Gerdau alcançou a R$ 30,1 bilhões. No quarto trimestre, o Ebitda, geração de caixa operacional, foi de R$ 1,2 bilhão, uma redução de 9,5% perante o terceiro trimestre. A margem Ebitda, um dos principais indicadores para demonstrar a rentabilidade da empresa, considerando a sua geração de caixa operacional, alcançou 20% no quarto trimestre e se manteve em linha com o período imediatamente anterior. Ao longo dos 12 meses de 2009, o Ebitda chegou a R$ 3,8 bilhões. A meta da Gerdau é manter Ebtida a margem neste nível.
O lucro líquido, de R$ 643 milhões no quarto trimestre, também apresentou estabilidade em relação ao período anterior. A margem líquida, indicador importante de performance da companhia, por sua vez, cresceu de 9,6% no terceiro trimestre para 10,1%. No ano, o lucro líquido da Gerdau foi de R$ 1 bilhão. Entretanto, desconsiderando os itens não recorrentes (perdas por baixas contábeis de ativos, líquidos de imposto de renda), no valor de R$ 886 milhões, o lucro líquido da Companhia, no ano, teria alcançado R$ 1,9 bilhão.
Infomet / Monitor Mercantil
Publicação: 26/02/2010