Demanda por engenheiros é maior do que mão de obra disponível

O Brasil tem um futuro siderúrgico muito bom, porém tudo dependerá da mão de obra que o país preparar agora”. Essa foi uma das considerações feitas por Delmar Barros Ribeiro, CEO da ArcelorMittal Piracicaba e diretor da ABM, durante a mesa-redonda sobre ‘Necessidades de recursos humanos e retenção de talentos na siderurgia’ realizada no 41º Seminário de Aciaria – Internacional.

De acordo com um estudo realizado pelo IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o estoque de engenheiros no País, em 2008, foi de 750 mil, considerando que a cada dois profissionais trabalhando na função, cinco atuavam em outras áreas. Delmar mostrou a previsão para 2015, quando o Brasil terá 1.099.000 engenheiros formados e a demanda será de 1.348.000. Isso evidencia um déficit de 249 mil engenheiros em 2015.

O Brasil apresenta baixa relação entre engenheiros e número de habitantes. “Os Estados Unidos e o Japão têm 26 profissionais dessa área por 1 mil habitantes e o Brasil tem apenas seis”. Além desse gap, existe um descompasso a agravar essa carência porque o tempo necessário para incrementar o sistema educacional leva de 6 a 10 anos, enquanto que a infraestrutura leva de 2 a 5 anos para ser construída. E afirma: “Os modelos bem-sucedidos investem em infraestrutura, educação e qualificação profissional”.

A sugestão de Delmar para solucionar a carência de profissionais da área de engenharia é investir em cursos inovadores e à distância. “A ArcelorMittal é parceira da ABM no projeto ‘Talentos para a Siderurgia’, que visa elaborar um mapa estratégico de recursos humanos que será a base para um sistema nacional de capacitação de pessoas para a siderurgia, e também no projeto ‘Engenheiro Metalurgista: Uma carreira em ascensão’ que atua no Ensino Médio, mostrando para os alunos como é a prática da profissão”.

Delmar lembrou também que todo o desenvolvimento e melhoria são executados por engenheiros, o que reforça ainda mais a necessidade desses profissionais para a manutenção da competitividade da indústria.

Projeto busca dimensionar problema da mão de obra na área siderúrgica

A carência de mão de obra especializada é um dos desafios que a siderurgia brasileira terá de vencer para alcançar as metas propostas pela Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) do Governo Federal, entre elas a de posicionar o setor entre os cinco maiores produtores e exportadores mundiais.

“A perspectiva de expansão da siderurgia é muito grande, mas existe uma insuficiência enorme de recursos humanos para atender essa demanda”, comentou Américo Tristão Bernardes, professor doutor da Ufop e chefe do Centro de Capacitação do Inmetro, durante a mesa-redonda “Necessidades de recursos humanos e retenção de talentos da siderurgia”, no 41º Seminário de Aciaria – Internacional.

Ele lembrou que, como parte da solução desse problema, está sendo realizado o projeto Talentos para a Siderurgia, coordenado pela ABM e com a participação de vários instituições, inclusive o Inmetro, e empresas do setor. O referido projeto se propõe a construir um modelo de demanda, levantando as ocupações críticas, quais certificações correspondem na educação formal, como se expressam por área de produção e região geográfica e qual o volume da ocupação hoje.

Em seu estágio atual, já foram levantadas as ocupações críticas, quantificadas por região e mapeadas na estrutura educacional. Como exemplo, Américo citou o levantamento realizado na mesoregião do Espírito Santo que, no período de janeiro a junho de 2009, ocupou 2.134 profissionais de nível técnico médio, nas áreas de automação, elétrica, eletroeletrônica, eletromecânica, eletrônica, mecânica, mecatrônica, metalurgia, química e segurança patrimonial.

No momento, está sendo realizado levantamento das instituições para conhecer quais cursos são oferecidos em cada região. A próxima etapa do projeto é a aplicação de modelo matemático para quantificação de demandas futuras e ações junto à área educacional.

O Projeto Talentos para a Siderurgia é um desdobramento do Estudo Prospectivo do Setor Siderúrgico – EPSS, também coordenado pela ABM e que definiu o futuro pretendido para a siderurgia no horizonte de 2025, elencando várias medidas – entre elas resolver o problema da mão de obra – que se fazem necessárias para construir o futuro desejado. Afinado com a proposta da PDP, o projeto Talentos passou a integrar a política governamental.

Na outra vertente, do ensino superior, Américo também confirmou a existência de problemas, com a falta de engenheiros. Baseado em dados do IPEA e considerando um cenário de crescimento da economia brasileira de 7% ao ano, com a siderurgia brasileira apresentando crescimento médio de 8% ao ano e de 69% até 2015, seriam necessários 487.659 engenheiros e arquitetos para sustentar a demanda. Porém, para esse período, projeta-se somente 67.664 concluintes em cursos de engenharia, produção e construção no Brasil.

“Não estamos nem conseguindo professores doutores para lecionar em nossas faculdades. Isso significa um retrocesso de 20 anos”, disse Américo, para dar a dimensão do problema a ser enfrentado com a mão de obra.

Fonte:

ABM News
Publicação: 01/06/2010

 

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