Distribuição faz poucas encomendas às siderúrgicas

O setor de distribuição de aços planos do Brasil deve ter um primeiro trimestre fraco em pedidos às usinas siderúrgicas, em meio a um quadro de encomendas abaixo do esperado para o começo deste ano, afirmou à Reuters o presidente da associação que representa o setor, nesta segunda-feira.

"O primeiro trimestre com certeza vai ser mais fraco", em termos de encomendas às usinas. As perspectivas são de um primeiro trimestre mais fraco que o do ano passado", disse Carlos Loureiro, presidente do Instituto Nacional dos

Distribuidores de Aço (Inda), que representa 80 por cento do setor de distribuição de aços planos do país.

"Este ano não está começando com o vigor do ano passado; em relação ao quarto trimestre está retomando, mas muito devagar", afirmou Loureiro. "O volume de compras está baixo", acrescentou.

Segundo ele, a fraqueza está sobre vários segmentos, incluindo automotivo, construção civil, máquinas e equipamentos, algo que deveria estar num ritmo mais acelerado diante das perspectivas de investimentos para os grandes eventos esportivos que o Brasil está organizando para 2014 e 2016. "Até onde eu sei, o volume de pedidos das usinas não está forte."

Loureiro comentou que a diferença entre os preços de aço plano no mercado interno e externo, conhecido como "prêmio", deve se manter no primeiro trimestre entre 0 e 5 por cento para a bobina a quente, dado que as usinas não estão se movimentando para aumentar preços.

"Não vejo nenhuma tendência de aumento de preço no mercado interno, inclusive porque as usinas estão com capacidade de oferta muito grande", disse ele, acrescentando que o setor está trabalhando com dólar 1,85 real.

Outro fator de pressão são traders de aço, disse Loureiro, que ganharam força no Brasil em 2010 e 2011 com grande volume de importações de aço registrado no país. "Os traders estão forçando muito a tentativa de vender no Brasil, estão dando prazo de entrega rápido, e isso faz com que seja muito difícil haver aumento de prêmio no país."

Loureiro comentou que o desafio do setor e da siderurgia em 2012 é a contenção de importações de produtos com aço contido, como automóveis, que tem gerado perda de clientes no Brasil. Segundo ele, a entrada de aço contido em bens importados evoluiu de 1 milhão de toneladas em 2004 para 5 milhões de toneladas em 2011. "Em 2012, vamos tentar parar de perder clientes." A avaliação de Loureiro é que os estoques dos distribuidores devem ter terminado 2011 muito próximo do nível considerado normal pelo setor, equivalentes a 2,5 a 2,8 meses de vendas.

Depois de uma pequena alta em dezembro, janeiro deve ter nova queda e os estoques devem seguir dentro de um patamar entre 900 mil e 1 milhão de toneladas durante 2012, disse.

O presidente do Inda evitou apresentar perspectivas precisas para 2012, uma vez que o levantamento sobre o setor deve ser concluído no próximo dia 24. Para o Instituto Aço Brasil (IABr), que reúne as siderúrgicas e prevê ligeira queda nas importações de aço este ano, as vendas no mercado interno em 2012 devem crescer 8,4 por cento, para 23,3 milhões de toneladas, enquanto a produção deve subir pouco mais de 6 por cento, para 37,5 milhões de toneladas.

Sobre a entrada da Ternium o grupo de controle da Usiminas, Loureiro comentou que acha difícil haver uma mudança significativa no mercado brasileiro decorrente da operação anunciada no fim de novembro.

"Na medida que você tem um mercado com quatro grandes players --Companhia Siderúrgica Nacional, Usiminas,

ArcelorMittal e a importação, que é responsável por 25 por cento do mercado-- o espaço para se fazer alguma coisa diferente do que vem sendo feita é muito difícil."

Fonte:

InfoMet / Reuters
Publicação: 12/01/2012

 

 

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