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Preços em alta incentivam aportes de mineradoras

A produção de máquinas e equipamentos e de insumos para a construção civil, em trajetória ascendente, mostra que os investimentos crescem cada vez mais para atender o mercado brasileiro.

Com o externo enfraquecido, a mineração acompanha o crescimento da demanda interna e se aproximou no segundo trimestre do maior nível de investimentos já previstos para o setor no Brasil, impulsionada pelos reajustes de preços trimestrais favoráveis.

De acordo com o último levantamento do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) sobre projetos de investimento no Brasil, estão previstos US$ 54 bilhões em inversões entre 2010 e 2014.

O maior nível de investimento foi atingido em junho de 2008, antes da crise, e somou US$ 57 bilhões. Em média, um projeto de mineração demora sete anos para entrar em operação. "O mercado está retomando os investimentos, porque acredita que a demanda vai continuar crescente e que os preços vão aumentar", explicou o presidente do Ibram, Paulo Camillo Penna.

O problema é que os economistas estimam que o aumento de preços generalizado vai ultrapassar o centro da meta do governo, de alta de 4,5% do IPCA neste ano. O Banco Central já expressa consenso com as expectativas do mercado, que falam em crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) superior a 7%, e reconhece risco de pressão inflacionária.

Por isso, subiu de 15,7%, para 17,1% a projeção de alta dos investimentos, contabilizados na formação bruta de capital fixo (FBCF) no acumulado de 2010, de acordo com o relatório de inflação de junho da instituição.

Se as cifras reais ficarem perto disso, será o maior salto nos investimentos desde 1986, quando o crescimento chegou a 22,6%. O ano passado terminou com queda de 9,9% nos investimentos e retração de 0,2% do PIB.

"A tendência é haver um crescimento forte ao longo do segundo trimestre de 2010, com pequena desaceleração do setor externo por conta da crise na Europa, mas nada muito significativo. Por conta das eleições, o governo resolveu pisar no acelerador dos investimentos também. Assim, todos os segmentos estão em expansão, mas devemos ter cuidado para não esperar taxas tão elevadas por muito tempo", diz o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale.

A taxa de investimento, que ficou em 18% do PIB no primeiro trimestre, ainda é inferior à adequada para manter uma oferta produtiva sem riscos de inflação, de acordo com economistas.

Os investimentos ainda precisam e podem crescer mais. "Infraestrutura, logística e mobilidade urbana já exigem investimentos para a Copa de 2014", lembra Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating.

Só a Vale investirá investirá US$ 12,9 bilhões em 2010 para mineração de bauxita em Paragominas, no Pará. No centro desse mercado aquecido, a mineradora deve recuperar as perdas contabilizadas pelo câmbio desfavorável às exportações.

O lucro líquido da mineradora caiu 8,6% no primeiro trimestre de 2010, ante o mesmo período do ano anterior.

O reajuste dos preços do minério de ferro favorece a recuperação dos lucros e do bom momento do setor. Analistas de mercado preveem reajuste entre 90% e 100% no preço médio no segundo trimestre e de 30% a 35% no terceiro.

"Isso vai fazer a geração de caixa da Vale quadruplicar", avalia Raphael Biderman, analista de mineração da Bradesco corretora.

O Banco Central aumentou a projeção de produção de riqueza gerada pela indústria extrativa mineral, que engloba a Vale, para alta de 9,4% em 2010, depois de diminuir 0,2% em 2009.

Penna, do Ibram, aposta no crescimento da demanda por minério de ferro, embalado pelo apetite chinês, apesar de alguns economistas já falarem em desaceleração do mercado asiático.

"A China está trazendo 800 milhões de pessoas para áreas urbanas e para fazer cidade, saneamento, ponte, precisa ter ferro e aço. Acreditamos que minérios vão ter demanda forte e oferta apertada", declarou.

Fonte:

Infomet / IBRAM
Publicação: 12/07/2010

 

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