Embalagem Cultural
Antiga oficina de veículos renova-se e se transforma em espaço dedicado à arte contemporânea em Goiânia

Um antigo galpão junto à Praça da Universidade Federal de Goiás, em Goiânia, transforma-se no Centro Cultural da Universidade, destinado as artes cênicas, artes plásticas e visuais, dança, música e oficinas experimentais de arte contemporânea. O novo edifício surge como um grande prisma retangular metálico, com dois cubos diagonalmente inseridos nas laterais, e passa a imagem de uma construção estritamente urbana. "A reconversão arquitetônica fez nascer um volume contemporâneo ao sugerir a ideia de um contêiner que comporta a criação artística de vanguarda", explica o arquiteto e professor da PUC Goiás, Fernando Simon, autor do projeto.

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O Centro Cultural UFG (da Universidade Federal de Goiás) volta-se para a praça universitária e ajuda a configurar um espaço de convívio para a coletividade e principalmente para a comunidade das universidades Federal e da PUC.

No antigo galpão funcionava uma oficina de manutenção de veículos e um deposito da universidade federal. Na década de 1980, foi cedido para abrigar provisoriamente atividades artísticas, principalmente ensaios de um grupo de teatro. A natural vocação artística do espaço levou ao reuso, dessa vez como polo de cultura contemporânea.

O programa dividiu-se em dois usos principais: teatro e galeria de arte. A ortogonalidade do edifício de 2,8 mil m², agora recoberto por um envelopamento cinza metálico, agrega dois cubos laterais, um vermelho, a entrada para a galeria, e um amarelo, o acesso ao teatro. Ha, ainda, espaços para atividades administrativas e uma sala de ação social. "O edifício foi concebido de modo a funcionar como suporte de informações, divulgações e de manifestações artísticas como projeções de imagens, instalações e outras performances", explica Simon.

A Praça Universitária fica a 1 km do centro histórico da cidade. A implantação criou uma esplanada contigua ao edifício para que fosse possível visualizar toda a forma edificada e, assim, dar a noção de continuidade do espaço. O grande espaço aberto, pavimentado e descoberto, possibilita atividades ao ar livre e oferece aos usuários a mobilidade necessária a espetáculos dinâmicos e itinerantes.

Projeto

embalagem-cultural-02Para aproveitar o pé-direito pré-existente, de cerca de 8 metros, Simon dividiu a altura em três níveis: térreo, superior e andar técnico. Esse reaproveitamento do espaço dobrou a área construída, que passou a 2,8 mil m². O piso térreo abriga a maior parte do programa, onde estão às portarias de acesso, sala de espetáculos e apoio, salas de exposições e apoio, e o conjunto de ambientes da administração.

A disposição dos ambientes seguiu a divisão das atividades em dois núcleos, marcados pela diferença de cor. A sala de espetáculos caracterizada pela cor preta que tem a função de valorizar as encenações e a iluminação cênica, enquanto nas salas de exposições predomina a cor branca que neutraliza o ambiente, reflete a luz e valoriza as obras expostas. Como fator de união, todos os ambientes são estruturados por elementos metálicos aparentes.

A concepção da sala de espetáculos para 270 pessoas difere do tradicional palco italiano e segue o conceito de Espaço Total do autor polonês Grotowski, onde não há divisão fixa entre plateia e atores. "A intenção foi permitir a plena interação entre atores e público principalmente em encenações experimentais e de vanguarda", explica Simon. Como reforço a esse proposito foram previstos grandes portões para acesso ao pátio externo — assim, o espetáculo pode deslocar-se sempre que necessário. O projeto também previu a possibilidade de movimentação alternativa do piso, que atende varias situações, inclusive eventos musicais.

O revestimento de piso do teatro e sala de ensaios é de madeira sintética, o teto recebeu forro com proteção acústica, enquanto as paredes da sala de espetáculos foram todas forradas com painéis de MDF acarpetados. Em volta do espaço teatral foram montados mezaninos destinados a receber plateias alternativas e permitir novos olhares as artes cênicas.

Aproveitando o pé-direito livre de 8 metros, as duas grandes salas de exposições que somam 330 m² foram desenhadas para permitir a instalação de obras de arte contemporânea de pequeno, médio e grande portes. Com piso diferente do teatro, de granitina cinza claro, também conta com teto forrado de chapas cimenticias pintadas de branco e paredes de gesso acartonado.

Uma passarela-mirante, transversal galeria, divide o grande espaço em dois ambientes de contemplação e propicia perspectivas diversificadas das obras expostas. Mezaninos em localizações estratégicas abrigam a infraestrutura de apoio tecnológico.

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Reconversão

A estrutura original do galpão é constituída de pré-moldados de concreto armado, vedações de tijolos maciços aparentes e coberturas de telhas metálicas. Para inserir novos pavimentos e possibilitar a construção de uma nova fachada foram montadas estruturas, dessa vez metálicas e independentes. O envelopamento das fachadas foi feito com telhas zincalume, horizontais, de 600 cm de comprimento fixadas sobre montantes verticais, apoiados sobre sapatas de concreto. A cobertura apoiada em treliças metálicas, composta de telhas onduladas e calandradas, recebeu na superfície externa um jateamento de vermiculita e, internamente, uma espuma de poliuretano expandido.

No andar superior, passarelas e mezaninos foram estruturados a partir de pilares metálicos duplos U, aparentes e pintados na cor do respectivo ambiente. Esses pilares receberam vigas treliçadas e pisos em painéis Wall revestidos com carpete ou placas vinilicas, de acordo com os ambientes. As passarelas, por sua vez, receberam o reforço de tirantes, fixados nas estruturas do piso técnico, sobre os quais foram montados os guarda-corpos metálicos. Já o pavimento técnico foi executado a partir de duas treliças metálicas de perfis U, que suportam o piso industrial em colmeias metálicas galvanizadas. Por fim, também foram inseridas escadas metálicas estruturadas em perfis U, similares aos pilares, e receberam chapas de ferro dobradas sobre as quais foram fixados patamares e degraus em pranchas de ipê. Todo o contraventamento das estruturas metálicas ocorreu com fixações nos pilares e vigas existentes.

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Dados da Obra

Área construída: 2,8 mil m²
Pavimento térreo: 1,4 mil m²
Pavimento superior: 1 mil m²
Pavimento técnico: 345 m²
Área da sala de espetáculos: 330 m²
Área das salas de exposições: 330 m²

Ficha Técnica

Arquitetura e comunicação visual: Fernando Simon
Colaboradores: Ana Domitila de Almeida Mendonça, Marco Antonio Oliveira e Suzy Simon
Estagiário de arquitetura: Estevo Garcia Sarmento
Estruturas metálicas: Manuel Fontenelli
Construtora: Dinamo Engenharia e Three Way Construcqes
Fornecedores: Estruturas e vedações metálicas Perfinasa

Fonte:

CBCA

 

 

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