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Empreiteiras emergentes entram no clube do bilhão

Daniel Rittner

O forte impulso dado a grandes obras pelos governos federal e estaduais e por empresas estatais, principalmente a Petrobras, está mudando o cenário desenhado pelo conjunto das empreiteiras. Num processo semelhante ao que ocorreu durante o regime militar, cresceu o grupo das construtoras com faturamento elevado graças a projetos públicos, aí incluídos estádios e outras obras para a Copa e a Olimpíada.

Em um período de apenas cinco anos, entre 2006 e 2010, o seleto grupo de construtoras com faturamento superior a R$ 1 bilhão aumentou de 5 para 11 empresas. O time original era formado por Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e Delta Construções. Juntaram-se a OAS, Galvão Engenharia, Construcap, Mendes Júnior, ARG e Egesa. Outras três construtoras já estavam bem perto de entrar no "clube do bilhão" em 2010 - Serveng-Civilsan, Schahin Engenharia e Carioca Christiani-Nielsen - e podem ter rompido essa marca no ano passado. Quase todas elas têm grande parte do faturamento vinculado a contratos públicos.

Algumas empreiteiras emergentes, como a Mendes Júnior e a Galvão Engenharia, chegaram a quadruplicar o faturamento em cinco anos. Mas o setor disparou como um todo: as receitas totais das cem maiores construtoras do país aumentaram, entre 2006 e 2010, de R$ 28,7 bilhões para R$ 67 bilhões. "Mas passamos por um período de estagnação nas últimas décadas", afirma o presidente da Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas (Apeop), Luciano Amadio Filho.

Uma das empreiteiras que souberam agarrar as oportunidades foi a mineira Egesa, fundada nos anos 60 e reerguida em 1985, após quase ter ido à falência. "Até 2004, tivemos um crescimento constante, mas pequeno", afirma Elmo Teodoro Ribeiro, presidente e principal acionista da companhia. Sua nova carteira, antes concentrada em obras rodoviárias, é um retrato do que acontece com a maioria das empreiteiras emergentes. Ela participa da reforma do estádio Mineirão, faz parte do grupo que constrói os tanques de petróleo do Complexo Petroquímico do Rio (Comperj), tem 80% do consórcio responsável pela estação de tratamento de dejetos industriais da Refinaria Abreu Lima e ergue seis mil casas populares no programa Minha Casa, Minha Vida. Também atua no exterior e aliou-se aos coreanos para entrar no leilão do trem-bala. "Estamos vendo o maior boom da construção pesada desde os anos 70", acredita Ribeiro.

Fonte:

Valor Econômico
Publicação: 11/01/2012

 

 

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