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Entrevista com Arquiteto José Maria Coelho Bassalo
Feira de Ananindeua, Belém - PA


(clique nas imagens para ampliá-las)

 Às vésperas da inauguração, prevista para dia 06 de setembro, convidamos os arquitetos autores do projeto para um bate papo sobre alguns aspectos importantes da obra.

Os arquitetos José Bassalo e Flávio Nascimento, sócios da "Meia Dois Nove Arquitetura e Urbanismo" desenvolvem projetos de destaque no Estado do Pará e região

Rita Bose: Qual o primeiro contato ou interesse de vocês sobre projetos com tensoestruturas?

Arqto Bassalo:- Nosso interesse pelas tensoestruturas vem dos tempos de estudantes de arquitetura, quando tomamos contato com os clássicos trabalhos de Frei Otto e Kenzo Tange.

Rita Bose: Nota-se que o projeto de Ananindeua é praticamente um Show Room de tensoestruturas. Fale sobre as formas adotadas.

Arqto Bassalo:- De maneira geral, o princípio compositivo básico da tensoestrutura de Ananindeua é a justaposição de módulos hexagonais estruturalmente independentes. A fragmentação modular em hexágonos possibilitou a cobertura de uma grande área (3.200 m²) sem que se necessitassem de pontos muito elevados na membrana, além de ajustar-se à geometria triangular do lote disponível. No complexo existem 3 configurações de módulos estruturais (cálice, umbrella e cônico), distribuídos e posicionados de forma a diferenciar e destacar alguns pontos do espaço coberto, como as circulações principais, por exemplo. O conjunto, como arremate, é circundado por um fechamento mais baixo do que os referidos módulos, com o objetivo de proteger do sol e das chuvas característicos da região amazônica.
As formas adotadas no projeto foram definidas em estreita parceria entre nós e o Paulo André Brasil Barroso, autor do projeto de estrutura da Feira, e que sugeriu a configuração hexagonal do módulo básico.

Rita Bose: Quanto tempo durou a concepção do projeto?

Arqto Bassalo:- A concepção e elaboração do projeto executivo durou 80 dias, mesmo tempo médio que dura a concepção de projetos com sistemas compositivos mais convencionais.

Rita Bose: A fase de detalhamento do projeto básico foi demorada? Quais os aspectos que mais destacaram?

Arqto Bassalo:- Não. O prazo, como já afirmamos, seguiu os padrões normais. Quanto aos destaques, foram relevantes, em nossa opinião, os planos de corte das membranas, que, além de proporcionaram perdas pouco significativas de material, conferiram ao produto acabado e montado uma paginação de emendas muito bonita.

Rita Bose: Comente alguns aspectos da execução da tensoestrutura

Arqto Bassalo:- Para nós, os aspectos mais relevantes da execução da tensoestrutura da Feira foram a organização e a rapidez de montagem - muito bem dirigidos pelo Erhard Drittlhuber (Buby) - tanto da estrutura metálica quanto da membrana.

Rita Bose: Sobre a membrana: comente sobre sua experiência com material importado?

Arqto Bassalo:- Sendo essa a nossa primeira experiência com tensoestruturas desse porte, não podemos estabelecer comparações entre as membranas nacionais e o importadas. Afirmamos, apenas, que o material utilizado na Feira atende as recomendações estabelecidas pelo projeto estrutural, e possui feição robusta, sugerindo que obedecem os padrões de resistência e durabilidade requeridos para o caso.

Rita Bose: Tem em vista outros projetos em mente ou no papel com a utilização de tensoestrutura?

Arqto Bassalo:- Sim, no momento trabalhamos em um projeto de um estádio para 20.000 lugares onde há a possibilidade de usarmos uma tensoestrutura para cobrir parte das arquibancadas.

Rita Bose: Que recomendações dá aos arquitetos que querem iniciar projetos com essa tecnologia?

Arqto Bassalo:- Recomendamos que os arquitetos interessados procurem conhecer bem o comportamento estrutural das tensoestruturas para que possam conceber as formas de maneira correta. As curvas características desses projetos, apesar de suas múltiplas possibilidades de configuração, obedecem a princípios geométricos bastante específicos como condição primeira de suas estabilidades, princípios esses que não podem ser negligenciados.

Rita Bose: E para finalizar, gostaria de saber, nas suas visões de arquitetos, qual a obra preferida mundial em tensoestrutura

Arqto Bassalo:- É difícil, para nós, estabelecer a gradação de nossa preferência. As tensoestruturas nos agradam por razões diversas envolvendo não apenas a plasticidade, como também o porte e o processo de montagem, dentre outros aspectos. Nos sensibilizam, assim, tanto a escala de um renomado Millenium Dome, por exemplo, quanto a eventual beleza de um simples, diminuto e, por vezes anônimo abrigo de praça. As tensoestruturas são sempre impressionantes.


José Maria Coelho Bassalo,
Arquiteto (UFPA, 1985), Mestre em engenharia Civil (UFPA,2004)
Professor de Projeto Arquitetônico e Urbanístico da UFPA

Flávio Campos do Nascimento,
Arquiteto (UFPA, 2000) 

Fonte:

Eng. Rita Bose para a coluna Sob Tensão (11) 41535853
Engenheira civil e mestre em engenharia pela Escola Politécnica da Usp
Sócia da Tecno Staff Engenharia e Estruturas

Ficha Técnica:

Arquitetura: José Maria Coelho Bassalo e Flávio Campos do Nascimento
Execução: Tecno Staff Engenharia e Estruturas Ltda.

 

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