Entrevista com Benedito Abbud sobre Paisagismo

O Portal Metálica entrevista Benedito Abbud, Paisagismo: Sinônimo de qualidade de vida.

Há tempos o paisagismo deixou de ser um privilégio de apenas uma parcela da sociedade e passou a ser fator fundamental para valorizar qualquer tipo de empreendimento. Atualmente, é visto não só como um elemento de lazer, mas também como uma maneira de ajudar a dar dignidade às moradias econômicas. Com o recente lançamento do programa habitacional do governo federal Minha casa, minha vida, o mercado imobiliário vê um grande potencial nos empreendimentos voltados para consumidores de renda mais baixa.

Entretanto, o maior desafio desse tipo de empreendimento é fazer com que seus moradores sintam orgulho de viver lá. É aí que o paisagismo passa a exercer o seu papel. Segundo o arquiteto paisagista Benedito Abbud, que assina projetos como o do Cingapura e de várias outras incorporadoras, o projeto paisagístico para as moradias populares pode englobar áreas verdes, espaços de recreação para todas as faixas etárias e ambientes de estar com custo reduzido, oferecendo maior qualidade de vida e melhores condições sociais.
O portal Obra24horas conversou com Abbud sobre a proliferação de jardins nos empreendimentos residenciais seja ele de classe A, B, C ou D. Confira!

"Agradecemos ao Portal obra24horas pela entrevista".


Portal Metálica: O paisagismo já não é mais um privilégio da minoria. A que o senhor atribui o crescimento dessa tendência nos empreendimentos residenciais voltados para a população de renda mais baixa?


Benedito Abbud: – O paisagismo mudou muito nos últimos 20 anos. Deixou de ser um elemento mais contemplativo para se tornar instrumento de lazer, socialização e qualidade de vida. Isso tudo aconteceu devido a crescente urbanização e insegurança das grandes cidades, gerando uma avalanche de condomínios por todos os cantos do país que sentiam a necessidade de proteger as famílias.
Dentro desses condomínios houve a necessidade de se criar atrativos para que crianças e famílias inteiras não precisassem sair para se divertir. Esse novo conceito de morar agora se expande também para as classes menos privilegiadas com o objetivo de resgatar a dignidade e oferecer mais qualidade de vida à essas famílias, já que o custo-benefício do projeto é muito bom.

P.M – Existe alguma diferença entre os projetos paisagísticos voltados para empreendimentos de classes sociais distintas?

B.A: – A única diferença está na qualidade dos materiais empregados, já que nos empreendimentos mais populares utilizamos um material de custo mais reduzido. O que não significa que é pior. É como a sala de uma casa. Todas têm cortina, sofá e televisão, o que muda é a qualidade desses produtos.

PM – Como o paisagismo pode contribuir para a qualidade de vida das pessoas, especialmente nos grandes centros urbanos?

B.A: – A paisagem urbana precisa, cada vez mais, de ambientes de convivência ao ar livre convidativos. Praças arborizadas com mesas e bancos, calçadas com paginação de piso bem definida e bem sinalizadas, equipamentos para prática de esportes, acessibilidade para todos, comunicação visual, faixas de circulação bem definidas são alguns exemplos de intervenções paisagísticas que melhoram a qualidade de vida em grandes centros urbanos. As pessoas passam a se identificar, gostar e cuidar mais dos espaços públicos.

P.M – Com o recente lançamento do programa habitacional do governo, o senhor acha que o Brasil possui mão de obra suficiente para atender essa demanda?

B.A: – Sim. Quando existe mercado existe mão de obra. Além disso, as construções de hoje são muito mais organizadas. Há, antes de tudo, um estudo de viabilidade e preparação para implantação do projeto. Eu costumo dizer que a construção civil está cada vez se assemelhando mais à indústria automobilística, em que cada um é responsável por determinada área específica e o resultado é um conjunto dessas ações. O fato de produzirmos carros populares não significa que são ruins, e isso vale também para a indústria da construção civil.

P.M – Com 36 anos de profissão, quais foram as principais transformações no paisagismo observadas na prática pelo senhor?

B.A: – A maior transformação de todas foi a revalorização do verde. As pessoas entenderam o quanto é importante cuidarmos da natureza se quisermos proporcionar um futuro mais acolhedor para as próximas gerações.

Entrevista para a jornalista Mércia Ribeiro, redatora do Portal Obra24horas.

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