Entrevista: Infraero e os módulos operacionais

Segundo dados da Infraero, em 2014 o fluxo de passageiros nos aeroportos brasileiros deve aumentar em 51%: em 2009 eram 128 milhões de pessoas, e em 2014 serão 199; para 2020 a projeção é que o fluxo chegue a 228 milhões de passageiros. Só o evento Copa do Mundo deve aumentar 10,13% a movimentação nos terminais aeroportuários brasileiros. Diante desse acréscimo, a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária vai investir R$ 6,483 bilhões nos aeroportos brasileiros. Como solução imediata para os chamados “gargalos”, a Infraero está apostando na construção de módulos operacionais, vulgarmente chamados de “puxadinhos”. Para esclarecer o que são os MOPS e como eles darão fôlego extra aos aeroportos brasileiros, o Portal Met@lica entrevistou o arquiteto e Superintendente de Estudos e Projetos de Engenharia da Infraero, Jonas Maurício Lopes. Confira!

@: A Infraero optou por investir nos chamados módulos operacionais para os aeroportos ligados às cidades-sede da Copa do Mundo. Por que se optou por essa solução e quais vantagens ela apresenta?

J: A Infraero optou por investir nos Módulos Operacionais seguindo uma tendência mundial já praticada na Europa e Estados Unidos. Recentemente, essa solução foi adotada como provimento de Infraestrutura aeroportuária na África do Sul buscando viabilizar a Copa do Mundo de 2010. Essa solução responde por aumento rápido de infraestrutura para as demandas pontuais e/ou situações temporárias, transitórias, entre o estágio atual e a conclusão das obras definitivas. Os MOPS são de implantação rápida, limpa e com possibilidade de reutilização em outro local, em virtude de ser desmontáveis, por isso foram escolhidos como solução.

@: Os módulos operacionais são construções temporárias. Qual o tempo médio em que os módulos ficarão funcionando? Como será o processo de desativação desses? O que irá substituí-los? De que forma?

J: Os Módulos foram concebidos para serem utilizados por até 10 anos. Porém, cada situação tem uma condição especial. O tempo de utilização será determinado a partir do provimento da infraestrutura definitiva, ou seja, quando os novos terminais estiverem prontos. Os empreendimentos definitivos encontram-se em fase de desenvolvimento – o momento de desativação dos módulos será definido uma vez que as obras definitivas estiverem prontas.

@: O aço é o material mais cotado para a construção dos módulos. Quais as vantagens que o material irá agregar à construção?

J: O aço proporciona velocidade na execução dos módulos, leveza nas peças da estrutura, facilidade na montagem e aspecto arrojado quanto aos vãos livres. Além disso, a estrutura metálica a estrutura metálica é interessante pois depois podemos desmontá-la e remontá-la em outro lugar.

@: Nem todos os projetos dos aeroportos estão prontos. Como está o cronograma de obras? As obras nos aeroportos estarão entregues até os eventos?

J: O cronograma proposto para as obras está sendo executado conforme o planejamento apresentado pela Infraero, que se empenha na realização das obras e reitera que os trabalhos estarão entregues até os eventos. A maior preocupação da Infraero está em prover infraestrutura de qualidade, buscando suprir a demanda de passageiros decorrente do aumento do número de usuários do sistema aéreo. O planejamento da empresa é abrangente, considerando como horizontes de seus projetos, em média, um período de dez anos à frente. Ou seja, busca-se prover infraestrutura que possibilite processar a demanda prevista até 2020.

@: Em comparação aos aeroportos internacionais, em que nível você coloca os terminais brasileiros?

J: A comparação é temerária, uma vez que os contextos de aviação são muito diferentes. Aeroportos europeus e americanos processam uma quantidade de passageiros muito superior à movimentação existente no Brasil. Por  exemplo: apenas o Aeroporto de Houston, nos Estados Unidos, processa aproximadamente a mesma quantidade de passageiros que todos os aeroportos do Brasil juntos. A diferença de contexto torna a comparação complexa e não necessariamente precisa, uma vez que se tratam de necessidades diferentes atendendo a públicos com necessidades e desenvolvimento aéreo distintos.

@: Na sua opinião, dos 16 aeroportos envolvidos nos eventos esportivos, qual representa o maior desafio construtivo? Qual seria esse desafio?

J: Os planos de investimentos e as obras a serem realizadas são, como um todo, o principal desafio e o compromisso da Infraero a ser cumprido. Independente do grau de desafio apresentado, a Infraero se empenha na realização das obras planejadas e trabalha ininterruptamente para entregar as grandes obras previstas no seu cronograma, tanto no período 2011-2014 quanto em seu planejamento contínuo.

Fonte:

Portal Met@lica
Publicação: 01/09/2010

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