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Estoques de aço estão em retração nas distribuidoras

A rede de distribuição de aço registrou queda nos níveis de estoques em janeiro. Conforme projeções do presidente do Instituto Nacional da Distribuição de Aço (Inda), Carlos Loureiro, o índice passou de 4,3 meses de vendas em dezembro para 3,6 meses no último mês. A retração é resultado do incremento no consumo no mercado doméstico e da redução nas importações no início do ano.

Com o cenário, a tendência é de redução gradual no volume de aço estocado nas distribuidoras, conforme o presidente da entidade.
Pois, apesar da queda em janeiro, o estoque ainda é superior ao patamar histórico verificado pelo segmento, que é de 2,5 meses de vendas.

Entre os fatores que viabilizaram a redução nos estoques em janeiro está o aumento nas vendas, segundo Loureiro. "As projeções são de crescimento entre 15% a 20% na comparação com dezembro", afirmou.

De acordo com o presidente do Inda, a comercialização no primeiro mês do ano ainda não ficou em patamares elevados em virtude dos efeitos sazonais. "Em dezembro e janeiro o volume de negócios é tradicionalmente menor", afirmou.

Apesar disso, no restante do ano o setor deverá voltar a registrar aquecimento, o que permitirá maior redução dos estoques. "As projeções de incremento para 2011 são de 10% no volume comercializado no país", disse. Segundo Loureiro, a alta deverá ser impulsionada pelo segmento de aços planos, utilizado por setores como o automotivo e fabricantes de máquinas e equipamentos. O produto também foi responsável pela alta nos estoques no Brasil.

Além do aquecimento no mercado interno, a retração nas importações deverá contribuir para aliviar o nível de aço estocado. De acordo com o presidente da entidade, os distribuidores paralisaram as compras, o que deverá refletir nos resultados nos próximos meses.
"Deveremos verificar redução de até 50% nos desembarques", avaliou.

Entre os motivos apontados para a redução das compras externas, além do estoque elevado verificado no país, está o encarecimento do aço no mercado internacional. "Atualmente, os preços de importação estão entre 8% e 10% acima dos praticados pelas usinas brasileiras", afirmou.

Segundo ele, já em janeiro deverá ser verificada redução nos desembarques, pois os distribuidores estão deixando de fazer pedidos externos há cerca de três meses. "As compras fechadas no exterior demoram entre três a quatro meses para chegar ao Brasil", disse.
A elevação dos estoques no país foi causada pela invasão de aço importado em 2010. Com a sobrevalorização do real e o excedente de aço no planeta em virtude da lenta recuperação de importantes mercados consumidores, como Estados Unidos e Europa, o produto estrangeiro se tornou mais competitivo. Esse cenário provocou a perda de mercado por parte das usinas brasileiras que se viram obrigadas a conceder descontos e reduzir suas margens de lucro.

O índice histórico de penetração do aço importado no mercado nacional está entre 4% e 6%, mas ficou em aproximadamente 20% no exercício passado. Conforme dados do Instituto Aço Brasil (IABr), as importações aumentaram 154,2% em 2010 na comparação com o ano anterior, passando de 2,331 milhões de toneladas para 5,928 milhões de toneladas, volume recorde no país. Os desembarques foram impulsionados pelo segmento de planos, que apresentou aumento de 172% na mesma base de comparação.

Apesar de registrar consumo aparente recorde de 26,6 milhões de toneladas de aço em 2010, a produção brasileira de aço em 2009 (32,8 mi/t) ainda está 2,6% abaixo do verificado em 2008 (33,7 mi/t).

Fonte:

Infomet / Diário do Comércio
Publicação: 07/02/2011

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