
Com a proximidade da Copa do Mundo no Brasil, Barros observa que o mercado está ainda mais promissor. "Com a demanda aquecida para a Copa, assumimos mais projetos justamente porque o tempo é curto. Eles precisam ficar prontos antes de 2014", conta. A Mitec trabalha no projeto de um hotel na Região da Pampulha, o primeiro que será erguido com estrutura metálica em Belo Horizonte. Outra obra prevista é a unidade do Hospital Mater Dei no antigo Mercado Distrital da Barroca, na Região Oeste da capital, que também será construído com peças de aço.
Barros cita outra vantagem de construir com estrutura metálica, além da rapidez: a economia ao fim da obra. Isso é possível porque o desperdício de material é zero, já que as peças são projetadas de acordo com a necessidade do projeto. Além disso, contrata-se 10% menos operários. "A estrutura metálica tem preço compatível ao sistema convencional. No entanto, o que nos favorece é o tempo, o fim do desperdício e a redução da mão de obra. O custo/benefício, então, é maior", comenta.
O proprietário da IMA Construções Metálicas, fabricante de peças de aço, Ricardo Araújo Lanna, destaca a resistência do material. Ele conta que no Japão tudo é construído com estrutura metálica. "O concreto também é resistente, mas o aço permite que a construção se movimente sem cair. Ela resiste mais a eventos sísmicos e é mais adaptável a situações extremas", diz. Para Lanna, o que falta para isso se tornar realidade no Brasil é o maior interesse do setor imobiliário. "A construtora acha que se terminar rapidamente o trabalho vai ter que mandar gente embora. Mas com a mesma equipe técnica ela pode gerenciar, em vez de uma, quatro obras de uma só vez e quadruplicar o faturamento", pondera.
Na opinião do dono da Mitec, as peças de metal vão, em breve, ser mais usadas que o concreto no Brasil. Barros acredita que o conceito de construção industrializada deve ganhar mais espaço. "O futuro está na estrutura metálica, até pela escassez de mão de obra e o aumento do custo de insumos do sistema convencional, como madeira e tijolo", afirma.

Há três anos, quando foi construir uma faculdade na Região do Barreiro, em Belo Horizonte, o investidor Telmo Lopes, da Colina Empreendimentos e Participações, chegou a estudar a viabilidade do projeto com alvenaria, mas logo percebeu que não valeria a pena. "No meu caso, achei melhor a estrutura metálica porque é mais rápida. A faculdade ficou pronta antes do prazo", conta. A obra, com 4.300 metros quadrados de área construída, foi adiantada em dois meses e o investidor começou a receber o aluguel antes do previsto. Telmo destaca também a economia de cerca de 10% com os custos da obra, já que não precisou contratar o tanto de funcionários a que estava acostumado.
Para os próximos empreendimentos, o investidor só quer usar o sistema de construção com aço, pois assim ganhará tempo e dinheiro. Telmo revela que já estuda construir casas com estrutura metálica.
O presidente da Associação Brasileira de Construção Metálica (Abcem), Luiz Carlos Caggiano Santos, diz que as peças de aço são realmente vantajosas quando se fala em projetos comerciais, pois o lucro chega mais rapidamente. "Ninguém investe se não tiver retorno financeiro. O empreendedor quer ter logo o dinheiro de volta, e quanto antes terminar a obra mais cedo ele recupera o que investiu", comenta.
Como consequência, a estrutura metálica está presente em todo tipo de construção em Belo Horizonte: shopping, estádio, hotel, galpão, hospital, supermercado, escritórios. Só na área residencial ainda é pouco usada. Santos acredita que isso se deve ao fato de o dinheiro pago pelo comprador ser necessário para dar continuidade à obra, então o prazo para a entrega precisa ser maior. "As construtoras preferem levar dois, três anos para concluir a obra, pois dá tempo de o proprietário pagar o imóvel."
Apenas 5% das construções no Brasil são feitas com estrutura metálica, enquanto na Inglaterra, referência no assunto, o número sobe para 70%. Otimista, o presidente da Abcem espera que o crescimento do setor seja ainda maior que o atual, que chega a 15% ao ano. "Não só na área comercial, mas também na residencial o uso de peças de aço vai aumentar. Com parede, banheiro e até cozinha pré-prontos, que são encaixados na hora, tudo fica mais fácil", explica. Para ele, ainda falta usar mais metal em obras de infraestrutura, como pontes e viadutos, que ainda são mais construídos com concreto.
Se depender das empresas, não haverá dificuldade para atender a demanda. "O setor de estrutura metálica no Brasil compete com qualquer outro no mundo. Os empresários investiram muito em tecnologia e o maquinário é hoje o mesmo da Itália, Estados Unidos, Alemanha." Com melhoria constante do chão de fábrica, Santos mostra que a produtividade tende a crescer e o custo a baixar.
NO CANTEIRO DE OBRAS Coordenador do Laboratório de Análise Experimental de Estruturas (LAEES) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o professor Francisco Carlos Rodrigues destaca que o processo de construção com estrutura metálica é mais racional. Enquanto as peças são fabricadas, é possível adiantar outra etapa da obra, como a fundação. Além disso, a montagem é in loco. "Os caminhões chegam com as peças e não descarregam no chão, já colocam cada uma no lugar. Se for em construção convencional, tem que descarregar areia, cimento, brita", diz.
Rodrigues também ressalta que com a estrutura metálica todo o material que chega ao canteiro é aproveitado. "Se a obra for bem projetada, o desperdício vai ser zero. Não se usa cortar um pedaço da viga nem do pilar e jogar fora. As peças já vêm cortadas de fábrica, no comprimento exato. É só encaixar uma a uma e colocar parafuso", explica. Outra vantagem é que as peças são fabricadas com os dutos por onde passam a tubulação de luz, ar-condicionado, telefonia, hidráulico. Quando é alvenaria, a parede precisa ser quebrada depois de pronta para a passagem das instalações.
A estrutura metálica permite ganhar espaço útil na construção. O professor da UFMG esclarece que o pilar de aço ocupa 1/4 da área de um pilar de concreto. O mesmo ocorre com vigas: as de aço têm metade da espessura. "Se um prédio que não pode ultrapassar 30 metros de altura for feito de alvenaria, vai ter sete pavimentos. Se for de estrutura metálica, ganhará um andar a mais", acrescenta Rodrigues, que ainda fala sobre a economia de cerca de 30% com a fundação, dependendo da construção, já que o aço é mais leve que o concreto. A obra, então, fica mais em conta.

O aço começou a ser empregado na construção civil no fim do século 19. A famosa Torre Eiffel, em Paris, marcou o uso da estrutura metálica e abriu caminho para outras obras em todo o mundo, como o Edifício Chrysler e o Empire State, com 110 andares, ambos em Nova York. A construção com aço no Brasil só teve impulso na década de 1950, depois da criação da Companhia Siderúrgica Nacional. Em 1957, foi erguido no centro de São Paulo o Edifício Garagem América, o primeiro prédio construído no país com material nacional. O Palácio de Cristal, em Petrópolis, é datado de 1875, mas foi montado com peças importadas. Em 2004 foi inaugurado em Taiwan o Edifício Taipei 101, todo feito em estrutura metálica, com 101 pavimentos e 509 metros de altura. É um dos mais altos do mundo.
Lugar Certo Estado de Minas
Publicação: 16/10/2011