Expansão em aço deve visar mercado externo

Os investimentos para a produção de aço bruto no País podem somar R$ 70 bilhões entre 2010 e 2016, o que elevaria a capacidade produtiva nacional em cerca de 70% ou 30 milhões de toneladas (Mtpa) no período (figura 1), de acordo com levantamento realizado pela Tendências com base em anúncios divulgados pela imprensa.

Esse novo ciclo de expansão da capacidade reflete as expectativas de recuperação sustentável da economia mundial, liderada por China e Índia e, principalmente, a estratégia de grandes grupos siderúrgicos mundiais de estabelecerem plataformas exportadoras no País, atraídas pelas vantagens competitivas do Brasil no setor. As boas perspectivas para os principais setores consumidores de aço no Brasil, com destaque para o automobilístico, a construção civil e a indústria naval, também devem contribuem para a retomada dos investimentos em siderurgia.

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A exploração do petróleo na camada pré-sal, o programa Minha Casa, Minha Vida, e a realização dos megaeventos esportivos no País nos próximos anos, também conferem impulso ao consumo de siderúrgicos. De acordo com estimativas do BNDES, esses fatores devem assegurar uma demanda adicional de 8 milhões de aço entre 2010 e 2016, o que corresponderia a algo como 3% no consumo interno de aço ao ano.

Nossa estimativa de investimentos está próxima da realizada pelo Instituto Aço Brasil (IABr), a qual aponta que a capacidade produtiva nacional deve alcançar 77 Mtpa em 2016, com investimentos de R$ 71,6 milhões. Já o levantamento do BNDES1 contempla investimentos de R$ 44 bilhões até 2013, o que elevaria a capacidade de produção de aço bruto para 51,3 Mtpa ao final do período.

A ampliação da capacidade produtiva nacional de semiacabados será, em larga medida, voltada para o mercado externo, já que, com a forte expansão do consumo doméstico nos últimos anos – com exceção de 2009, cujos resultados foram impactados pela crise econômica –, o excedente exportável diminuiu (figura 2).

Embora já se observe alguns projetos de investimento dos grandes grupos siderúrgicos nacionais, esse novo ciclo vem sendo protagonizado por empresas internacionais que ainda não operam no Brasil e farão do País sua plataforma de exportação, com suprimento próprio de semiacabados, contando com parcerias com mineradoras nacionais, de modo a assegurar o abastecimento de minério de ferro. Os ganhos das siderúrgicas com esta opção parecem claros se considerarmos que o frete representa cerca de 20% a 30% do preço final do minério, considerando o mercado spot para os meses de março a abril, segundo dados da CSN.

A Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), pertencente a ThyssenKrupp e à Vale, é primeiro grande projeto com esse perfil e que está iniciando suas operações. A fábrica será provida pelo minério de ferro da Vale e terá 60% de sua produção de placas de aço (semiacabados) destinada às suas unidades de laminação nos Estados Unidos e 40% para a Alemanha.

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Em 2010, a produção doméstica de aço bruto deve totalizar 34,6 milhões de toneladas, o que corresponde a um crescimento de 30,6% frente a 2009 (figura 1). Com isso, o nível médio de utilização da capacidade instalada deve passar dos 60% verificados no ano passado para algo em torno de 75% e 80%, patamar mais próximo ao observado nos anos anteriores. Os embarques, por sua vez, devem totalizar 13,8 milhões de toneladas (ou US$ 7,08 bilhões), alta de 50% na mesma base de comparação, ao passo que as importações devem crescer 32,9%, chegando a 3,1 milhões de toneladas ou US$ 3,89 bilhões (figura 3).

Com isso, o consumo aparente nacional (produção + importações – exportações) deverá crescer 40,7% em 2010, totalizando 26,3 milhões de toneladas. Esta estimativa está amparada nas boas perspectivas para os principais setores demandantes.

De acordo com projeções da Tendências, a produção de veículos deve crescer 7,3%, a de bens de capital, 21,3% e a de insumos típicos da construção civil, de 6,5%. Nos próximos anos, esses grandes setores consumidores de aço no Brasil devem continuar entre os principais destaques setoriais, com taxas de crescimento significativamente superiores a do PIB.

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Fonte:

Tendências Consultoria
Publicação: 16/06/2010

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