A meta principal da política de desenvolvimento produtivo, que era o Brasil atingir 1,25% de participação nas exportações mundiais em 2010, será alcançada ainda este ano, disse Barral. Isso, porém, não teria relação com o crescimento das exportações do Brasil, mas, sim com o fato de as exportações do resto do mundo terem caído mais que as nossas.
O Enaex, que já foi um marco dos eventos de comércio exterior, realizado tradicionalmente no Hotel Glória, com a presença de ministros e presidentes, foi mais tímido este ano. Um dos motivos, disseram alguns participantes, seria o foco da economia, agora mais voltado para o mercado interno.
Os palestrantes lembraram da declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em setembro, de que as exportações eram apenas a espuma do chope. "Quem entende de bebida deveria entender a importância da espuma para o chope", ironizou Roberto Gianetti da Fonseca, diretor de Relações Internacionais da Fiesp.
Gianetti foi dos que mais engrossaram o coro de queixas no Enaex por causa do câmbio. Além disso, as reclamações também envolveram os entraves burocráticos. O diretor da Fiesp ressaltou que cada US$ 1 bilhão exportado equivale a 60 mil empregos criados. Com base nisso, a Fiesp está desenvolvendo um índice para medir quantas vagas são fechadas a cada centavo de queda do dólar.
O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Benedicto Fonseca Moreira, que coordenou parte das discussões, disse que "não é o câmbio que vai resolver todos os nossos problemas". Ele acredita que haverá equilíbrio na balança comercial no ano que vem, mas em 2011 o déficit comercial voltará.
Segundo Moreira, as reservas internacionais acima de US$ 200 bilhões não garantiriam estabilidade ante a perspectiva de déficit no balanço de pagamentos. "Quando fizermos US$ 50 bilhões ou US$ 60 bilhões de déficit (comercial, todo esse fluxo de recursos que está entrando começa a retroceder. O banqueiro e o poupador lá fora têm "feeling", e aí as reservas começam a desaparecer. Esse filme já passou."
Para além da questão cambial, o presidente da AE B defendeu políticas de melhoria de infraestrutura, tributação e financiamento e criticou a proposta do governo de criação do Eximbank, um banco para financiar o comércio exterior.
O Estado de São Paulo
Publicação: 26/11/2009