Fachadas: Deixe a luz passar

Elementos arquitetônicos e acessórios permitem controlar a luminosidade que entra na edificação e ajudam a regular a temperatura interna. Conheça algumas opções:

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Calor ou excesso de luz por causa da incidência direta da radiação solar são inconvenientes que devem ser controlados em qualquer edificação, mas locais onde as pessoas permanecem por longo período, como escritórios e escolas, merecem atenção especial, principalmente se as fachadas tiverem abertura amplas. Nesse casos, é preciso recorrer a elementos arquitetônicos ou acessórios para evitar o desconforto visual e acúmulo de calor.

Como Especificar

A necessidade de elementos para controle da insolação depende da latitude para a qual se projeta, da orientação solar, do clima e do uso do prédio. Segundo a engenheira Denise Duarte, professora do Departamento de Tecnologia do Labaut ( Laboratório de Conforto ambiental e Eficiência Energética), da FAUUSP, tudo começa na implantação do edifício. Com um estudo de geometria da insolação definem-se s ângulos solares que devem ser protegidos.

São muitos os dispositivos de sombreamento. O mais conhecido é o brise-soiel, mas há também as projeções de telhado (beira!), marquises, elementos vazados, filmes refletores e outras soluções. Esses elementos podem estar vinculados à estrutura principal do edifício ou à caixilharia, o que determina o momento da sua instalação, em geral no fim da obra.

É possível implementar um sistema de proteção solar em edifícios já prontos, com elementos pré-fabricados. “Porém, vai depender de um estudo de incidência de radiação solar nas fachadas, da caixilharia, da possibilidade de se acoplar o novo dispositivo à estrutura existente ou da construção de uma auxiliar”, explica Denise Duarte. Em todo o caso, é sempre melhor prever a proteção desde o projeto.

Em qualquer caso, é importante o gráfico de angulação de incidência. Para calculá-lo, utiliza-se a carta solar para a latitude em questão, com a ajuda de um transferidor auxiliar. “O estudo pode ser feito graficamente, com ou sem software de simulação, ou ensaios em modelos reduzidos em um simulador solar”, explica Denise.

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Algumas soluções como o brise-soleil podem atenuar a incidência de radiação solar nas edificações

Proteção

Algumas prefeituras do Brasil já prevêem seus Códigos de Obras a necessidade de sistemas de proteção solar nos prédios. Em Porto alegre, aberturas superiores a 40 % da área de fachada devem possuir alguma proteção. Também no sul do País, a prefeitura de Florianópolis inclui a obrigatoriedade desses dispositivos de acordo com o tipo de vidro e a área de janela. Na cidade, cerca de 77% dos pontos comerciais já possuem algum dispositivo de proteção horizontal. È o que deseja também a prefeitura de salvador, onde os dados são inversos. Uma pesquisa financiada pela Coelba( Companhia de Eletrecidade do Estado da Bahia) juntamente com a empresa IbenBrasil mostrou que 77% das edificações comerciais não possuem nenhum tipo de proteção, elevando o consumo de energia elétrica da cidade.

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Bom exemplo.

A sede do Centro da Cultura Judaica, em São Paulo, é um exemplo de como controlar a insolação e luminosidade. O edifício projetado pelo arquiteto Roberto Loeb conta com a brise-soleil de vidro, em toda a fachada, ancorado em uma estrutura metálica.

Além de oferecer mais conforto, impedindo a incidência direta dos raios solares, os brises permitem a atenuação do calor. Instalados a casa 2 ou 3 m entre os beirais de concreto em balanço, criam uma corrente de ar ascendente, que o arquiteto chama de efeito chaminé. Com a sucção do ar quente, que é absorvido e eliminado pela abertura superior da estrutura dos brises, o ar novo entra pela parte inferior, em constante corrente na fachada. Isso melhora o conforto no edifício e não sobrecarrega o sistema de condicionamento de ar.

“ Os brises têm duas funções: refletem os raios solares e funcionam como um vestido para edifício, aberto embaixo e com um amplo decote no topo”, explica loeb. “ Assim, a ventilação é constante e contribui para a sustentabilidade térmica do conjunto”.

A angulação dos brises que são fixos na estrutura de aço que acompanha o pergolado da fachada, foi calculada com base nos meses mais quentes do ano, para refletirem o forte sol do verão. Os vidros são laminados, com 19 mm de espessura na parte maior e 166 mm na menor, na cor fumê.

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Proteção ideal

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Fonte:

Revista Téchne
Autora: Cláudia Bocchile

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