O grupo Gerdau já começou a revisar os preços do aço para compensar as altas dos custos das matérias-primas. Os reajustes serão aplicados no Brasil e no exterior e vão variar de acordo com o tipo de produto, a região, o nível de concorrência no segmento e a pressão de cada insumo, disse o diretor-presidente da companhia, André Gerdau Johannpeter. Ele não especificou os percentuais nem a partir de quando as novas tabelas serão adotadas, mas lembrou que o último reajuste foi aplicado há um ano e meio.
O aumento dos preços foi divulgado junto com o resultado do primeiro trimestre, quando o conglomerado siderúrgico obteve lucro líquido consolidado de R$ 573 milhões, ante R$ 35 milhões no mesmo período de 2009, e receita líquida consolidada de R$ 7,1 bilhões, com alta de 2%. Com o melhor desempenho, puxado pela recuperação dos mercados brasileiro e americano, as vendas físicas do grupo cresceram 32% no período, para 4,1 milhões de toneladas.
No fim de fevereiro, durante a apresentação do balanço de 2009, Johannpeter havia dito que o grupo não pensava em reajustar os preços do aço. "Nossa posição era gerenciar o aumento dos custos naquele momento, mas não temos mais como absorver todos os impactos dos aumentos das matérias-primas", disse o executivo. De acordo com ele, a empresa está em processo de "comunicação" dos aumentos aos clientes.
Para o analista Rafael Weber, da corretora Geração Futuro, a Gerdau teria necessidade de um reajuste de 10% nos aços longos para absorver a alta estimada de 50% a 60% para o carvão mineral no meio do ano, mais o aumento acumulado no ano de cerca de 30% no ferro-gusa. Mesmo assim, ele acredita que a elevação ficará entre 7% e 8%, devido à concorrência do aço importado, e será aplicada no fim de junho ou no início de julho.
Já o minério de ferro, que foi recentemente corrigido em cerca de 90% pelas mineradoras, é usado principalmente na Açominas, que representa 18% da capacidade instalada do grupo de 25 milhões de toneladas anuais. Conforme Johannpeter, um dos investimentos do programa de R$ 9,5 bilhões já anunciado para o ciclo 2010-2014 é a ampliação da produção própria de minério das atuais 2,7 milhões para 6,6 milhões de toneladas por ano até 2012, com aportes de R$ 352 milhões no período.
O volume será suficiente para suprir 100% das necessidades da Açominas, que responde por cerca de 85% do consumo de minério de ferro do grupo. Segundo o vice-presidente executivo de finanças e relações com investidores, Osvaldo Schirmer, o aumento da produção própria vai proteger a empresa contra a volatilidade dos preços do minério, depois que as mineradoras substituíram os contratos anuais por reajustes trimestrais do insumo.
Os investimentos já definidos incluem ainda a instalação, na Açominas, de um laminador de chapas grossas de R$ 1,75 bilhão e com capacidade de 1 milhão de toneladas por ano em 2102, além da ampliação do laminador de perfis estruturais de 540 mil para 700 mil toneladas ano a partir de 2011, por mais R$ 100 milhões.
Também fazem parte do pacote um laminador de aços especiais e vergalhões na joint venture com o grupo Kalyani na Índia, em 2011, e a substituição dos fornos elétricos na usina do Peru, em junho deste ano.
Ainda no primeiro semestre deste ano devem entrar em operação as hidrelétricas Caçu e Barra dos Coqueiros, em Goiás, com capacidade instalada total de 155 megawatts (MW). Os investimentos nas duas usinas somam R$ 632 milhões, sendo que os últimos R$ 57 milhões alocados para o projeto serão desembolsados em 2010.
Valor Online
Publicação: 10/05/2010