"O ministério pode propor à Camex (Câmara de Comércio Exterior) a redução do imposto de importação a partir da verificação do reajuste de preço", afirmou. Na avaliação do ministro, um aumento do aço neste momento poderia comprometer todo o esforço do governo de estimular a economia com medidas de desoneração tributária.
As indústrias consumidoras de aço, como as do setor automotivo e de eletroeletrônicos, avisaram o governo de que poderia haver um reajuste de até 15%. O Instituto Aço Brasil negou, segundo o ministro, mas o governo está acompanhando o mercado.
Jorge contou que o setor siderúrgico apresentou ao ministério notas fiscais para comprovar que não há elevação nos preços. Mas as empresas consumidoras narraram ao governo que as siderúrgicas argumentam que estão reduzindo os descontos. "É um eufemismo", definiu o ministro. Na avaliação dele, o setor siderúrgico terá um resultado bom este ano e não se justificam reajustes de preço neste momento. "Pelo que fui informado todos os fornos desligados durante a crise já foram religados, menos um", disse.
O Imposto de Importação do aço varia de 8% a 14%, segundo o ministério do Desenvolvimento. A ameaça de baixar as alíquotas já havia sido feita meses atrás pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, quando houve uma primeiro movimento das siderúrgicas para reajustar preços. As alíquotas foram aumentadas em junho para oito tipos de aço importados que passaram três anos isentos do tributo.
A decisão foi tomada pela Camex para possibilitar um aumento da produção das siderúrgicas nacionais, diante da situação de excesso de oferta no mercado internacional, em consequência da crie econômica. Depois dessa decisão, a Usiminas e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) anunciaram a seus clientes aumentos no insumo entre 10% e 13%.
O presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Lourival Kiçula, disse que os fabricantes dos produtos de linha branca estão preocupados com a possibilidade de reajuste do preço do aço nacional entre 7% e 10%. Se isso ocorrer, o preço dos eletrodomésticos, como geladeiras e fogões, podem estar mais caros para o consumidor a partir de janeiro. A briga entre as siderúrgicas e os setores consumidores de aço é antiga. Essa disputa fez com que o ministério do Desenvolvimento criasse no passado um grupo de monitoramento das importações e dos preços domésticos do produto.
Infomet / Agência Estado
Publicação: 16/12/2009