No entanto, apesar de a medida poder trazer impactos favoráveis para o setor siderúrgico, a entidade aguarda, agora, medidas focadas para o restante do setor metal mecânico. "O governo assumiu uma postura com uma medida que vai defender uma indústria estratégica de uma competição que não dá para ser feita. Mas é um começo, já que não se pode olhar apenas para o setor automotivo. Nós esperamos que outras medidas complementares sejam tomadas para os demais componentes da indústria metal mecânica", ponderou, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo. O executivo lembrou que hoje no Brasil há uma grande sobra de capacidade, em relação ao consumo interno, e citou que, no ano passado, mais de 20% do consumo foi ocupado por importações. "Nesse momento, o setor está esperando quais medidas serão tomadas pelo governo para decidir o que vai acontecer com o nosso plano de investimentos. Nesse momento está em compasso de espera", afirmou.
O presidente da IABr disse, ainda, que a atual crise mundial agrava a situação do setor, adiando a recuperação da indústria do aço, principalmente nos Estados Unidos e União Europeia. "O acirramento das variáveis de acesso a mercado e de defesa comercial vai ganhar uma dimensão maior. Com muito mais razão precisamos olhar para a defesa comercial dos nossos mercados", enfatizou.
Mello Lopes acrescentou que vê espaço para um processo de consolidação do setor siderúrgico no Brasil. "O setor ainda tem um grau de fragmentação muito grande. É natural imaginar que há um espaço grande para efeito de consolidação buscando ganho de escala", afirmou. Ele avisa, porém, que não espera um movimento de consolidação de "envergadura como no passado". O executivo destacou que a participação de mercado das cinco maiores siderúrgicas no mercado de aço em todo o mundo é de 19% do total. No caso do minério de ferro, as cinco maiores ficam com a fatia de 90% do mercado.
Infomet / Agência Estado
Publicação: 22/09/2011