Importação de aço cresce no país

O aquecimento da produção industrial brasileira aliado aos preços praticados no mercado externo, que são menores que os valores nacionais, vem contribuindo para manter as importações de aço no país, conforme especialistas consultados pelo jornal Diário do Comércio. Os desembarques aumentaram no final do ano passado, após as usinas siderúrgicas anunciarem reajustes.

De acordo com o analista Otto Andrade, entre os setores que estão importando aço atualmente está o de construção civil. "As empresas estão comprando vigas (perfis) para edificações industriais no exterior, pois o preços são menores", afirmou.

Ele destacou que também são realizadas importações de aços planos, insumo utilizado no setor industrial, de países asiáticos, como China e Coreia do Sul. A indústria de bens de capital já está buscando o insumo no exterior, conforme informou o diretor da regional Minas Gerais da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Marcelo Veneroso. Segundo ele, ainda não foi feito um levantamento sobre o volume que vem sendo exportado pelo setor.

De acordo com ele, entre os fatores que contribuíram para as importações por parte da indústria de máquinas e equipamentos está os preços praticados no mercado externo. Em virtude da crise financeira global, que derrubou o consumo, os valores praticados caíram de forma significativa.

Além disso, os preços de produtos siderúrgicos no mercado internacional chegam a ser 50% mais baratos que os valores praticados pelas usinas brasileiras atualmente.

Distribuidores - Já o diretor-presidente da Frefer S/A, com unidade em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Christiano da Cunha Freire, afirmou que os distribuidores estão importando para adequar os estoques. "O consumo interno aumentou muito rápido e as usinas não conseguiram acompanhar", afirmou.

De acordo com ele, as usinas brasileiras estão com dificuldade para atender a demanda no mercado interno, após a retomada da produção de alguns setores, principalmente da indústria automotiva que registrou resultado recorde em 2009 em virtude da redução e isençao do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos.

Em relação ao preço, Freire afirmou que há uma tendência de alta no mercado internacional. "Os valores negociados estão se recuperando no início deste ano", explicou. Segundo ele, houve melhora na demanda em alguns mercados consumidores.

Após realizarem reajustes de até 12% para os distribuidores de aços planos, as usinas brasileiras anunciaram negociações para elevar os preços para os clientes industriais. A movimentação provocou a reação da indústria que ameaçou importar o produto.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, chegou a ameaçar zerar a alíquota do imposto sobre as importações caso os aumentos fossem realizados. O governo federal elevou o tributo em meados do ano passado para proteger o setor nacional.

Entre os setores que ameaçaram importar o produto está a indústria de autopeças. Conforme o vice-presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componente para Veículos Automotores (Sindipeças), Nelson Ferreira, já havia informado, as fabricantes estudam a possibilidade da formação de pools para comprar o aço no mercado internacional.

As usinas chegaram a conseguir repassar aumentos de até 12% para alguns clientes do setor. Mas também houve casos em que as siderúrgicas recuaram em virtude das ameaças de elevação dos desembarques.

De acordo com os últimos dados divulgados pelo Instituto Aço Brasil (IABr), as importações de aço aumentaram 18,7% em novembro do ano passado na comparação com o período imediatamente anterior. Desembarcaram no Brasil 234 mil toneladas do insumo, ante 197 mil toneladas em outubro.

Fonte:

Infomet / Diário do Comércio
Publicação: 18/01/2010
  • Envie por e-mail
  • E-mail
 
EFXDESIGN