Metálica

0 0
cadastre-se

Importação é a saída para a indústria de aço

A disparidade entre os preços do aço praticados no Brasil e no mercado internacional pode impulsionar as importações do insumo por parte das empresas de pequeno e médio portes e distribuidoras independentes, conforme fontes de mercado.

Os valores de comercialização podem ter diferenças de até 171%. Esse é o caso dos aços longos, insumo utilizado principalmente na construção civil. O preço médio praticado no país é US$ 1,4 mil por tonelada, conforme informações do mercado. Já no exterior o produto siderúrgico é comercializado por US$ 515 a tonelada.

A bobina a quente no mercado doméstico é 124,7% mais cara que o produto vendido no mercado internacional. No Brasil, o preço médio do insumo é US$ 1,153 mil a tonelada. A mesma quantidade é comercializada no exterior custa cerca de US$ 513. Conforme um especialista do setor que não quis se identifcar, essa diferença de preços, mesmo não incluindo o transporte e impostos, vem impulsionando as importações de produtos siderúrgicos por parte de indústrias de pequeno e médio portes e distribuidoras independentes. "O custo com a logística e os tributos não impactam de forma significativa", afirmou.

"As distribuidoras alegam que as importações são feitas para recompor os estoques", disse. Apesar disso, conforme o especialista, as compras no mercado externo são compensatórias, pois elevam as margens de lucro. A bobina a frio, por exemplo, apresenta variação de 108% no país em relação ao mercado externo. O preço médio praticado pelas usinas brasileiras é aproximadamente US$ 1,245 mil. No mercado internacional o produto é vendido por US$ 598 a tonelada. A menor diferença entre os preços externos e os praticado no Brasil é o da chapa grossa, que é comercializada no país por US$ 1,158 mil a tonelada, enquanto no mercado internacional possui um custo médio de US$ 604 por tonelada.

Ainda conforme o especialista, a negociação das usinas brasileiras para aumentar o preço do aço poderá aumentar ainda mais a diferença entre os preços praticados no país e no exterior. Ele ressaltou que é necessário medidas para reduzir os valores praticados no Brasil da mesma forma que foi feito com o setor automotivo e linha branca (fogão, geladeira, máquina de lavar e tanquinho) que tiveram a redução e isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

O analista da Tendências Consultoria, Alexandre Galloti, afirmou que o produto brasileiro é tradicionalmente mais caro que no exterior. Apesar disso, ele afirmou que o prazo de entrega e a qualidade do produto importado refletem na decisão dos cliente pelo produto nacional.

Entre os setores que ameaçam importar o produto, caso as usinas continuem a realizar reajustes está a indústria de bens de capital. O diretor regional da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamento (Abimaq), Marcelo Veneroso, afirmou que o setor poderá recorer à medida para manter a competitividade.

A Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S/A (Usiminas) confirmou na semana passada que está negociando com os clientes industriais reajustes nos preços que deverão ficar entre 7,5% e 10%. Entre as empresas que já reajustaram os preços dos planos para as distribuidoras, além da Usiminas, estão CSN e ArcelorMittal Brasil S/A.

Fonte:

Infomet / Diário do Comércio
Publicação: 20/11/2009

  • Envie por e-mail
  • E-mail
 
EFXDESIGN