Importação Predatória preocupa setor da indústria de máquinas e equipamentos

A China é o segundo país no ranking de participação no mercado mundial de máquinas e equipamentos com 13,9% das importações de bens de capital mecânicos no primeiro quadrimestre deste ano, atrás somente dos EUA. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (25) pela ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) durante coletiva de imprensa realizada no Parque Tecnológico de São José dos Campos.


Segundo o presidente da ABIMAQ, Luiz Aubert Neto, a China cada vez mais cresce a sua participação no mercado e hoje ocupa o segundo lugar entre os principais mercados de origem das máquinas e equipamentos. Em 2004, o país ocupava a 10º posição.

"Isso é o que chamamos de importação predatória, pois sabemos que não estamos importando qualidade, mas sim preço. E é ai que temos preocupações, inclusive com a segurança dos empregados brasileiros, que podem ficar submetidos a trabalho em máquinas que não são produzidas sob normas técnicas internacionais, representando um risco real para o usuário", disse.

O déficit em máquinas e equipamentos do primeiro quadrimestre já chega a US$ 5,5 bilhões aumentando o rombo da balança comercial em 33,3% em relação ao período de janeiro a abril de 2010, quando o déficit era de US$ 4,1 bilhões.

O faturamento no mês de abril deste ano quando comparado com o mês de março de 2011 registrou queda de 10,4% e no ano (jan-abr/2011) a taxa de crescimento recuou para 7,1% ao alcançar R$ 24,5 bilhões.

Segundo ele, embora o setor tenha registrado aumento no acumulado do ano em relação ao mesmo período de 2010, o Brasil está caminhando rumo à desindustrialização por conta da perda de competitividade das máquinas, equipamentos e componentes produzidos em território nacional.

"É fato que isso acontece principalmente no que tange os encargos trabalhistas, tributação excessiva e juros altos. Se continuar essa carga tributária e esses juros, as fábricas que permanecerem aqui vão se transformar em meros revendedores e representantes. É um crime de lesa pátria."

Luiz Aubert explica que essa situação contribui para que fabricantes brasileiros 'mudem' suas produções para países vizinhos ou desenvolvam o papel de revendedor. Hoje, quem produz no Paraguai, Uruguai ou na Argentina, já consegue uma redução de 35% no custo de produção.

"O Governo Federal tem agravado esse cenário. É preciso rever a reforma tributária para se reverter esse processo de 'desindustrialização'. O tripé para melhorar a competitividade envolve desoneração do investimento, investir em programas de sustentação de investimento. A população tem que aprender a pressionar. Qualquer coisa que se paga aqui é a mais cara do mundo, inclusive o carro chinês. Conseguimos fazer uma marcha para a maconha, mas não para combater a corrupção", finaliza.

Fonte:

Infomet / Agora MS
Publicação: 03/06/2011

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