Considerando o componente econômico, em meio ao leque de oportunidades ofertadas pelo Brasil, que áreas mira o governo norte-americano com a visita de Barack Obama ao País? Em particular, energia e infraestrutura. Esta última, tendo em vista os contratos bilionários que deverão ser assinados em território brasileiro nos próximos anos, com eventos como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
Em entrevista coletiva na última terça-feira, antes do embarque do presidente dos Estados Unidos à América Latina, o vice-conselheiro nacional de segurança para assuntos econômicos do governo daquele País, Mike Froman, destacou que o Brasil está se tornando o maior "player" mundial no mercado de energia com a recente descoberta do pré-sal, além de já ser um parceiro e um líder global na área de energias renováveis. "E nós já temos um bom relacionamento com o Brasil com relação a biocombustíveis, energia eólica, solar e em algumas outras áreas", afirmou.
E o interesse faz sentido. Segundo ele, no que concerne ao petróleo, as descobertas recentemente anunciadas correspondem a duas vezes as reservas norte-americanas da commodity. "Mediante as crises que se instalaram nos países produtores de petróleo no norte da África e no Oriente Médio seria uma oportunidade para os EUA ampliarem o consumo do produto brasileiro", argumenta a mestre em Negócios Internacionais e professora de Comércio Exterior, Eloísa Bezerra.
Já em termos de biocombustíveis, Froman assinalou o trabalho conjunto entre os dois países que vem sendo desenvolvido na pesquisa em combustíveis mais avançados e sua aplicação em setores adicionais.
Quanto à segunda área, no caso infraestrutura, o vice-conselheiro nacional de segurança para assuntos econômicos do governo norte-americano foi enfático. "Como anfitrião da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, são esperados investimentos superiores a US$ 200 bilhões em infraestrutura adicional pelo País, não apenas no Rio de Janeiro, mas em todo o País. E nós acreditamos que podemos ser o seu maior parceiro como fornecedores de produtos e serviços para ajudar o Brasil nesse esforço", declarou.
Também não é para menos. As cifras envolvidas para dotar o País de infraestrutura, tanto para suportar o crescimento sustentado da economia, como para atender à demanda dos eventos esportivos aqui sediados chegam a mais de R$ 270 bilhões. É o que revela mapeamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que aponta para a injeção de cerca de R$ 274 bilhões, entre 2010 e 2014. Especificando, estima-se R$ 92 bilhões para energia elétrica, R$ 67 bilhões para telecomunicações, R$ 39 bilhões para saneamento, R$ 29 bilhões em ferrovias, R$ 33 bilhões em transporte rodoviário e R$ 14 bilhões em portos.
Ao mesmo tempo, o estudo do BNDES estima investimentos em torno de R$ 500 bilhões no setor industrial brasileiro no mesmo período. E é justamente o setor de energia, com petróleo e gás e alvo de interesse dos norte-americanos, que deverá receber a maior fatia dessa quantia: 59%, ou R$ 295 bilhões. Em seguida, vem a indústria extrativa-mineral, como R$ 52 bilhões; siderurgia, R$ 44 bilhões; Petroquímica, R$ 36 bilhões; veículos, R$ 32 bilhões, eletroeletrônica, R$ 21 bilhões; e papel e celulose, com R$ 19 bilhões. Ao todo serão quase R$ 800 bilhões aplicados, dos quais o governo norte-americano espera abocanhar boa fatia a fim de dinamizar as suas exportações para o Brasil, garantindo empregos em seu país. (ADJ)
Infomet / Diário do Nordeste
Publicação: 21/03/2011