Instituto Aço Brasil diz que obras da Copa usam aço importado

O presidente do Instiututo Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, disse hoje que os projetos voltados para programas especias do governo federal, como Copa do Mundo, Olimpíadas, PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), pré-sal, entre outros, estão utilizando aço importado.

"Nós tínhamos expectativa que os chamados programas especiais iriam elevar o consumo per capita nacional de aço, mas temos o pré-sal, que é um grande ponto de interrogação, e parte das obras dos estádios da Copa foram contratados com aço português", informou Lopes sem citar quais seriam os estádios.

Ele lembrou que o governo havia firmado um compromisso de exigir conteúdo nacional nas obras, mas que isso não está sendo efetivamente cumprido.

Lopes afirmou que a indústria siderúrgica brasileira tem todas as condições de oferecer o aço demandado pelo país, com sobra no momento de 19 milhões de toneladas para uma capacidade instalada de 47 milhões de toneladas. O setor investiu US$34 bilhões desde a privatização até o ano passado, mas agora, segundo Lopes, segurou os investimentos "para ver melhor o cenário".

O Instituto reduziu as projeções de venda de aço no Brasil este ano em 1 milhão de toneladas em relação à estimativa feita em agosto, para 21,5 milhões de toneladas, e as importações foram elevadas 3,6 milhões de toneladas contra as 3,4 milhões de toneladas projetadas em agosto. O consumo aparente este ano deverá somar 24,9 milhões de toneladas, e não 25,8 milhões como estimados anteriormente.

Para 2012, a expectativa é de vendas em torno de 23,3 milhões de toneladas e as importações seriam de 3,6 milhões de toneladas. Das importações realizadas em 2011 o instituto afirma que 80% são decorrentes dos setores de máquinas e equipamentos (onde está incluída a indústria de petróleo) e automotivo.

Crítica à Vale

O executivo comentou as declarações do presidente da Vale, Murilo Ferreira, na semana passada, cobrando mais investimentos da siderúrgicas: "Conversei com ele e ele disse que foi um mal entendido", explicou Lopes, que criticou no entanto a entrada da Vale no setor siderúrgico.

"Do ponto de vista econômico não faz nenhum sentido, se você compara a Ebitda do minério e do setor (siderúrgico), não há nada que justifique a entrada da Vale no segmento de aço", disse.

Ele explicou que a reclamação de Ferreira sobre a perda de mercado da Vale no Brasil, exposta em apresentação ontem na Bolsa de Nova York, se deve à entrada das siderúrgicas no segmento de mineração, que reduziu de 70% para cerca de 30% as vendas da Vale no mercado interno no últimos seis anos. Empresas como a Usiminas e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) investiram no desenvolvimento de minas para se defenderem das altas do preço do minério de ferro.

Fonte:

InfoMet / Folha Online
Publicação: 01/12/2011

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