Ele lembrou que o governo havia firmado um compromisso de exigir conteúdo nacional nas obras, mas que isso não está sendo efetivamente cumprido.
Lopes afirmou que a indústria siderúrgica brasileira tem todas as condições de oferecer o aço demandado pelo país, com sobra no momento de 19 milhões de toneladas para uma capacidade instalada de 47 milhões de toneladas. O setor investiu US$34 bilhões desde a privatização até o ano passado, mas agora, segundo Lopes, segurou os investimentos "para ver melhor o cenário".
O Instituto reduziu as projeções de venda de aço no Brasil este ano em 1 milhão de toneladas em relação à estimativa feita em agosto, para 21,5 milhões de toneladas, e as importações foram elevadas 3,6 milhões de toneladas contra as 3,4 milhões de toneladas projetadas em agosto. O consumo aparente este ano deverá somar 24,9 milhões de toneladas, e não 25,8 milhões como estimados anteriormente.
Para 2012, a expectativa é de vendas em torno de 23,3 milhões de toneladas e as importações seriam de 3,6 milhões de toneladas. Das importações realizadas em 2011 o instituto afirma que 80% são decorrentes dos setores de máquinas e equipamentos (onde está incluída a indústria de petróleo) e automotivo.
O executivo comentou as declarações do presidente da Vale, Murilo Ferreira, na semana passada, cobrando mais investimentos da siderúrgicas: "Conversei com ele e ele disse que foi um mal entendido", explicou Lopes, que criticou no entanto a entrada da Vale no setor siderúrgico.
"Do ponto de vista econômico não faz nenhum sentido, se você compara a Ebitda do minério e do setor (siderúrgico), não há nada que justifique a entrada da Vale no segmento de aço", disse.
Ele explicou que a reclamação de Ferreira sobre a perda de mercado da Vale no Brasil, exposta em apresentação ontem na Bolsa de Nova York, se deve à entrada das siderúrgicas no segmento de mineração, que reduziu de 70% para cerca de 30% as vendas da Vale no mercado interno no últimos seis anos. Empresas como a Usiminas e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) investiram no desenvolvimento de minas para se defenderem das altas do preço do minério de ferro.
InfoMet / Folha Online
Publicação: 01/12/2011