Instituto Inhotim: Arte, Paisagismo, Arquitetura e Inclusão Social a céu aberto

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Imagine um parque, com uma bela e grande área verde. Mais à frente, no entanto, impressionantes peças de arte começam a aparecer e, de repente, tudo se funde de uma forma mágica. Em meio a notável coleção de obras de arte, muitas se destacam pela utilização do aço, além de obras usando a natureza como parte da composição, lagos e alamedas funcionando como divisórias das muitas instalações de arte. Assim é o Instituto Inhotim, um centro de arte contemporânea e jardim botânico, situado na cidade de Brumadinho, a 60 km de Belo Horizonte (MG).

Paisagismo: influência inicial de Roberto Burle Marx

Tudo começou quando o colecionador Bernardo Paz adquiriu algumas peças e quis colocá-las em exposição. O lugar escolhido para isso foi a antiga fazenda do "Nhô Tim" que acabou dando nome ao lugar. Assim começava a nascer um grande espaço cultural que tem ainda um rico acervo botânico, com coleções de diferentes partes do Brasil. São mais de 2.100 espécies. Aliás, o paisagismo teve a influência inicial de Roberto Burle Marx (1909-1994) e em toda a área são encontradas espécies vegetais raras, algumas encontradas só ali, um terreno que conta com cinco lagos e uma boa reserva de mata preservada.

Um grande conjunto de instalações e obras de artistas brasileiros consagrados encravados sob montanhas ou embrenhadas na Mata Atlântica, como os de Hélio Oiticica, Cildo Meireles e Tunga, e de personalidades famosas do cenário mundial, como Victor Grippo e Matthew Barney, fazem parte do acervo de Inhotim. Não é à toa que, a cada fim de semana, um total de 1.500 a 2.000 pessoas visitam os mais de 100 hectares. Além das diversas obras de arte espalhadas pelos jardins do Inhotim, os espaços expositivos são divididos em 11 galerias, as quais são dedicadas às obras permanentes.

Educação e Inclusão Social

Inhotim é uma instituição comprometida com o desenvolvimento da comunidade onde está inserida. Sua coleção botânica e seu acervo de arte contemporânea são utilizados sistematicamente para projetos educativos e para a formação de profissionais de áreas ligadas à arte e ao meio ambiente. Inhotim também participa ativamente da formulação de políticas para a melhoria da qualidade de vida na região, seja em parceria com o Poder Público, seja com atuação independente.

A Arte Contemporânea em Aço

Vigas de aço soltas a 45m do chão

Entre as inúmeras obras de arte que utilizam o aço em sua composição podemos destacar: o Beam Drop Inhotim, de Chris Burden, artista americano performático e extremamente criativo. Durante 12 horas, Burden soltou, como que caindo dos céus, só que de uma altura de 45 metros, 71 vigas de aço de construção em um poço de cimento fresco. Embora marcada por certa previsibilidade, a obra tem como característica principal o acaso, devido ao padrão aleatório com que as vigas penetravam no cimento.

O curador e diretor artístico do Inhotim, Jochen Volz, afirma que o processo foi emocionante: "A construção dessa obra foi brutal, uma espécie de antiarquitetura. Na época não havia infraestrutura para chegar até o topo, onde a instalação está hoje. E ao chegar, o acaso que dominou a obra nos deixou impressionados. Ficamos de sete da manhã às oito da noite acompanhando essa criação de Burden. Foi incrível, nunca tinha visto nada igual!" As vigas, que atingem até 15 metros de altura, podem ser vistas e tocadas, descortinando ainda uma maravilhosa vista ao seu entorno, pois está num patamar de maior altitude em relação ao restante do espaço do Inhotim.

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Outra obra, Gigante Dobrada de Amílcar de Castro, cuja tridimensionalidade tira o fôlego; dentro da obra, efeitos de luz e uma fonte d'água oferecem ao visitante uma experiência multissensorial, com cinco metros de altura por quatro de largura, produzido com aço corten.

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Cadeiras e mesas equilibradas umas às outras formam a instalação Inmensa, de Cildo Meireles, feita de aço corten. Para o Instituto Inhotim, a obra ganhou medidas maiores (4 x 8,10 x 1,76 m) que as originais.

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Fio de cobre, ímã, aço, limalha de aço e termômetros de vidro compõem a obra Palíndromo Incesto, de Tunga, permanente no museu de Inhotim.

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Uma pequena construção triangular com paredes de vidro planas e arredondadas, e aço inoxidável, 220 x 713 x 504 cm, captura o olhar através da transparência e leveza sugerida pela delicada estrutura de Dan Graham, Bisected Triangle Interior Curve, 2002.

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Nessa nova versão da escultura-chave de Yayoi Kusama, Narcissus Garden Inhotim, 500 esferas brilhantes de aço inoxidável flutuam nos espelhos d'água. Esta obra matricial da arte feminista é uma escultura em grande formato que, no entanto, se desmaterializa, movendo-se organicamente em reação ao vento e refletindo a natureza ao seu redor.

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Arquitetura e Aço

Entre as inúmeras galerias que abrigam exposições permanentes e temporárias em Inhotim, a utilização do aço também está presente de forma significativa em sua estrutura.

No meio da terra avermelhada, De Lama Lâmina é uma das obras que mais impressionam por falar de um tema atual: a destruição da floresta. Idealizada pelo americano Matthew Barney, projeto que teve origem numa performance realizada em parceria com o músico Arto Lindsay, no Carnaval de Salvador em 2004.

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Incrustada na mata, a escultura de Barney está instalada dentro de gomos geodésicos, em meio a um bosque de eucaliptos, cena à partir da qual o artista construiu uma complexa narrativa sobre o conflito entre Ogum, senhor orixá do ferro, da guerra e da tecnologia, e Ossanha, o orixá das florestas, plantas e das forças da natureza. De Lama Lâmina é a primeira instalação permanente desenvolvida por Barney para uma instituição musicológica.

Ao percorrer um caminho sinuoso para chegar até a obra, o visitante depara com um cenário aparentemente inacabado: dois gomos geodésicos de aço e vidro, acoplados um ao outro, em meio a montanhas de minério de ferro e árvores derrubadas. Do lado de dentro, o espaço é tomado por um enorme trator que ergue uma árvore de resina.

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Com diâmetros de 10m e 15m, as cúpulas de vidro foram executadas pela Avec Desing, com o sistema Ecoglazing, uma tecnologia capaz de simplificar as etapas de instalação mesmo em geometrias mais complexas. O sistema foi patenteado pela empresa, que utiliza um caixilho sintético em borracha de silicone de alta consistência HTV (vulcanizados a alta temperatura). Já os painéis de vidro foram emborrachados pelo sistema VES (vidro encapsulado em silicone).

O projeto é composto de 800m² de vidros laminados refletivos dourados de 10mm aplicados sobre estruturas geodésicas tubulares de aço patinável ( com liga de cobre), de modo elástico e definitivo. Este é um laminado com metalização PR108, com 8% de transmissão luminosa. As chapas foram fabricadas pela Fanavid e cortadas e lapidadas pela Vidraçaria Iguatemi.

inhotim_18Implantada em um terreno em aclive envolvido pela mata, a galeria Miguel Rio Branco redesenha a topografia para diminuir a massa construída visível. Tratada como continuação do espaço urbano, a praça coberta define um espaço de transição e permanência que orienta fluxos, abriga áreas de apoio e permite a visualização da sala localizada no pavimento inferior, rebaixada 4,5 metros.

O outro espaço expositivo, por outro lado, é um pavilhão fechado e regular no pavimento superior, definido pela caixa de aço corten. Este elemento dominante na paisagem, construído em estrutura metálica, favorece a máxima flexibilidade do espaço interno e apresenta sutis deformações que permitem a criação de aberturas zenitais ao longo de suas paredes.

A ideia principal era de simular uma rocha saindo da montanha utilizando predominantemente o elemento metálico tanto no revestimento quanto na cintura metálica. Utilizando o concreto e o aço de forma conjunta.

O revestimento é feito de placas de aço corten devido ao local de implantação do projeto. Por ser um ambiente localizado em uma mata, o nível de oxidação dos materiais é alto, deixando um interessante tom nas placas de ferrugem.

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Veja outras obras que estão no Instituto Inhotim

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Ficou curioso? Para conhecer mais detalhes interessantes sobre essas obras, visite o Instituto Inhotim:

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Inhotim está localizado no município de Brumadinho, a 60 km de Belo horizonte. Acesso pelo km 500 da BR-381 – sentido BH-SP.
Pode-se chegar também pela BR-040 sentido BH-Rio, na altura da entrada para o Retiro do Chalé.

Funcionamento:

Quartas, quintas e sextas-feiras, das 9h30 às 16h30
Sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 17h30
www.inhotim.org.br
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Fonte e Imagens:

Inhotim, Casa Abril, Revista Museu, Gazeta do Povo, Portafolios

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