Apesar do ufanismo do governo — que se gaba de já ter contratado o financiamento de 504 000 unidades habitacionais até o final de junho — nos últimos seis meses o programa Minha Casa, Minha Vida se desacelerou visivelmente e agora exibe um ritmo preocupante no fechamento de novos contratos.
Para se ter uma ideia da lentidão do Minha Casa, Minha Vida, basta comparar a média de financiamento fechados em 2009 e 2010.
Entre setembro e dezembro de 2009, quando o programa parecia decolar, a Caixa Econômica Federal fechou uma média de 60 000 novos contratos por mês.
Mas no primeiro semestre de 2010, a média de financiamentos caiu para 38 000 contratos por mês.
A lentidão não pode ser creditada apenas ao Carnaval ou à Copa do Mundo. O maior problema do programa — criado pelo governo num timing para servir de vitrine à candidata petista Dilma Rousseff — é a defasagem de pelo menos 10% no preço dos imóveis.
O preço dos imóveis foi definido em dezembro de 2008 pelo ministério das Cidades e está congelado desde então — apesar do boom do mercado imobiliário e da forte inflação vivida no último ano no setor da construção.
O congelamento afeta mais o financiamento de unidades na faixa de renda de 1 a 3 salários mínimos, que são fortemente subsidiadas pelo governo.
A saída seria a correção dos preços, mas o governo ainda não deu nenhum sinal nesse sentido — e não pode fazê-lo atabalhoadamente para não frear bruscamente o fechamento de contratos.
Além do preço, as construtoras também têm enfrentado dificuldades para encontrar terrenos disponíveis e que já sejam servidos pelo saneamento básico.
Apesar de não ter anunciado uma meta oficial, o governo esperava anunciar ter vendido 1 milhão de unidades em plena campanha eleitoral.
Mas no ritmo atual, para vender mais 500 000 unidades será preciso mais 13 meses, que ironicamente é o número do PT. Vale lembrar que no começo do ano o governo se apressou em lançar a segunda fase do programa.
Portal Exame
Publicação: 06/07/2010