Medidas chinesas de combate à inflação geram dúvidas no segmento siderúrgico
Oportunidades no longo prazo. Analistas recomendam compra e manutenção das ações de empresas do setor

Ana Borges

As expectativas sobre as medidas chinesas para conter a alta da inflação geram dúvidas quanto ao futuro das commodities e levam ao fraco desempenho das ações das companhias siderúrgicas brasileiras. Apesar disso, analistas lembram que a desvalorização dos papéis de algumas empresas levam a oportunidades de longo prazo e a recomendação para as ações fiquem entre comprar e manter. Os balanços apresentados pelos principais players brasileiros do setor mostram esta expectativa.

Para o analista chefe da SLW Corretora e especialista no setor, Pedro Galdi, os sinais de desaquecimento da economia mundial no terceiro trimestre parecem estar perdendo força e isto deve ajudar na manutenção de produção do setor aos níveis praticados no mês de outubro nos próximos dois meses.

"A expectativa continua apontando para uma produção na faixa de 1,4 bilhões de toneladas de aço neste ano, superando os níveis de volumes produzidos em 2008 e 2009. A crise econômica afetou a produção de aço a partir de julho de 2008 e se acentuou no começo do ano passado, entrando em recuperação no somente no segundo semestre de 2009", explica.

Incertezas

Ele observa que o cenário econômico mundial mostra sinais de incertezas, que tendem a interferir na maior produção do setor de siderurgia. "No entanto, acreditamos que o cenário para os próximos anos, considerando a recuperação das economias dos países ricos, se mostra positivo. Outro ponto, que continuamos observando no curto prazo é que a continuidade na depreciação do dólar tem gerado uma política comercial agressiva no setor, sendo constatado direcionamento de aço de alguns países com preços extremamente aviltados. Este movimento está sendo observado no Brasil, com importação de aço em volume nunca visto antes", afirma Galdi.

Segundo dados divulgados pela WorldSteel, a produção mundial de aço bruto atingiu o montante de 118 milhões de toneladas no mês de outubro, o que equivale a um crescimento de 5% sobre o mês anterior e também aumento 5% sobre o mesmo mês do ano anterior. Em comparação com setembro deste ano, com exceção da Rússia e Estados Unidos, todas as principais regiões do planeta registraram crescimento de produção em siderurgia, sendo que os destaques ficaram com a União Européia e Brasil. No caso da China, a produção atingiu 50 milhões de toneladas, participando com 43% da produção mundial.

O volume também aponta para crescimento de 5% sobre o mês de setembro, mas foi inferior em 3% sobre o volume produzido em outubro do ano passado, sinalizando medidas que estão sendo efetuadas para reduzir capacidade de produção de usinas defasadas tecnologicamente.

Gerdau

No caso da Gerdau (GGBR), a recomendação da SLW Corretora, por exemplo é de compra. Já a da Fator Corretora é de manutenção. Ambas as visões são de longo prazo. Em relatório aos clientes, a Fator Corretora explica que em geral os insumos utilizados pela companhia (carvão, sucata e minério de ferro) aumentaram cerca de 20% e provavelmente continuarão a impactar os resultados no último trimestre. Ao mesmo tempo, a empresa continua a se concentrar na redução de custos e melhoria operacional e de rentabilidade níveis.

"A expectativa para o crescimento da demanda no Brasil para 2011 é positiva, mas os preços devem permanecer estáveis no mercado interno e matérias-primas devem se comportar melhor durante 2011. Na América do Norte América, a demanda provavelmente mostrará um pequeno crescimento, infra-estrutura e construção civil permanecem com uma demanda fraca, porém estável. A perspectiva para o segmento de aços especiais é positiva e irá provavelmente continuar a contribuir positivamente para o resultado consolidado", resumem os analistas da Fator.

CSN

Quanto à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a visão da equipe de análise do Banco do Brasil, é de que empresa continua se beneficiando de sua estrutura para boas margens. "A diversificação dos negócios continua sendo buscada, com projetos de expansão na área de mineração, aços longos e cimentos. Os reajustes do minério sensibilizaram os resultados, com uma participação de 30% no resultado, contendo o efeito da queda nas vendas de aço", ressaltam. Esta tendência foi reafirmada durante a teleconferência da companhia sobre os resultados do terceiro trimestre.

"Permanecemos otimistas em relação ao desempenho da empresa e aos seus diferenciais estratégicos frente às perspectivas para o setor. Por isso, permaneceremos com nossa recomendação de compra para as ações da CSN, apesar do potencial de valorização estar limitado", diz o relatório divulgado a clientes do Banco do Brasil.

Usiminas

Com relação à Usiminas, outro grande player brasileiro do setor, a visão dos analistas do BB também é de otimismo, diante da recente parceria anunciada com a MMX. "A parceria é positiva visto que viabiliza o escoamento para exportação do minério de ferro da Mineração Usiminas, contando ainda com recursos da MMX, apesar da cessão de grande parte da produção da Mina de Pau de Vinho", explicam os analistas do BB.

Do lado negativo, a visão é de que ocorrerá uma menor expansão prevista para a Mineração Usiminas, que está inserida num cenário incontestavelmente positivo. "Atualizamos a data do nosso preço alvo (dez/2011) e mantemos nossa classificação de compra para as ações da Usiminas, mas ratificamos nossa cautela em relação ao cenário para o setor no curto prazo", avaliam os analistas do BB.

Recomendação

Gerdau PN - GGBR4
Recomendação: Compra
Preço bolsa: R$ 21,67/ação
Preço justo: R$ 32,77/ação (*)

CSN ON - CSNA3
Recomendação: Manter
Preço bolsa: R$ 28,59/ação
Preço justo: R$ 38,32/ação (*)

Usiminas PNA - USIM5
Recomendação: Manter
Preço bolsa: R$ 21,67/ação
Preço justo: R$ 31,63/ação (*)

(*) Consenso mercado Bloomberg

Fonte: SLW Corretora

Fonte:

Infomet / Assessoria de Imprensa
Publicação: 23/11/2010

 

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