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Melhores Obras com Aço: PW Brasil em Colatina, ES
Prêmio ABCEM 2003 - Categoria: Edifícios Industriais

A Escolha do Terreno

Situado em local panorâmico e privilegiado, o terreno escolhido para a instalação da P.W Brasil Export conta com uma área original de aproximadamente 30 mil metros quadrados, localizado na cidade de Colatina, no Estado do Espírito Santo.

Estando a um nível de mais ou menos 30 metros acima do plano da cidade, este terreno obteve um formato regular e plano, propiciando o melhor aproveitamento de sua área, onde se pode avistar todo o Vale do Rio Doce - que corta a cidade em meio aos morros.

As grandes visadas sem obstáculos conferem a este conjunto arquitetônico, uma paisagem singular e diferenciada, que pode ser admirada de qualquer ponto de Colatina.

Implantação

Em parceria com os novos empreendedores - proprietários da obra – os arquitetos Élio Madeira e Juliana Madeira puderam estabelecer uma conduta inovadora para esse projeto, de modo que suprisse a maior parte das necessidades exigidas na implantação de sua estrutura, como a captação de água, que se originou de poço artesiano de grande profundidade, para atender ao consumo médio mensal de até um milhão de litros de água - utilizados no processo de lavagem e tingimento das peças de vestuário.

“Criamos todo um processo de reaproveitamento desta água proveniente dos processos químicos de tingimento, alcançando um grau de limpidez de até 98%, podendo assim ser reutilizada”, explica.

Segundo os arquitetos, foi implementada a utilização generosa de iluminação e ventilação naturais nos edifícios projetados, proporcionando com eficácia uma redução do forte impacto climático externo que chega no verão ao ápice de 40°.

Ainda com esta solução, de acordo com os arquitetos, obteve-se uma redução considerável do consumo de energia elétrica, possibilitando aos edifícios operarem das sete às dezessete horas sem a utilização da mesma.

“Esta condição conferiu ainda, aos ambientes uma característica de arejamento desejada tal, que a empresa conseguiu isenção dos encargos sociais referentes à insalubridade, acarretando uma redução de 30% na folha de cerca de trezentos funcionários”.

Partido Arquitetônico Adotado

Objetivando ampliar sua capacidade de produção para o mercado nacional e abrir novas oportunidades nos negócios internacionais, o projeto teve como proposta abrigar um novo complexo de indústria do vestuário. O programa adotado previu a criação de quatro blocos de edifícios distintos que abrigaram as funções de Edifício administrativo, Refeitório e Auditório, Produção, e Lavanderia, respectivamente blocos I, II, III e IV, totalizando uma área construída de 8.500 metros quadrados.

Esses edifícios orientam-se linearmente dispostos paralelos, um ao outro, conferindo um visual interno agradável dos escritórios a todo o complexo. Vale destacar que foi utilizada uma área mínima de pavimentação interna para atender exclusivamente às áreas de estacionamentos, tanto da administração quanto para o pátio de manobras (carga e descarga) e visitantes.

Apesar do edifício ter uma conotação industrial, a arquitetura privilegiou a criação de grandes largos de chegada e praças entre os edifícios, bem como localização de forma estratégica os acessos aos depósitos e áreas de expedição, concentrados em um único pátio. Desenvolveu-se também, monovias independentes e exclusivas para a utilização de movimentação de pessoas e pequenas cargas, através de mini-carros, na comunicação entre os blocos de produção e lavanderia.

“Esta decisão, acreditamos que acertada, nos fez crer que estaríamos reforçando o caráter de segurança evitando o cruzamento de vias de pedestres e veículos, acentuando com isso, a privacidade e a independência de cada bloco”.

Seguindo o mesmo raciocínio, podemos constatar um resultado inovador no que tange a questão da imagem do conjunto, que não se assemelha em nada com edificações tipicamente industriais. O processo construtivo, fruto de um trabalho criativo desenvolvido há cinco anos pelos profissionais da equipe Elio Madeira Arquitetura pôde imprimir uma nova identidade à empresa, tornando a arquitetura uma estratégia fundamental para o reconhecimento e divulgação da imagem da mesma no mercado.

Elio Madeira salienta que, a estrutura metálica, usada em todo o partido estrutural dessa obra, atendeu a toda às exigências requeridas quanto aos vãos de cobertura e fechamento de fachadas, não implicando em momento algum no acréscimo dos custos de execução, ora planejados pelo grupo.

“Muito pelo contrário, esta obra, comparada aos sistemas convencionais existentes no mercado, possuiu um diferencial de apenas 10% no valor, e é indiscutível que esse mesmo processo ainda pôde propiciar ao cliente um planejamento de desembolso gradativo de verbas à medida do tempo necessário para a conclusão de cada etapa de serviço, visto que, a estrutura metálica confere uma rapidez incomparável no aspecto de montagem e implantação dos edifícios”, completa.

O aço utilizado na maior parte da estrutura foi o USI-SAC 41, com o peso total de 220 toneladas, numa área estrutural de 9.200 metros quadrados com peso médio por metro quadrado de 24 quilos e um custo final obtido em toda a sua realização de construções civis de R$ 4.200.000,00, originando um custo por metro quadrado de obra de aproximadamente R$ 495,00.

“Assim podemos constatar através das belas imagens aqui registradas a verdadeira conciliação entre boa técnica, resultado plástico de grande impacto e excelente performance econômica”, destaca.

No Edifício Administrativo toda a cobertura foi apoiada num vão de 60 metros lineares em apenas quatro apoios, pilares estes, de 16 metros que se conectam a cobertura através de tirantes metálicos, eliminado o emprego de pilares intermediários, originando grandes vãos livres permitindo com isso uma planta livre, e com várias possibilidades de organização.

Destaca-se neste edifício, três importantes visadas possibilitadas através da utilização de grandes panos de vidro: uma para a cidade, outra para os edifícios vizinhos e uma posterior para a paisagem bucólica local. Deste ponto de vista, a península da área de diretoria possui uma visão privilegiada para todas as visadas citadas.

Com 750 metros quadrados de área construída, o edifício que abriga o Refeitório e o Auditório, dispostos nos extremos opostos, permite conferir um tratamento de alto padrão, indiferente à classificação do uso, devido à utilização em todo o perímetro da fachada de um sistema unificado de esquadrias de alumínio especiais, tipo pele de vidro e com transparência abundante.

A transparência da fachada encontra-se protegida da forte luminosidade, por um generoso beiral de 3 metros em todo o seu contorno, propiciando o uso dessas circulações externas como varandas. Agregado a esse edifício existe uma pequena loja destinada a ponta de estoque das coleções.

Cobertura

A estrutura metálica da cobertura foi concebida de forma a apoiar-se em quatro únicos pilares, consolidados a um conjunto de vigas metálicas de perfil “I”, estabilizados através do travamento de todo o terçamento executado em perfil “U” enrijecido conjuntamente ao fechamento da cobertura em telhas de aço.

Já os edifícios da Produção e Lavanderia com área construída de 6.400 metros quadrados aproximadamente, possuem a mesma concepção de estrutura metálica, constituída de um pórtico formado por um conjunto de dois pilares, um em cada extremidade, associado a uma treliça metálica curva, proporcionando um vão livre de 50 metros em sua largura, vão esse, obtido através de um sistema de tirantes fixados a treliça e pilares devidamente estaiados ao piso externo.

Esta mesma estrutura se repete ao longo de todo o comprimento desse bloco, espaçados a cada 10,3 metros. O partido adotado permitiu uma planta livre em toda a Produção e na Lavanderia, requisitos fundamentais para constantes modificações e adaptações de seu layout, bem como uma possível expansão, sendo previsto para tanto, uma duplicação da estrutura sem que interfira no funcionamento dos mesmos.

Suas fachadas foram realizadas com grandes empenas de altura de 6 metros em material translúcido de PVC, venezianas, tornado-se assim um grande controlador de luz e ventilação. Os sheds que ocupam a parte central de toda a cobertura fazem com que o ar quente que tenderia a se concentrar no ambiente seja dissipado para o exterior, trazendo uma sensação de conforto aos seus usuários.

“Esse artifício fez com que não houvesse necessidade do uso de condicionamento climático artificial, o que além de diminuir os custos de investimento, contribuíram também para a eliminação de possíveis gastos futuros. Apesar da existência de uma condição climática externa acentuada, conseguimos obter uma sensação de conforto térmico nos espaços de trabalho, com temperatura média diária em torno de 26°”, coloca o arquiteto.

Os blocos da Lavanderia e Produção ficam separados por apenas um vão de 10,3 metros, que corresponde a um módulo da cobertura, dos dezesseis existentes, permitindo assim uma independência atual entre eles, possibilitando também aí uma nova área de expansão, interligando os edifícios. Embora haja essa separação entre os mesmos, o resultado volumétrico obtido através da sucessão desses grandes pórticos originou um efeito plástico inusitado, conferindo uma unidade ao conjunto.

Segundo os arquitetos, apesar dos prédios abrigarem atividades com programas específicos, foi de extrema importância o caráter de identidade própria impresso em cada um.

“Este mesmo equilíbrio formal pode ser observado em todo o conjunto, ressaltado por um aspecto de unidade, predominante em nosso partido, rico em alternâncias entre cheios e vazios, destacados pelo metal e áreas envidraçadas, tudo isso integrado a um paisagismo, e também as visuais que o terreno permite para toda a cidade”.

“Certos de termos alcançado um resultado bastante satisfatório em termos de custo e qualidade, destacamos aqui a importância da boa técnica aliada a isso, que faz do arquiteto o verdadeiro diferencial em toda e qualquer obra”, finaliza Elio Madeira

A Obra em Imagens

(clique nas imagens para ampliá-las)

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