Mercado espera queda no preço do minério no quarto trimestre

Apesar da recente valorização no mercado à vista, os contratos de minério de ferro do quarto trimestre devem apresentar queda de preço. As estimativas de analistas para os valores praticados pelas mineradoras entre outubro e dezembro são de retração entre 10% e 17%.

Os preços serão calculados com base nas cotações do mercado à vista (spot) em junho, julho e agosto.

Como a commodity apresentou significativa retração nos dois primeiros meses -o preço médio do minério caiu 11% em junho, em relação a maio, e 12% no mês seguinte-, a recuperação de agosto, mesmo se mantida, não deve ser suficiente para compensar a queda anterior.

"O mercado está se reanimando, mas é difícil que em agosto ele consiga reverter a perda dos meses anteriores", afirma a analista Stefânia Grezzana, da Tendências.

Passadas as maiores preocupações com a crise na Europa e com sinais de que a desaceleração da economia chinesa poderia ser menos significativa do que a esperada inicialmente, o preço do minério voltou a subir há cerca de 20 dias, na China.

Ontem, a tonelada foi cotada a US$ 144,50 no maior mercado consumidor da commodity e que, portanto, é referência. Mas, na média de junho, julho e agosto, o preço ainda é de US$ 135,80.

"Se o minério conseguir manter-se acima da média do período, ou aumentando mais um pouco, podemos ter um corte nos preços de 10%.

Caso contrário, a queda pode chegar a 13%", disse Rafael Weber, da Geração Futuro. Já Marcelo Zilberberg, analista do banco de investimentos UBS, estima desvalorização de 17% para os preços praticados pela Vale, de US$ 133,85 por tonelada neste terceiro trimestre para US$ 110,52 no próximo.

Os preços de venda da Vale recebem um prêmio porque seu minério apresenta maior teor de ferro, mas também consideram o desconto do frete -por isso são menores do que as cotações à vista.

Rentabilidade

Mesmo com a queda prevista, a forte alta dos preços do minério nos trimestres anteriores deve garantir boa rentabilidade para as mineradoras até o final do ano. "Ainda que os preços caiam, as mineradoras vão manter uma boa margem", diz Pedro Galdi, analista da SLW Corretora.

Em abril, quando o sistema de preços passou a ser trimestral, houve um aumento de 100% nos preços. Em julho, a alta foi de 35%. Para o longo prazo, a expectativa é positiva. Além da melhora no cenário macroeconômico, haverá um desequilíbrio entre oferta e demanda por dois anos, quando projetos de alta capacidade entram em operação.

Ontem, no Rio, o presidente do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração), Paulo Camilo Penna, disse que o valor gerado pela produção mineral voltará a crescer, após dois anos em queda.

O montante, que será recorde, deve somar US$ 35 bilhões neste ano, dos quais US$ 20 bilhões referem-se apenas ao minério de ferro.

Fonte:

Infomet / Folha de São Paulo
Publicação: 11/08/2010

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